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domingo, 10 de abril de 2016

COLUNA DO DIA: Dia Mundial da Voz



O 16 de abril é o Dia Mundial da Voz; o dia para a conscientização e Campanha Nacional do uso da Voz.

Uma pergunta muito comum é: 
Rouquidão persistente é normal? NÃO.

O Brasil é um  dos países do mundo, com maior ocorrência de câncer de laringe, geralmente ocasionado pelo fumo ou álcool; e existem grandes possibilidades de cura quando diagnosticados logo no início.

Se um dos sintomas abaixo persistir, por mais de 15 dias, procure um especialista:
   Cansaço e ou esforço para falar;
   Necessidade de raspar a garganta constantemente;
   Perceber a voz sumindo ou falhando;
   Engasgar muito durante a alimentação;
 Rouquidão pode ser o 1º sintoma; 
Portanto, seguem algumas dicas para você tornar-se amigo da sua voz; 
   Beba 2 litros de água por dia.
   Durma bem.
   Use vestuário confortável.
   Fale sem esforço e articule bem as palavras.
   Falar devagar e com boa dicção, melhora a compreensão mensagem e diminui o esforço para falar.
   Evite pigarrear, gritar e dar gargalhadas exageradas. Evite o grito, este hábito machuca as pregas vocais.
   Mantenha uma boa postura corporal ao falar ou cantar. Cuidado ao cantar inadequadamente ou abusivamente.
   Tenha uma alimentação saudável rica em frutas e proteínas. Evite alimentação muito condimentada e frituras em excesso. Problemas gástricos podem prejudicar sua voz
   Evite ingerir álcool em excesso, bem como outras drogas. O fumo é MUITO prejudicial a sua voz.
   Cuidado com a automedicação, alguns remédios podem afetar a sua voz. Só use pastilhas para garganta com indicação médica.
   Maça é um excelente alimento, e contém pectina, uma substância adstringente, excelente para limpar as pregas vocais, antes e após um longo período de fala.
   Procure reduzir a quantidade de fala durante quadros gripais, crises alérgicas e período pré-menstrual
   Cuide das alergias com a ajuda de um médico.
   Evite falar por longos períodos, principalmente em ambientes ruidosos.
   Esteja atento aos primeiros sintomas de alteração vocal como cansaço. ardor ou dor ao falar, falhas na voz, mudança de tom, pigarro e rouquidão.
   Crianças podem ter problemas de voz.
   Pais, sejam exemplo de uma boa voz.
   O estresse prejudica sua voz.
   Evite falar alto demais, procure recursos para amplificar a voz. Sempre quando possível use o microfone.
   Profissionais da voz, professores, atores, telefonistas, atendentes, vendedores, advogados, cantores, operadores de telemarketing, pelo uso constante da voz, tem mais possibilidades de apresentarem problemas de voz. Lembre-se, rouquidão por mais de 15 dias, não é normal.  Procure um especialista.
   Seja você também, amigo da sua voz. No caso de problemas vocais, e perceber os primeiros sinais de alterações na sua voz, procure um fonoaudiólogo e um médico otorrinolaringologista.

Até a próxima!

Maria Paula Costa Raphael
CRFa 7364-RJ
Fonoaudióloga, Socioterapeuta,Sociopsicomotricista Ramain-Thiers, Docente da AVM  Faculdade Integrada, cursos de pós graduação (UCAM), Eventos em Educação presencial e on-line, Supervisora na Formação em Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers, Palestrante em eventos de educação e saúde.



segunda-feira, 21 de março de 2016

COLUNA DO DIA: A Síndrome de Down e a Psicomotricidade







Buscar informações sobre a Síndrome de Down sempre é muito importante, principalmente, se atualizando com profissionais diversos, escolas, livros, instituições, associações. Procurar sempre ficar por dentro do assunto, buscar soluções (elas existem), perceber que a família é a essência de tudo e acreditar acima de tudo nas coisas boas e não se ocupar somente de problemas. O diagnóstico não deve alterar o sentimento de amor e aceitação de um filho com Síndrome de Down. A família tem de procurar fortalecer este sentimento desde sempre.

