sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Coluna do dia: O corpo é uma linguagem silenciosa de mensagens faladas



          O corpo na linguagem possui uma mensagem subliminar que muitas vezes não conseguimos desvendar. Essas mensagens contribuem para os pensamentos e agitam nossos sentimentos.

          Quando não entendemos ou ignoramos as mensagens que o corpo nos envia facilitamos a doença e acaba sendo inevitável adquirir qualquer transtorno. Todos nós precisamos de tempo para trabalhar um corpo saudável, oxigenado, energizado. Um tempo para nos afastarmos da correria da vida cotidiana e proporcionar ao corpo a oportunidade de recuperação. A comunicação através do corpo tornou-se mais insistente e muitas vezes necessária para estabelecer as relações, expressar pensamentos, intenções e estados de espírito. Falar com o corpo é entender que sua linguagem pode ser alterada conforme a situação vivida. A linguagem deve ter qualidade, quantidades proporcionais, consciente, colocando em prática a inteligência emocional do ser humano. Precisamos sentir as palavras, entendê-las.

          Cada gesto pode levar a diferentes interpretações e através de sinais pode ser compreendida, pode ser enganosa, tornando-se uma ferramenta muito poderosa e perigosa. Pode ser o bem e o mal, dependendo dos diferentes níveis de complexidade. Falar com o corpo é aperfeiçoar as ações, melhorar capacidades e mostrar quem você é realmente e suas intenções. A linguagem corporal como ferramenta é uma forma de aperfeiçoamento das atuações levando a interpretação e conhecimento, essenciais para a credibilidade da informação transmitida. A comunicação acontece muito mais por gestos do que pela palavra falada, através de expressões faciais, por movimentos do corpo. A palavra falada, a verbalização acontece numa pequena parte do tempo pelas emoções, os ruídos, os tons de voz.
          O corpo é testemunha e parceiro de experiências enriquecedoras com uma linguagem própria, permitindo expressar os pensamentos, as emoções e as reações instintivas, tendo como objetivo atingir a estrutura da personalidade, mudar os estados emocionais, até mesmo perceber as necessidades espirituais, através dos conflitos, dos desejos e das lutas diárias. Esse corpo faz parte de cada Ser, ele nasce, cresce e morre. Participa de uma engrenagem perfeita, mas que falha, dando sinais de quando a saúde não vai bem. . O corpo é o espelho revelador do inconsciente, é a projeção de nossa mente.  Precisamos aprender a viver e envelhecer, agir de forma inteligente.

"Nosso corpo é antes de tudo, um centro de informações para nós mesmos. É uma linguagem que não mente" (Pierre Weil, 2001)
        
  A linguagem corporal conjuga a compreensão do conhecimento dos gestos e movimentos, é imprescindível para uma comunicação harmônica que ajuda nas relações, no comportamento humano. Pode estar contando uma história, é capaz de mostrar o estado de equilíbrio do sujeito, de apontar mudanças necessárias para reatar o contato com o equilíbrio, instintos, sentimentos ou pensamentos. A linguagem corporal nos leva a possibilidades, de mostrar as capacidades, a aprendizagem de dominar nossos instintos, nossas emoções e nossas razões. Encontrar o equilíbrio com o significado de amor e descobrirmos que somos membros de um só corpo.

Referência Bibliográfica:
 WEIL, Pierre. O Corpo Fala: A linguagem Silenciosa da Comunicação Não-Verbal. 27. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1990.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Coluna do dia: O preconceito que bate a nossa porta!



2015 enfim começou! E agora começa a batalha nossa de cada dia! E que dias! Nesses últimos dias eu tenho pensado muito no futuro, no futuro que estamos construindo, no mundo que iremos deixar para nossos filhos, nossos netos. 

Tenho lido cada coisa, que a cada dia eu me pergunto: Em que sociedade estamos vivendo? Que seres humanos são esses, que estão ao nosso redor? Escrevo isso, por vários motivos: Pessoas sendo mortas, sem piedade nenhuma na Nigéria, no Oriente Médio, e nas nossas cidades brasileiras, pessoas sendo discriminadas, por serem gordas, ou pela religião, ou pela condição sexual, pela cor da pele, universitários drogando e abusando sexualmente de calouras, pais matando filhos, policiais que deveriam nos proteger, matando cidadãos inocentes ou pessoas discriminado o outro simplesmente por serem diferentes! 

E muitas crianças são diferentes! Nossas crianças especiais são diferentes da maioria dos coleguinhas da sala, e como nossas crianças são discriminadas, seja na escola, na rua, na própria família! Nossas crianças já nascem com um rótulo, uma etiqueta, algo que é inacreditável, chega a ser desumano, o que elas sofrem, e não só elas, as mães sofrem em dobro. Sofrem quando não conseguem matricula na escola, e fazem uma verdadeira peregrinação, em busca de uma vaga; sofrem quando seus filhos não são convidados para as festinhas dos coleguinhas da turma, sofrem quando seus filhos são excluídos no mercado, no curso de inglês, ou na própria escola, quando as outras mães distanciam seus filhos daquela criança especial, sofrem quando sua própria família, vira as costas para essa criança, ou até quando o próprio pai, abandona a família.

Não é fácil! É uma batalha, uma grande jornada, e um peso que essas mães carregam, pois quem irá cuidar dos seus filhos quando elas partirem? A mesma sociedade que fecha os olhos para a existência delas? Que nega mais de 20 direitos que essas pessoas possuem? 

Que sociedade é essa que estamos construindo? Uma sociedade preconceituosa, que se acha no direito de dizer o que é certo ou errado, que se acha no direito de dizer o que pode ou não pode fazer sabe-se lá o que, uma sociedade cada vez mais egoísta, individualista, uma sociedade que é capaz de discriminar uma criança por ela não ser "normal", por ela ser apenas diferente!

Mas peraí... O que é normal? O que é diferente? Ou melhor, que direito uma pessoa tem para julgar a outra, quando todos nós temos algum telhado de vidro!

Até semana que vem!



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Curso de Aprimoramento em ABA (Análise do Comportamento Aplicada) - Intervenções para desenvolvimento atípico


 Local: Rio de Janeiro

E-mail: contato@creativeideias.com.br

Telefone: (21) 2577 8691 | (21) 3025 2345 | (21) 98832 6047

Carga Horária: 96h

Duração do curso: Maio à Dezembro de 2015 em 8 módulos.



PÚBLICO ALVO:

Professores, Mediadores (Estagiários, Monitores e/ou Facilitadores), Pedagogos, Psicólogos, Terapeuta Ocupacional, Psicopedagogos, Fonoaudiólogos, Estudantes de Graduação e/ou Pós, Familiares e demais interessados no assunto, ou que lidem com autistas.


CRONOGRAMA:

22 e 23 de maio - módulo 1;

26 e 27 de junho - módulo 2;

24 e 25 de julho - módulo 3;

14 e 15 de agosto - módulo 4;

11 e 12 de setembro - módulo 5;

2 e 3 de outubro - módulo 6;

6 e 7 de novembro - módulo 7;

4 e 5 de dezembro - módulo 8.


Horário:

Sexta
16h às 17h - Credenciamento | Secretaria
17h às 20h - Curso

Sábado
8h às 8h30 - Credenciamento | Secretaria
8h30 às 17h30 - Curso com intervalo para almoço.


OBJETIVO:

Apresentar e discutir bases teóricas e práticas que fundamentam uma intervenção em Análise do Comportamento Aplicada para pessoas com desenvolvimento atípico.

O curso fornece aos alunos embasamento teórico e ferramentas para a aplicação de alguns princípios da análise do comportamento aplicada, aprimorando as práticas de cada profissional.


CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:


Módulo 1 | Conceitos Básicos e Introdução a Terapia ABA

Carga Horária: 12h
O módulo 1 tem o objetivo de ensinar os princípios básicos da Ciência do Comportamento que fundamentam a avaliação e a intervenção. Além disto, neste módulo são abordadas as características diagnósticas do TEA e é feita uma introdução à Terapia ABA.

Atualizações sobre os Transtornos de Espectro Autistaa) DSM V

Introdução ao Behaviorismo e à Ciência do Comportamento - Conceitos Básicos
a) Filosofia Behaviorista Radical
b) Comportamento Respondente
c) Comportamento Operante: Reforçamento, Punição e Extinção
d) Esquemas de Reforçamento e Modelagem
e) Operações Motivadoras
f) Controle de estímulos: Discriminação e Generalização
g) Comportamento Verbal

Introdução à Terapia ABA: Um panorama da área
a) O que é Terapia ABA: Características



Módulo 2 | Avaliação do Comportamento

Carga Horária: 12h
O módulo 2 aborda a Avaliação Comportamental. Neste módulo, é discutida a realização da avaliação do repertório do cliente em termos de métodos, instrumentos utilizados e habilidades a serem observadas. Os critérios de seleção dos comportamentos-alvo que devem ser prioridades para intervenção e o desenvolvimento de um Plano de Ensino Individualizado (PEI) também são discutidos.