           Fatores psicomotores como motricidades, lateralidade, tônus, esquema corporal, postura, dentre outros atuam na integração do SPH (Sistema Psicomotor Humano) e dessa forma a pessoa consegue desenvolver-se dentro dos padrões normais e de uma forma mais saudável, mesmo aqueles que precisam de uma atenção maior, com alguma necessidade especial, o desenvolvimento acontece. Podendo traçar um plano de intervenção mais apropriado, identificando problemas, padrões diferenciados fica muito mais adequado o trabalho psicomotor com a pessoa Síndrome de Down. A psicomotricidade pode ampliar a percepção sensorial e motora, prevenir possíveis complicações, oferecer meios para a obtenção de uma melhor qualidade de vida, dando uma nova perspectiva ao desenvolvimento. Ela surge para amenizar dificuldades psicomotoras e utiliza estratégias cognitivas para as aprendizagens. A Síndrome de Down possui características específicas em sua motricidade, item fundamental para o desenvolvimento do ser humano. Faz-se necessário uma avaliação motora para delinear um perfil psicomotor e assim destacar as potencialidades e dificuldades motoras e oferecer a oportunidade da Síndrome de Down ser acompanhada através de um programa adequado que deve levar em consideração trabalhos que envolvam atividades lúdicas, músicas, histórias, mímicas, dentre outras que venham a estimular a evolução dos aspectos psicomotores. Através da psicomotricidade cria-se possibilidades para todos poderem explorar os potenciais motores próprios, facilitando que outras habilidades sejam adquiridas. 

A criança com síndrome de Down possui o desenvolvimento psicomotor mais lento devido às próprias peculiares da enfermidade e pelos problemas associados, como alterações visuais, cardíacos congênitos e outros (LEFÈVRE, 1988).

          A alteração cromossômica, Trissomia 21, existente da Síndrome de Down  não impede que a pessoa Down tenha o desenvolvimento da inteligência comprometido. De certa forma, uma das coisas que possibilita seu desenvolvimento é a influência derivada do seu meio, influências ambientais e, especialmente relacionais. Esse meio é justamente um dos fatores que influenciará nas limitações para realização de algumas atividades e habilidades motoras, estimulando a parte motora, psicológica e afetiva. A pessoa com Síndrome de Down trabalhada com a psicomotricidade adquire capacidades cognitiva, afetiva, motora, intelectiva e afetiva e passa a ter como base de sustentação o seu próprio corpo. É importante que este trabalho vise a atenção, pois irá trabalhar a fixação e a mobilização nos outros, nos objetos, nas informações fornecidas, na expressão que ajudará em seu comportamento, temperamento e sociabilidade,  na memória para ajudar na dificuldade de organização, na correlação, na análise, no cálculo, no pensamento abstrato e na linguagem, focando as dificuldades respiratórias, perturbações fonéticas e de articulação e auditivas. Todas estas contribuições e aquisições ajudam a desmistificar o preconceito e exclusão a respeito das pessoas com essa síndrome. Pessoas que estimuladas desde o nascimento desenvolvem interesse e habilidades necessárias para a aquisição e evolução das funções cognitivas e motoras.

          A família tem um papel fundamental em todo este processo. Deve haver afeto, contato e vínculo. É de extrema importância para a aprendizagem, já que ela só acontece de forma adequada, quando o emocional da pessoa se encontra estabilizado. Um filho é um acontecimento na vida de uma família, especialmente dos pais e mães. São várias transformações, o recebimento de um novo membro, a fantasia de uma criança chegando. É uma mudança. De repente vem o diagnóstico que muda toda uma representação, a fantasia de que está gerando um filho dito “normal”, uma desconstrução, um desequilíbrio, o começo de períodos difíceis. Fatores emocionais são mais atuantes, principalmente relacionados à interação com seus bebês. O processo de adaptação é mais exigente, mas nunca será impossível. Entendam: “Meu filho nasceu Down, o que eu faço?” – “Seja mãe, seja pai”. É o que eles precisam.

Dia 21 de Março – Dia Mundial da Síndrome de Down  (2016)
          As pessoas com Síndrome de Down deixam lindas histórias expressas na alma, que mesmo a distância não muda o sentimento que sinto por elas. Amor, puro amor! Tudo é muito presente e é um mundo bonito e feito por pessoas lindas. Você que tem Síndrome de Down tira as fotos mais simples, mas são as mais lindas, porque revelam as pessoas que vocês são em cada momento e em um momento no tempo em que apenas o motivo daquele sorriso importa. Vocês não precisam mostrar que são pessoas lindas, tá? Deixem que as pessoas se tornem lindas diante de vocês.

Beijos e até a próxima!

Fátima Alves

Fonoaudióloga, Palestrante, Autora, e Consultora na área de Psicomotricidade, Inclusão e Educação; Sócio-terapeuta Ramain-Thiers, Psicomotricista titulada pela SBP. Mestre em Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente, UNIPLI. Docente da Pós-graduação da AVM Faculdade Integrada, FAMESP e IBMR Centro Universitário. Presidente da ABP, gestão 2008/2010. Conselheira da ABP. Autora dos livros da WAK Editora: “Psicomotricidade: corpo, ação e emoção”; “Inclusão: muitos olhares, vários caminhos e um grande desafio”; “Como aplicar a Psicomotricidade: uma atividade multidisciplinar com Amor e União”,  “Para Entender a Síndrome de Down” e “A Psicomotricidade e o Idoso: uma educação para a saúde”.



 
Referência Bibliográfica:
·         LEFÈVRE, B.H. (1985). Mongolismo – orientação para famílias. ALMED, 2ª Ed. SP.

domingo, 24 de janeiro de 2016

COLUNA DO DIA: Na volta as aulas a importância da Fonoaudiologia na Integração com Escola e a família




Início de ano. Chega o momento em que a família precisa realizar a difícil tarefa de adaptação escolar; e surge sempre aquela dúvida: 

“Será que eu criei meu filho dependente demais?".

O mais importante é a escolha certa da escola para o perfil de seu filho e entender que este momento inicial, é uma parceria entre a escola e a família, e esta precisa estar sempre atenta a qualquer alteração e manter comunicação diária com os professores e a equipe pedagógica.

Com o ingresso das crianças nas escolas cada vez mais cedo, há uma abertura de espaço significativa do dia para atuação da mulher no mercado de trabalho e sua importante participação na renda familiar. As mães, muitas vezes, e por causa disso, preferem optar pela escola ou creche, a deixar a criança em casa com um familiar ou babá. Neste sentido, a escola consegue desempenhar papel importante no desenvolvimento harmonioso e pleno dessas crianças.

Baseado nisso, num primeiro momento, a escola deve ter um aconchego semelhante ao lar, ter um ensino adequado à faixa etária da criança e ter uma equipe multidisciplinar participativa nas áreas da psicopedagogia, psicologia, fonoaudiologia e psicomotricidade.

No caso da fonoaudiologia, o profissional deverá realizar um trabalho paralelo e deve ser apresentada à escola como um trabalho preventivo e de parceria. Ou seja, no processo de adaptação e de aprendizagem, é fundamental o acompanhamento e a observação do desenvolvimento da linguagem, da fala, da audição e do desenvolvimento psicomotor da criança.

 Estudos comprovam que hoje fundamentos da linguagem surgem ainda em um estágio fetal, onde a criança inicia seu desenvolvimento da linguagem desde o reconhecimento de vozes masculinas ou femininas formando assim o início da linguagem mais primária que o ser humano possui; a linguagem não verbal.

 Uma vez observada qualquer alteração precocemente, desde a mais tenra idade, é possívél detectar e evitar futuros problemas na aprendizagem que possivelmente apareceriam na classe de alfabetização. E essa observação não necessáriamente será observada com o início da linguagem verbal, que começam a surgir com os balbucios e mais intencionalmente por volta dos 10/18 meses. Portanto, muitas vezes somente com o início da fase verbal, é que os familiares percebem algum atraso ou alteração na criança, enquanto que podemos observar precocemente possivéis alterações ainda no estágio da linguagem não-verbal, tais como a surdez, o autismo, ou qualquer outra alteração que venha a prejudicar seu desempenho no cotidiano, ou na qualidade de uma melhor aprendizagem.

 Uma estimulação realizada precocemente, poderá evitar muitos prejuízos e atrasos futuros, pois quanto mais cedo se trabalha, mais rápido obteremos resultado.