Definição de Avaliação Comportamental
a) Objetivos da Avaliação
b) Características da Avaliação

Métodos de Avaliação
a) Tipos de Medidas de Comportamento
b) Procedimentos para Medir Comportamento

Avaliação Inicial
a) Instrumentos e Habilidades Básicas

Programa de ensino Individualizado (PEI)
a) Determinando os objetivos da Intervenção

Módulo 3 | Manejo de Comportamentos-Problema

Carga Horária: 12h
O módulo 3 aborda a avaliação e intervenção em comportamentos-problema. O termo "comportamento-problema" se refere a déficits ou excessos comportamentais que podem prejudicar o cliente, suas interações e atrapalhar o desenvolvimento de novas aprendizagens. Neste módulo, são descritas diferentes maneiras de analisar e desenvolver estratégias para lidar com comportamentos-problema, como, por exemplo, birras, lesões e dificuldades alimentares.

O que é Comportamento-Problema
a) Tipos e Funções Comuns de Comportamentos-Problema

Avaliação de Comportamentos-Problema

a) Características da Avaliação Funcional
b) Métodos de Avaliação

Estratégias para Intervenção em Comportamentos-Problema
a) Reforçamento Diferencial
b) Estratégias Antecedentes
c) Estratégias Consequentes


Módulo 4 | Fortalecimento de Repertório Comportamental e Tentativas Discretas

Carga Horária: 12h
O módulo 4 aborda os princípios de ensino da análise do comportamento aplicada. Este módulo descreve estratégias estruturadas de fortalecimento de repertório comportamental, particularmente o ensino por tentativas discretas, focando na aplicação, registro dos dados e análise dos resultados da intervenção.

Estratégia de Ensino
a) Modelagem e Esvanecimento
b) Encadeamento
c) Imitação

Princípios de Ensino
a) Avaliação Constante
b) Ensino Personalizado
c) Aprendizagem sem erros

Ensino por Tentativas Discretas
a) Elementos da Tentativa Discreta
b) Registro de Desempenho e Análise dos dados


Módulo 5 | Ensino em Ambiente Natural e Generalização

Carga Horária: 12h
O módulo 5 continua os temas iniciados no módulo IV sobre estratégias e princípios de ensino. A ênfase deste módulo é o desenvolvimento de repertório complexo e o ensino em ambiente natural, fundamental para a generalização das habilidades aprendidas pelo cliente.

Tornando o Ensino Complexo
a) Programas Complexos em Tentativa Discreta

Ensino em Ambiente Natural
a) Elementos Fundamentais
b) Programando Ensino em Ambiente Natural

Outras Estratégias de Ensino

a) Vídeo-modelação
b) História Social
c) Economia de Fichas

Generalização
a) Transferindo o Comportamento para Novos Contextos
b) Programando a manutenção do Comportamento


Módulo 6 | Comportamento Verbal

Carga Horária: 12h
O módulo 6 retoma os princípios básicos relacionados ao comportamento verbal para discutir o desenvolvimento de habilidades básicas e avançadas de linguagem. Neste módulo, são abordados programas de ensino de habilidades de comunicação como solicitar verbalmente, descrever o mundo ao redor e iniciar e manter conversação. Além disto, são abordadas estratégias de comunicação alternativa.

Comportamento Verbal
a) Linguagem como Comportamento
b) Etapas do Desenvolvimento Verbal
c) Operantes Verbais

Ensino de Comportamento Verbal
a) Compreensão de Linguagem: Comportamento de Ouvinte
b) Expressão de Linguagem: Comportamento de Falante
c) Comunicação Alternativa

Linguagem e Interação Social
a) Iniciando e mantendo conversação


Módulo 7 | Atividades de Vida Diária, Repertório Social e de Brincar

Carga Horária: 12h
No módulo 7 são apresentados os procedimentos para o desenvolvimento das atividades de vida diária (ex: treino de toilet), iniciação e manutenção de interação social, além de habilidades de brincar sozinho e em grupo.