 A alternativa de se evitar a dificuldade, pela prevenção, precisa ser conscientizada, principalmente a partir do entendimento de que a ajuda de um fonoaudiólogo é muito importante, assim como o acompanhamento dos demais profissionais.

Nós precisamos quebrar o mito da “terapia” e encarar a fonoaudiologia como um trabalho integrado e acolhedor, estabelecendo um canal de comunicação entre criança-terapeuta-família-escola. Um trabalho que sempre visa um resultado rápido e satisfatório, e, em cuja interação, favorecerá a educação da criança. Por conseguinte, a escola poderá alcançar sua proposta pedagógica definida com excelente qualidade.

Embora ninguém afirme que isso seja tarefa fácil, aplicar essa estratégia no dia-a-dia talvez não transforme a instituição numa escola dos sonhos, mas certamente trará resultados positivos sob todos os aspectos onde todos sairão ganhando com isso.

Até a próxima!

Maria Paula Costa Raphael
CRFa 7364-RJ
Fonoaudióloga, Socioterapeuta,Sociopsicomotricista Ramain-Thiers, Docente da AVM  Faculdade Integrada, cursos de pós graduação (UCAM), Eventos em Educação presencial e on-line, Supervisora na Formação em Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers, Palestrante em eventos de educação e saúde.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

COLUNA DO DIA: Aprendizagem e seus possíveis adjacentes



Estamos em um tempo em que o pensamento sempre se volta para um conceito / atitude: aprendizagem, resultado final de imersões variadas, contínuas e complexas em um número infinito de informações cujo foco favorece a mudança dos comportamentos cognitivo, afetivo e físico.

No território da educação, isto é uma constante. E por isso, de tempos em tempos, surgem ideias compreendidas como inovadoras, principalmente, das práticas de ensino (metodologias). Porém uma pergunta sempre surge: como estimular a vontade de aprender, mesmo em situações de vulnerabilidade?; ou, em ambientes violentos?; ou, ainda, em mentes com baixa autoestima? Superficialmente podemos responder: difícil diante da crise social e econômica do país; difícil diante da rápida desvalorização da profissão docente; difícil diante da falta de perspectiva real observada na mentalidade dos discentes inseridos em comunidades, às vezes, de precariedades extremas. E de tão difícil, repensamos o conceito de ‘líquido’[1] trazido por Baumann. E de tão difícil, voltamo-nos para a biologia do cérebro e sua complexidade neuronal.

Toda forma de pensar é representativa do conjunto de memórias genética e social que o cérebro assimila enquanto vivo. E justamente a memória social (aquela que compõe a inteligência / a ‘ecologia coletiva’ trabalhada por Pierre Levy) parece ser a fonte de uma intensa (e, às vezes, inconsciente) adaptação das potencialidades inatas aos sujeitos de maneira positiva ou negativa na relação com o cotidiano. Essa adaptação, por sua vez, torna-se ponto nevrálgico em que, no processo maturacional, se amalgama as aprendizagens.

Entendemos que ‘aprender’ é libertar das amarras; é inaugurar links para a imaginação e a criatividade, ainda que se utilizem ferramentas cognitivas comuns; e é desenvolvida por atitudes inovadoras que proponham, segundo Johnson (2011, p.41) “centelhas, lampejos, sopros, iluminações, estalos em nossa mente”.

Para aprender é preciso desatenção das rotinas cognitivas e reorganização das redes de neurônios, “uns em sincronia com os outros, pela primeira vez, em nosso cérebro” (p.41). Para o senso comum, então, à aprendizagem é necessário sair da rotina emocional, e assim “explorar o possível adjacente de conexões que possam ser estabelecidas em nossa mente” (p.41). O outro é fundamental: somos sociais sempre.

Nas aprendizagens cotidianas e escolares, há um enxame de iluminações “capazes de estabelecer conexões complexas uns com os outros” (p.42). Os estudantes têm expectativas. Mesmo àqueles que demonstram comportamentos disfuncionais, as expectativas de estar diante de algo diferente e aprender, permanece; logo, é importante que repensemos (nós, os professores) nossas maneiras de apresentar os conteúdos e, assim, fortalecer a rede de aprendizagem necessária à liberação, por exemplo, da imaginação e da autonomia; e mesmo, necessária ao desenvolvimento qualitativo de funções executivas[2].

Ainda que saibamos que o cérebro é plástico, a qualidade desta neuroplasticidade exige que estimulemos, com frequência e intensidade, novas configurações às redes de neurônios com metodologias / práticas desafiantes, contextuais, proativas e libertárias. “Uma rede densa que não consegue formar novos padrões é, por definição, incapaz de mudar, de investigar nas bordas do possível adjacente” (p.42).

Práticas pedagógicas com recursos inovadores ou renovados trazem a ‘sensação de novidade que torna a experiência [de aprender] tão mágica’, além de inaugurar novas correspondências nas células do cérebro, trazendo a percepção de que, por exemplo, os sonhos mais guardados tem real possibilidade de serem realizados.

Práticas pedagógicas envolvendo diferentes tecnologias / técnicas, variadas manifestações artísticas e outros movimentos de corpo recriam “um conjunto inteiramente novo de neurônios” (2011, p.42) cujo processamento transforma a ação dos sentidos junto à realidade e, por consequência, afetos, cognições e atitudes: comportamentos em geral de um ser afetado integralmente pelo novo. Para Johnson, “as conexões são a chave da sabedoria (...) logo o que importa em nossa mente não é só o número de neurônios, mas a miríade de conexões que se formam entre elas”, quando diante de atividades diferenciadas, desafiantes e significativas (p.42).

Nós, professores, devemos criar uma rotina de mudanças pedagógicas tendo em vista que estaremos sempre diante de mentalidades diferentes; são outros conjuntos de neurônios, eletroquimicamente, ativos e ávidos por se experimentar e se experienciar, nas diferentes configurações de realidade a que tiverem a chance de imergir.

Só que Johnson (2011) nos pergunta: “como impelir estes cérebros para redes mais criativas”; no caso da escola, mais equilibradas e atencionais; e, ainda, no caso da sociedade, mais producentes e funcionais?

Uma primeira resposta, segundo Johnson (2011, p.43) seria “maravilhosamente fractal: para tornar nossa mente mais inovadora, temos que inseri-la em ambientes que compartilhem daquele mesmo tipo característico de rede; isto é, em rede de ideias ou pessoas que imitem as redes neurais de uma mente que explora os limites do possível adjacente”.

Outra resposta pode estabelecer-se na introdução da percepção de que a atividade pedagógica oferecida é uma aventura, uma competição regrada, um jogo, com necessidade de associações (grupo), a partir de / através da realidade (informações conhecidas), de forma a se criar / desenvolver soluções/ resultados possíveis.

Como todos os alunos são capazes de aprender, todos são potencialmente capazes de criar novas conexões, de serem geradores de novas relações e de reorganizarem o ambiente escolar realçando suas formas de pensar / agir / sentir, se a eles forem liberadas ferramentas cognitivas coerentes, ou seja, se puderem ‘manejar’ seus ‘aprenderes’ em colaboração com as informações escolares, a partir:

ð  do aprender a partir de;
ð  do aprender acerca de;
ð  do aprender através de;
ð  e, principalmente, do aprender com[3].

Há uma energia armazenada e pronta para ‘acontecer’ e fertilizar nossa sala de aula de inovação, criatividade e afeto. De acordo com Johnson (2011, p.45/46), esta é a reflexão do “poder combinatório do átomo de carbono”. Mas, atenção professor: ‘sem um meio que lhe permita [o aluno] colidir ao acaso com outros elementos, suas capacidades conectivas serão provavelmente desperdiçadas’. Ou seja, o desafio, a proatividade e a colaboração são mesmo as chaves mais interessantes para o desenvolvimento da aprendizagem porque são chaves ‘atitudinais’ que trazem a surpresa da possibilidade de SER diferente para o cenário da mente discente e da dinâmica da sala de aula.
Será que videoclipes de hip-hop podem ser introduzidos para ensinarmos elementos da comunicação, figuras de linguagem ou gêneros textuais? Será que dinâmicas de grupo podem ser recursos didáticos em que se vivenciem características literárias, raciocínio lógico, expressão corporal e assim introduzir o equilíbrio emocional? Será que jogos, como damas, bingo, xadrez, ou de memória podem favorecer mudanças de comportamento ou o entendimento de conteúdos de física, matemática e até geografia? Será que passeios pela comunidade ou pela própria escola podem se justificar através de relatórios, maquetes, pinturas, desenhos, murais imagéticos, o aprendizado de história, artes, língua portuguesa? Será que a criação de vídeos temáticos pode ajudar nos conteúdos de química, interpretação de texto, lógica, leitura? Será que não fazer nada, só ouvir música e conversar, ou meditar e aprender a respirar, vez por outra, é tão improdutivo assim? Vamos nos repensar, professor, o mundo mudou seriamente e seus alunos tem outro movimento de realidade em seus sentidos.