Atividades de Vida Diária
a) Análise de tarefas e Encadeamento
b) Atividades de Auto-cuidado

Repertório Social e de Brincar
a) Atenção Compartilhada
b) Iniciando e Mantendo Interações Sociais
c) Repertório Social Complexo: Empatia, Negociação, Cooperação
d) Ensinando Habilidades de Brincar
e) Tipos de Brincadeira
f) Brincar Sozinho e em Grupo


Módulo 8 | Inclusão Escolar, Habilidades Acadêmicas e Gerenciamento de Equipe

Carga Horária: 12h
O módulo 8 apresenta estratégias e procedimentos para o processo de inclusão escolar. Desta forma, são discutidos os parâmetros da inclusão e o desenvolvimento de habilidades acadêmicas básicas. O gerenciamento da equipe que envolve pais, terapeutas e profissionais também é abordado neste módulo.

Inclusão Escolar
a) Parâmetros e Procedimentos para Inclusão Escolar
b) Desenvolvimento de um Plano de Ensino Individualizado
c) Produção de Material Adaptado
d) Papel do Facilitador na escola

Habilidades Acadêmicas Básicas

a) Leitura, Escrita e Matemática

Gerenciamento de Equipes

a) Desenvolvimento de Objetivos Comuns


COORDENAÇÃO:

Robson Brino Faggiani - Doutor em Psicologia Experimental (USP), Especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva (USP) e Mestrado em Psicologia Experimental (USP). Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, . Tem experiência na área de Docência e Intervenção em Psicologia, atuando principalmente nos seguintes temas: psicologia clínica, programação de condições de ensino, problemas de aprendizagem, psicologia e saúde, atendimento a crianças no Transtorno do Espectro Autista, orientação a novos terapeutas. CRP:  06/80512


PROFESSORES:

Ariene Coelho - Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo; Pesquisadora membro do Laboratório de Estudos de Operantes Verbais (LEOV) no Departamento de Psicologia Experimental da USP; Especialista em clinica comportamental pelo Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR/ Campinas - SP. CRP: 06/101144

Luana Zeolla - Mestre em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo; Pesquisadora membro do Laboratório de Estudos de Operantes Verbais (LEOV) no Departamento de Psicologia Experimental da USP; Especialista em Terapia Comportamental pela Universidade de São Paulo. Treinamento no atendimento de crianças com desenvolvimento atípico pelo MIlwaukee Center for Independence-MCFI (USA). CRP: 06/106295

Robson Brino Faggiani - Doutor em Psicologia Experimental (USP), Especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva (USP) e Mestrado em Psicologia Experimental (USP). Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, . Tem experiência na área de Docência e Intervenção em Psicologia, atuando principalmente nos seguintes temas: psicologia clínica, programação de condições de ensino, problemas de aprendizagem, psicologia e saúde, atendimento a crianças no Transtorno do Espectro Autista, orientação a novos terapeutas. CRP:  06/80512

OBSERVAÇÃO: Se, por motivo de doença, falecimento ou outro fator impeditivo, qualquer um dos palestrantes contratados para o curso não puder apresentar-se, fica ajustado que a comissão organizadora providenciará a substituição por outro profissional, ou a remarcação do módulo.


INVESTIMENTO (para pagamento até a data limite):


ATÉ 26 DE DEZEMBRO DE 2014 - CURSO COMPLETO - 8 MÓDULOS - de R$ 1800,00 por:


* Parcelas pré-datadas a cada 30 dias, fixada todo dia 15 de cada mês, subsequente ao mês da 1ª parcela. As parcelas se encerram antes da finalização do curso (parcelas decrescentes em relação a data de finalização do curso).


INSCRIÇÕES: www.creativeideias.com.br


Coluna do dia: Classe/Escola Hospitalar: um direito (des) conhecido?





Um grande avanço tem sido observado na legislação brasileira em termos das garantias dos direitos de cidadania. A repercussão desse avanço se faz notar em múltiplos segmentos e setores da sociedade. Em termos do acesso à educação escolar, o direito de manter e dar continuidade às aprendizagens desenvolvidas pela escola estende-se ao contexto hospitalar. Programas e legislação específica garantem e reconhecem o direito da continuidade de escolarização de crianças e adolescentes hospitalizados.

Denomina-se essa modalidade de atendimento educacional de classe hospitalar e a sua finalidade é atender pedagógico – educacionalmente as necessidades cognitivas e psíquicas de crianças e adolescentes que se encontram impossibilitados de frequentar a escola e de partilhar as experiências sócio – intelectivas do seu grupo social. A internação hospitalar não impede de que novos conhecimentos sejam adquiridos pela criança e adolescente.