‘Quando voltamos nossos olhos para o mecanismo original de inovação na Terra, encontramos duas propriedades essenciais. Primeiro, uma capacidade de estabelecer novas conexões com o maior número possível de outros elementos. Segundo, um ambiente ‘randomizante’, que estimula colisões entre todos os elementos do sistema’ (JOHNSON, 2011, p.46).

Essa citação nos faz pensar o seguinte: em sala de aula, há cérebros solventes e fluidos se reorganizando sempre por combinação de estímulos e os selecionando em conexões de interesses, e estes mudam de acordo com as faixas etárias (adaptações estáveis) e a vivência de outros estímulos (necessidades e desejos). Nós, professores, somos responsáveis, então por esta organização e auto-organização quando respeitamos as formas de aprender, entendemos um pouco sobre o sistema nervoso humano e, a partir disso, requalificamos nossas práticas.

Metaforicamente e, como o cientista da computação Christopher Langton (apud JOHNSON, 2011, p.47) afirma, para descrever a qualidade dessa prática, pense no comportamento de moléculas em cada um dos três estados da matéria: gasoso, líquido e sólido:


Fator científico
Fator educacional
Na forma de gás
O caos impera; novas configurações são possíveis, mas a todo instante são rompidas e despedaçadas pela natureza volátil do ambiente.
Na sala de aula: indisciplina, desinteresse, baixa autoestima, falta de afeto, desrespeito entre os atores educacionais etc.
Na forma sólida
Acontece o contrário: os padrões têm estabilidade, mas são incapazes de mudanças.
Na escola: práticas engessadas, repetição de práticas de sucesso, estigmatizações, grande burocracia, falta de flexibilidade, manutenção dos paradigmas tradicionais etc.
Na forma líquida
Cria-se um ambiente mais promissor para o sistema explorar o possível adjacente. Novas configurações podem emergir por meio de conexões aleatórias formadas entre as moléculas, mas o sistema não é tão instável a ponto de destruir num instante as próprias criações.
Na sala de aula e na escola: mais independência, autonomia, prazer, colaboração, compreensão, diálogo, afeto, respeito, integração entre todos.


A questão do conceito do ‘liquido’ tem uma versão positiva quando empreendemos densidade às células glias, à bainha de mielina, às redes neuronais ilustrando o ambiente escolar com imagens e movimentos significativos para os estudantes e fortalecemos as interconexões para a exploração de novos padrões em consonância com a preservação das “estruturas úteis por longos períodos de tempo” (p.47). Não fugiremos da construção de padrões, mas precisamos vivenciar novidades para recriar ou reintroduzir novos sentidos / movimentos às nossas memórias de procedimento e de longa duração.

Profa Claudia Nunes

Referencia:
JOHNSON, Steven. Rede líquida. In. De onde vêm as boas ideias. Rio de Janeiro: Zahar, 2011, p.41-59.





[1] Bauman apresenta o conceito de ‘modernidade líquida’ como volátil, incerta e insegura; acreditamos que, por isso mesmo, as potencialidades aprendentes possam ser provocadas à ascensão no real como comportamentos cognitivos mais criativos e flexíveis quando se deparam com ensinagens significativas. É o princípio da neuroplasticidade, processo constante de adaptação do sistema nervoso; e da criação da memória de longo prazo.
[2] Habilidades cognitivas que nos permitem controlar e regular nossos pensamentos, nossas emoções e nossas ações diante dos conflitos ou das distrações. Estas habilidades estão concentradas em três grandes panoramas: autocontrole, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. Fonte: www.enciclopedia-crianca.com/funcoes-executivas
[3] Ferramentas cognitivas ou mindtools são todas as tecnologias ou aplicações que, numa perspectiva construtivista da aprendizagem, facilitam o pensamento crítico, permitem uma aprendizagem significativa e envolvem ativamente os alunos: na construção do conhecimento, na conversação, na atitude, na colaboração e na reflexão. Fonte: http://ferramentascognitivas.blogspot.com.br/2002_09_22_archive.html

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

COLUNA DO DIA: Você sabe o que um Fonoaudiólogo faz?







No próximo dia 09 de dezembro comemora-se o dia do Fonoaudiólogo. Com a aproximação da data é importante definir e esclarecer as funções e os campos de atuação de um Fonoaudiólogo.

O fonoaudiólogo é um profissional de SAÚDE, com graduação plena em Fonoaudiologia. Ele atua de forma autônoma e independente nos setores público e privado. É responsável pela promoção da saúde; prevenção; avaliação e diagnóstico; orientação; terapia (habilitação e reabilitação); e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos da função auditiva periférica e central, da função vestibular, da linguagem oral e escrita, da voz, da fluência, da articulação da fala e dos sistemas miofuncional, orofacial, cervical e de deglutição. Além disso, de acordo com o Conselho Regional Fonoaudiologia ele exerce também atividades de ensino, pesquisa e administrativas. 

Os exercícios fonoaudiológicos melhoram a forma de mastigar, engolir e até a sua respiração. De outra forma, problemas como trocar letras, presença de língua presa e respiração oral são os motivos que, geralmente, levam os pacientes ao fonoaudiólogo. Mas há outros motivos que justificam uma consulta. e situações que possam levar a procura deste profissional.

Atualmente, onze especialidades são reconhecidas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, e são elas; Linguagem, Motricidade Orofacial, Saúde Coletiva, Voz, Disfagia, Fonoaudiologia Educacional., Gerontologia. Fonoaudiologia Neurofuncional. Fonoaudiologia do Trabalho, Neuropsicologia

Entenda um pouco cada uma delas:

I – Audiologia: O fonoaudiólogo é o profissional responsável por realizar a avaliação audiológica através dos seguintes exames: audiometria tonal liminar, medidas de imitância acústica, emissões otoacústicas, avaliação comportamental, potenciais auditivos evocados, avaliação vestibular e avaliação do processamento auditivo. Ele realiza também a reabilitação auditiva através da seleção, indicação e adaptação de aparelhos auditivos, programação do implante coclear e reabilitação vestibular.

II – Linguagem: O fonoaudiólogo é o profissional habilitado a avaliar e tratar os aspectos relacionados à aquisição, desenvolvimento e distúrbios da linguagem oral e escrita, tais como: desvios fonológicos, gagueira, dislexia, afasias, etc.

III - Motricidade Orofacial: O fonoaudiólogo está habilitado a trabalhar a musculatura da face, da boca e da língua. Nesta área, a atuação pode ter objetivos terapêuticos, no tratamento de problemas relacionados à sucção, mastigação, deglutição, respiração e fala.
IV - Saúde Coletiva: É um campo da Fonoaudiologia voltado a construir estratégias de planejamento e gestão em saúde, no campo fonoaudiológico, com vistas a intervir nas políticas públicas, bem como atuar na atenção à saúde, nas esferas de promoção, prevenção, educação e intervenção, a partir do diagnóstico de grupos populacionais.
V – Voz: O fonoaudiólogo atua na prevenção, avaliação e tratamento dos distúrbios vocais, na promoção da saúde vocal, e no aperfeiçoamento e estética vocal, principalmente dos profissionais da voz, como cantores, atores, professores, locutores, telefonistas, etc.