Nesse contexto, a inclusão dos educadores o ambiente hospitalar começou a ter um espaço garantido pelas determinações dispostas na Resolução número 41, de 13 de outubro de 1995 (BRASIL, 1995) do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, que dispõe sobre os direitos do educando o hospital, dentre eles o acompanhamento curricular. Esse documento nos oferece um novo paradigma de que o indivíduo hospitalizado deixaria de ser visto como “uma parte doente” na qual deveria ser tratada somente pelo conhecimento/saber médico, para ser considerado como um “todo”, em diversos aspectos, sociais, culturais, cognitivos e afetivos, que estão em permanente interação.

A Resolução do Conselho Nacional de Educação, CNE/CEB numero 2/01, que institui as Diretrizes Nacionais para Educação Especial a Educação Básica, trata as especificidades do atendimento pedagógico hospitalar:

Art.13 .Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique interação hospitalar, atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em domicilio
BRASIL (2001, p.4)

Essa mesma Resolução ressalta-se o objetivo das classes hospitalares:
§ 1. As classes hospitalares e o atendimento em ambiente domiciliar devem dar continuidade ao processo de desenvolvimento e ao processo de aprendizagem de alunos matriculados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu retorno e reintegração ao grupo escolar, e desenvolver currículo flexibilizado com crianças, jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local, facilitando seu posterior acesso à escola regular.

Buscando adequar-se ao que prevê a legislação em vigor o MEC através da Secretaria de Educação Especial procedeu à revisão em sua documentação no que tange as estratégias e orientações para o trabalho pedagógico para as pessoas A partir dessa revisão, a área de atendimento pedagógico hospitalar e o atendimento domiciliar passaram a dispor de uma publicação que regulamenta essas modalidades de atendimento que se denomina: Classe Hospitalar e Atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações (MEC/SEESP/2002). Esse documento visa a estruturar e promover a oferta do atendimento pedagógico em ambientes hospitalares e domiciliares de forma a assegurar o acesso à educação básica e à atenção às necessidades educacionais especiais.

Assim, a pratica pedagógica-educacional da classe hospitalar) e elaborada com base nas interfaces de diversos aspectos de sua realidade (a criança, a patologia, os pais, os profissionais da saúde, o professor) e com a realidade fora do hospital (contato com a escola de origem da criança, adequações para a inserção da criança com necessidades especiais na escola regular, encaminhamento de matricula na escola regular quando da alta hospitalar para as crianças que nunca frequentaram a escola).

Apesar desses documentos que garantem ao aluno hospitalizado o seu direito a escolarização, fica claro que a legislação ainda é desconhecida por grande parte das Unidades Escolares do Brasil e dos próprios Hospitais.

Semana que vem tem mais!!

Dominós de Percepção: jogos que você precisa conhecer!


dominó5
Esqueça o dominó tradicional preto e branco. Nada mais de peças pretas e bolinhas branco em relevo. Uma proposta diferente e com a mesma proposta de jogo e associação são os dominós de percepção. Ou seja, dominós cujas as informações são diferentes e os relevos também estão em propostas que fogem do comum. Separamos aqui dois que vocês podem gostar para os pequenos.

Esse dominó (mostrado na foto abaixo) tem como características peças coloridas e as formas geométricas vazadas. Uma solução também diferente para uso de pessoas com deficiência visual? Sim, mas também um produto útil para qualquer situação de estímulo e brincadeira.


dominó


Pesquisando mais sobre esse tipo de material, encontramos outra opção com a mesma proposta (a imagem você confere no início do post) em que as formas são vazadas, mas todas as peças possuem a mesma cor: Dominó de Percepção Tátil Vazado da Carlú.
dominó6
Ainda da mesma marca, encontramos outro dominó que pode ser interessante: o Dominó de Percepção Tátil Relevo da Carlú. Este é um material cuja proposta sem cores (todas as peças são cor de madeira) e as formas geométricas estão em alto relevo em cada peça, todas formas brancas sem outras variações.


dominó2 dominó3


O terceiro tipo de dominó que temos para mostrar hoje é o Dominó de Madeira Figura-Fundo da Simque.
Domino-figura-e-fundo

O nome do produto já remete a uma habilidade de percepção que tem relação com nossa capacidade de identificar objetos e silhuetas. Não existe neste produto materiais em relevo, adesivos mostram imagens coloridas adesivadas.


Por Ana Leite
Fonte: Reab.me

Hotel ganha prêmio por projeto de jovens com Síndrome de Down no trabalho

 Foto: Brasilturis

Foto: Brasilturis
Foto: Brasilturis
Foto: Brasilturis

O hotel Meliá Roma Aurelia Antica foi premiado pelo projeto realizado em colaboração com a Associação Italiana de Pessoas com Síndrome de Down (AIPD), cujo objetivo é integrar pessoas com deficiência na área de colaboradores da Companhia, gerando assim um impacto positivo na sociedade.

O Worldwide Hospitality Awards reúne anualmente em Paris as melhores empresas e projetos do setor hoteleiro em todo o mundo.

“A alma de nosso projeto deixou toda a indústria hoteleira internacional encantada, recebendo 70% de apoio em distintas votações, mas a maior satisfação foi contar com a presença e amizade de Lívia, Martina, Benedetta, Emanuele, Nicolas e Edoardo, nossas “6 estrelas”, os jovens com Síndrome de Down que trabalharam no hotel e nos ensinaram tanto”, declarou o diretor da Meliá Hotels International na Itália, Palmiro Noschese.

Recentemente, o “Hotel 6 Stelle” também foi premiado na Itália com o “Anima 2014: Para o crescimento de uma consciência ética”, no qual foi reconhecida a criação de valor social da Companhia atendendo a coletivos em risco de exclusão social. Agora, o grupo editorial MKG, líder europeu do setor, quis reconhecer o esforço feito pelo Meliá Roma Aurelia Antica outorgando-lhe o Worldwide Hospitality Awards, dentro da categoria de “Melhor iniciativa em Responsabilidade Social”, por facilitar para as pessoas com deficiência sua integração em um entorno de trabalho real, e por ter demonstrado que a deficiência nunca é um obstáculo e sim, um valor agregado.

O Meliá Roma Aurelia Antica integrou estes jovens em um regime de práticas tutoradas durante três meses. O resultado foi um excelente clima de integração laboral que envolveu a todos os departamentos e que trouxe um resultado enriquecedor tanto para os colaboradores como para os praticantes.

O projeto “Hotel 6 Stelle” contou também com a colaboração da companhia produtora Magnolia e o canal de televisão italiano Rai3, que se encarregou de transmitir um programa semanal, com o objetivo de levar a iniciativa ao grande público e, assim, conscientizar o resto das empresas e a opinião pública. De fato, várias empresas já entraram em contato com a AIPD para empreender iniciativas similares.

Fonte: Brasilturis

Menino autista ganha festa surpresa após aniversário sem amiguinhos

Bombeiros também foram à casa da família de Glenn (Foto: Arquivo pessoal) 
Bombeiros também foram à casa da família de Glenn 
(Foto: Arquivo pessoal)

O aniversário de seis anos de Glenn Buratti, um menino americano com uma forma leve de autismo, poderia ter sido um desastre quando nenhum dos seus colegas de escola compareceu à festa.

Mas graças à internet e à solidariedade da comunidade local, o garoto teve uma celebração inesquecível – e agora a história está correndo o mundo.

A mãe de Glenn, Ashleen, havia convidado os 16 alunos da turma do menino para seu aniversário no primeiro domingo de fevereiro. Ninguém confirmou presença, mas os pais decidiram manter a festa caso alguém resolvesse aparecer – o que não aconteceu.

Glenn ficou muito triste e Ashleen decidiu, então, extravasar sua frustração em uma mensagem para os 10 mil membros de um grupo no Facebook de sua comunidade, em St. Cloud, no Estado da Flórida.

"Sei que parece bobagem, mas estou de coração partido pelo meu filho", escreveu a mãe.

Polícia de St. Cloud, na Flórida, fez uma visita surpresa para Glenn (Foto: Arquio pessoal) 
Polícia de St. Cloud, na Flórida, fez uma visita surpresa para Glenn
(Foto: Arquio pessoal)

Em pouco tempo, os pais do garoto começaram a receber mensagens de completos estranhos perguntando se podiam ir à festa.

"Não tínhamos ideia de que chamaríamos tanta atenção com o nosso post e receberíamos tantas pessoas em casa para dar parabéns a ele", disse à BBC Brasil John Buratti, pai de Glenn.

Presentes
Os convidados trouxeram não apenas sua presença, mas também muitos presentes para o menino.