VI – Disfagia: O fonoaudiólogo é o profissional legalmente habilitado para realizar a avaliação, diagnóstico e tratamento fonoaudiológicos das disfagias orofaríngeas, Elaborar e conduzir os procedimentos relativos à oferta da dieta, manobras compensatórias e técnicas posturais durante o exame de videoendoscopia da deglutição ou videofluoroscopia da deglutição, realizar análise e laudo funcional da deglutição orofaríngea, orientar a equipe de saúde para a identificação de indivíduos com risco para   disfagia e no encaminhamento para avaliação fonoaudiológica. Existem vários procedimentos a serem adotados por este profissional, dentre eles, avaliar, classificar e fazer o diagnóstico funcional da sucção, mastigação e deglutição; utilizando, entre outros, instrumentos padronizados e buscando identificar a fisiopatologia deste processo.

VII - Fonoaudiologia Educacional: o objeto do trabalho fonoaudiológico em escolas deve estar voltado à promoção, aprimoramento e prevenção de alterações relacionadas à audição, linguagem (oral e escrita), motricidade oral e voz, visando favorecer e otimizar o processo de ensino e aprendizagem. Também deve participar da Equipe de Orientação e Planejamento Escolar, inserindo aspectos preventivos ligados a assuntos fonoaudiológicos.

VIII – Gerontologia: A Fonoaudiologia no Brasil vem pesquisando a linguagem do indivíduo idoso nos casos de afasias e das demências senis, e também são realizados estudos para compreender e minimizar as consequências da presbiacusia (perda auditiva decorrente do envelhecimento) e da presbifonia (alteração da voz) na comunicação. Quanto ao fonoaudiólogo, este contribuirá no tratamento das alterações de linguagem sobre os déficits cognitivos e linguísticos, sobre as desordens da fala quanto à forma e função dos órgãos fonoarticulatórios e sobre os distúrbios do sistema estomatognático (sucção, mastigação e deglutição), resgatando a qualidade física, comunicativa e social do indivíduo.

IX - Fonoaudiologia Neurofuncional: Atuação fonoaudiológica para o exercício de uma prática aplicada a indivíduos portadores de distúrbios da comunicação humana de origem neurológica.

X - Fonoaudiologia do Trabalho: A atuação fonoaudiológica em empresas pode ser fundamental na elaboração de programas de prevenção das perdas auditivas e de saúde vocal, principalmente, em trabalhadores expostos a ruídos e produtos químicos, reforçando a necessidade de que as empresas cumpram as legislações trabalhistas.

XI – Neuropsicologia: O fonoaudiólogo, especialista em neuropsicologia, está apto a prevenir, avaliar, tratar e gerenciar os distúrbios que afetam a comunicação humana e sua interface com a cognição, relacionando- a com o funcionamento cerebral; atuar junto a indivíduos com queixas comunicativas e cognitivas, assim como àqueles que apresentam quaisquer alterações neuropsicológicas associadas a quadros neurológicos, psiquiátricos, neuropsiquiátricos e desenvolvimentais que afetam a comunicação; orientar o cliente, os familiares, os cuidadores, os educadores e a equipe multidisciplinar; emitir parecer, laudo, relatório, declaração e atestado fonoaudiológicos; desenvolver ações voltadas à assessoria e à consultoria fonoaudiológica; dentre outras atividades. (confira a íntegra da Resolução CFF n° 466/2015.)

Onde o Fonoaudiólogo pode atuar?
Consultórios, clínicas, hospitais, creches, escolas, prefeituras, veículos de comunicação, indústrias, centros auditivos, empresas de telemarketing, e em programas de saúde coletiva e de saúde mental.

E agora um depoimento pessoal:

Ouso dizer, como licença poética, que é preciso, além de muito estudo, agir com muito amor, quando objetivamos a qualidade de vida de uma pessoa. Antes de tudo, nossas escolhas profissionais se voltam para o bem estar da relação com as palavras, com a escrita, com o corpo, pois sou, somos e seremos eternamente a firmeza da nossa voz e o brilho do nosso olhar de muitas pessoas.

Até a próxima, e um abraço especial a todos os colegas fonoaudiólogos.

CRFa 7364-RJ
Fonoaudióloga, Sociopsicomotricista Ramain-Thiers, Docente da AVM  Faculdade Integrada, cursos de pós graduação (UCAM), Eventos em Educação presencial e on-line, Supervisora na Formação em Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers, Palestrante em eventos de educação e saúde.

Fonte: Conselho Federal de Fonoaudiologia