Uma mulher deu a Glenn uma bicicleta. Outros trouxeram brinquedos. Um homem levou sua câmera para registrar o momento especial e doou as fotos à família.

Os pais do menino disseram que a princípio ficaram receosos com a presença de tantos desconhecidos em sua casa. Depois se tranquilizaram ao perceber que todos estavam ali com boas intenções.

No total, 15 crianças e 25 adultos participaram do aniversário de Glenn. Mas a festa não acabou ali.

A história chegou até os bombeiros e a polícia da cidade, que fizeram uma visita ao menino no dia seguinte, com a permissão de seus pais.

"O caminhão dos bombeiros está em nossa casa", disse Glenn ao voltar da escola na segunda-feira.

"Está tudo bem! Eles estão aqui para desejar feliz aniversário a você", respondeu Ashleen.

 Policiais trouxeram muitos presentes para alegrar o menino, que sofre de um leve autismo (Foto: Arquio pessoal) 
Policiais trouxeram muitos presentes para alegrar o menino, 
que sofre de um leve autismo (Foto: Arquivo pessoal)
 
Helicóptero
Os policiais e bombeiros fizeram mais do que isso. Além de trazer mais presentes, mostraram ao menino como funcionam seus carros, caminhões e motos. Um helicóptero da polícia fez um voo rasante pela casa enquanto o piloto acenava para Glenn.

Depois de ser publicada pelo jornal da cidade, a história do aniversário de Glenn apareceu em diversos veículos de comunicação dos Estados Unidos e de diversos outros países.

"Nunca em um milhão de anos podíamos imaginar que isso aconteceria. Ficamos muito emocionados e tocados pela forma como as pessoas se mobilizaram para tornar o aniversário do meu menino tão memorável", afirma John.

"Esse tipo de problema é algo comum para crianças que têm autismo. Esperamos que isso faça outras crianças perceberem que, por mais que elas pensem que alguém é diferente, esta pessoa ainda tem um coração e quer ter amigos como qualquer um."

Fonte: BBC

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Coluna do dia: Minha vida e o autismo - As gestações




Sempre desejei ser mãe, para mim no auge dos meus 28 anos era o maior dom de todos, o maior amor, e a maior dedicação. Estava decidida quando conheci meu marido e me apaixonei, olhei pra ele e sabia que ele seria o pai de meus filhos. Porém nem tudo foi um “mar de rosas”, e minha primeira gravidez foi bastante conturbada emocionalmente. Helena nasceu de 38 semanas, com uma circular de cordão e 70% da minha placenta descolada, o parto que estava marcado para dia 9 de fevereiro foi antecipado por mim, em comum acordo com minha médica, depois de ter lembrado do pedido da minha taróloga, a qual consultei quando estava no segundo mês de gestação, orientando-me que meu filho(a) nascesse em um dia 08, que para a numerologia é um número infinito. E assim Deus e minha obstetra salvaram a vida de Helena e também a minha, que em 24 horas teria uma hemorragia interna se não nascesse exatamente 24 horas antes do dia marcado anteriormente; o dia 09 seria tarde demais.

Ela nasceu bem, todo o pré-natal apresentou bom desenvolvimento gestacional. Até que apenas aos 4 meses percebia algo estranho, Helena ainda não sustentava a cabeça e a pediatra que a acompanhava, a mesma que realizou o parto, não me alertava ou questionava nada sobre isso. Helena aos 6 meses não sentava, e passava o tempo todo olhando para as mãozinhas, chorando apenas para mamar. Foi quando então optei por trocar de pediatra, e este, tornou-se o primeiro anjo no nosso caminho; Dra. Maria Cristina Sá.

Decidimos em comum acordo, optar por esperar mais um pouco qualquer intervenção, pois achávamos que pelo fato de ser muito gordinha estava demorando para desenvolver no tempo normal.

Fomos encaminhados para uma nutricionista e um neuropediatra; e aos 11 meses Helena passou a não dormir bem, mexia-se e chorava muito durante a noite, não apontava o que desejava, pouco sorria e não interagia com brincadeiras comuns a sua fase de desenvolvimento. Seu desenvolvimento motor também demonstrava que algo não estava bem, pois Helena também não ficava em pé com apoio e nem preparava-se para os “primeiros passos”.

 A partir desses comportamentos, passamos a ter certeza que havia algo errado com ela. Foi quando então, aos 15 meses, após a realização de uma ressonância magnética, recebemos o primeiro diagnóstico; o de Hipoplasia Cerebelar, defeito congênito do sistema nervoso central que impede o desenvolvimento normal do cerebelo, e sendo este, um dos principais responsáveis pelo equilíbrio, iniciava-se assim, parte de uma grande história que precisei e desejei reconstruir em minha vida. Aqui começava minha busca por conhecimento.

Lembro que naquele momento eu não sentia medo, estava segura quanto à conduta e a postura médica do neuropediatra Dr. Jair Luiz Moraes que nos foi indicado pela pediatra da Helena para acompanhar- nos. O fato de desconhecer o assunto me tornou no primeiro momento imune ao luto.  Dr. Jair esclareceu-me sobre a má formação do cerebelo e suas funções. Perguntei a ele se Helena andaria, sempre muito coerente ele não me respondeu nem que sim nem que não, apenas que agora era hora de investirmos tudo que pudéssemos em Helena; Terapias, Reabilitação e muito AMOR, e nos indicou uma equipe multidisciplinar com ênfase em Psicomotricidade; “Ele foi mais que médico, foi um psicólogo, cuidadoso e atencioso durante todo tempo que acompanhou meus filhos, bem como a equipe que os estimulou e falarei mais detalhadamente sobre isso, na parte II.

Contudo, nesse dia do diagnóstico da má formação fetal Dr. Jair ainda não havia feito nenhum alerta para o TEA -Transtorno do espectro Autista, tempos depois entendi o porquê.

Nesse período me separei e voltei para São Paulo minha cidade natal. Dr. Jair me encaminhou para seu colega Dr. Arita, que na época, era o chefe da neurologia pediátrica da Santa Casa de SP. Iniciei um processo lento e burocrático para conseguir o devido tratamento dentro do hospital, nesse período passei por um novo grande susto; descobri que estava grávida novamente, mas imediatamente passei a desejar e amar demais aquele novo ser, que a cada dia o preparava para vir ao mundo.

Tempos depois, comecei a ter princípios abortivos nesta gestação por volta do  quarto mês e por tanto se fez necessário o uso de medicações e repouso, o que me impedia de levar Helena para as terapias regularmente, foram 36 semanas de angustia, idas e vindas a hospitais, internações e consequentemente Helena, sem tratamento adequado e equipes despreparadas, engatinhou aos 13 meses, ficou em pé com apoio aos 17 meses e andou aos 2 anos com dificuldade resultando uma ataxia da marcha.

Milorge Antonio ou TOM, apelido carinhoso que minha amiga Anita Moreno deu a ele, tornando assim uma forma de oralização muito fácil para Helena; nasceu prematuro, porém muito bem se não fosse pelo fato de ter engolido liquido aminiótico fazendo-se necessária sua permanência na UTI por quase 6 dias. Logo após 1 mês de vida do Tom em casa mais um susto, ele teve 3 paradas respiratórias sem sequelas, e assim passou mais 45 dias na UTI, nas mãos de um anjo chamado Dr. Elmo, médico neonatologista, na época chefe da UTI Pediátrica Neonatal, onde minha irmã trabalhava como enfermeira e experiência em bebes de extrema prematuridade.

Voltei para o Rio de Janeiro quando Tom tinha 3 meses, retomei meu relacionamento com o pai das crianças, Helena voltou às mãos do Dr. Jair, que após todos meus relatos fez o diagnóstico de Autismo, e nesta época, não fazia a menor ideia do que significava. Após receber todas as informações me tranquilizei, em saber que ela já recebia desde 1 ano e 3 meses as estimulações indicadas para o TEA, por conta da Hipoplasia Cerebelar. Apesar de tranquila quanto o tratamento, é claro que passei por dúvidas, anseios, medo, desespero, falta de recursos financeiros e minha Mãe, foi determinante para manter-me firme e forte sempre, bem como o pai das crianças que trabalhou muito para suprir todas as necessidades de nossos filhos e as minhas na busca por informações e formações.

Após todos estes sustos e tantas informações recebidas, sem ao menos sequer ter tempo para pensar em enfraquecer ou desistir, foi que então finalmente chegamos às mãos de Vera Lúcia Mattos e Ediusa Araújo, e essa história de amor e dedicação com essa equipe eu deixo para contar a vocês na próxima colunas, posso adiantar que por conta delas, minha relação de amor com meus filhos e com todos a minha volta, intensificou–se muito.

Um grande beijo e até a próxima.


A coluna da Ana Paula Chacur é publicada quinzenalmente, às segundas.