Mostrando postagens com marcador comunicação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comunicação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Como a “LEGO Terapia” pode ajudar crianças com deficiência

por Ana Leite
lego

LEGO agora é coisa séria!!  Vários estudos educacionais e médicos no Reino Unido e nos EUA constataram que grupos que usaram Legos como recurso ajudaram a desenvolver e reforçar as habilidades de jogo e habilidades sociais.

Dentre os benefícios da “LEGOterapia” estão:
- Comunicação verbal e não -verbal
- Atenção
- Concentração
- Partilha e troca
- Resolução de problemas compartilhada

Como funciona “LEGOterapia”?
Prédio de peças de Lego é uma experiência multisensorial, de forma que os projetos de construção podem ser adaptados às necessidades específicas de qualquer pessoa, tais como àquelas com cegueira, surdez, deficiência de mobilidade, autismo ou TDAH. Mas o modelo para a maioria dos programas de terapia Lego é o mesmo e consiste em:

1 . Definir as regras básicas: os participantes sugerem e acordam regras simples e que todos entendam. O grupo concorda e trabalha em um projeto que não é muito fácil e também não é muito difícil. As regras são postados como um lembrete.

2 . Funções atribuídas: cada participante recebe um papel, e os papéis são alternados com os outros membros do grupo durante a tarefa. Dentre as funções, temos:
Engenheiro – supervisiona o projeto e garante que ele é seguido
Construtor – coloca os tijolos juntos
Fornecedor – mantém o controle da quantidade, do tipo e da cor dos tijolos que são necessários e repassa os tijolos para o construtor
Facilitador do grupo – garante que a equipe está trabalhando em conjunto e comunicar

3. Siga os princípios. A Terapia com Lego tem um maior benefício a longo prazo quando se incorpora alguns fundamentos:
- Ter de um tempo dedicado e um espaço para a atividade
- Usar a comunicação não-verbal, tanto quanto possível
- Usar a linguagem declarativa em vez de comandos ou perguntas
- Planejar os passos da atividade
- Incentivar a colaboração
Se isso parece muito ambicioso, comece com apenas um ou dois elementos e vá gradualmente expandindo. A grande coisa sobre Legos é que você pode começar do zero a qualquer momento.

4 . Papel de facilitadores adultos
Emoções podem ser intensificadas durante um projeto Lego. Há geralmente uma pessoa que insiste em fazer as coisas da maneira “correta”, e uma outra pessoa que gosta de experimentar coisas várias maneiras diferentes só para ver como cada um olha. Um facilitador adulto pode facilitar interações positivas, sugerir compromissos, fornecer instruções conforme necessário e manter o grupo na tarefa.

5. Tenha mais ideias
Existem vários aplicativos gratuitos que permitem a construção virtual e até o aprimoramento de ideias.

- O LEGO App4+é um  app para Android.
Bricks & More é um aplicativo para o iPhone , iPad e Android , apropriado para as idades de 4 anos e acima.
Lego Digital Designer é um aplicativo para as idades de 5 e para cima, e os usuários podem compartilhar suas criações no site da Lego . É uma ótima introdução ao desenho assistido por computador .
Master Builder Academy ( MBA) é um programa de treinamento online para os construtores avançados!!

big-lego-pile

E você já utilizou o LEGO sabendo de tudo isso? Se não, tá na hora de pesquisar e mergulhar nesse universo!

Fonte: Reab.me

Estudo comprova que tablets melhoram as capacidades verbais de crianças com Autismo

6816581064_31a571e64e_z

Estima-se que cerca de 30% das crianças com Autismo não desenvolvem fluência para poder ter uma interação verbal funcional em aspectos sociais complexos. Devido a este aspecto, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), dirigido por Connie Kasari, realizou um estudo de três anos com o objetivo de descobrir se o uso de tablets  potencializava o desenvolvimento da linguagem verbal e como consequência, melhorava a interação social.

O estudo incluiu 61 crianças com Autismo com idades entre 5 e 8 anos. Durante seis meses, cada criança recebeu terapia objetivando a comunicação em uma finalidade social, estimulando a interação por meio do desenvolvimento de jogos. Metade das crianças, também selecionadas aleatoriamente, receberam apoio através de um tablet. Os pesquisadores descobriram que as crianças que usaram tablets eram mais propensas a usar a linguagem espontaneamente desenvolvendo mais habilidades sociais do que as crianças que não usaram. Em ambos os grupos a metodologia foi a mesma, com exceção da introdução ao dispositivo tecnológico.

“Foi notável o quão bem o tablet funcionou para melhorar o acesso à comunicação para essas crianças”, disse Kasari, professor de desenvolvimento humano e psicologia na Faculdade de Educação da UCLA e professora de psiquiatria da UCLA Instituto Semel para Neurociência e Comportamento Humano. “As crianças que receberam a intervenção comportamental com o tablet para apoiar as suas tentativas de comunicação têm avançado muito mais rápido para aprender a se comunicar, e em particular quanto ao uso da linguagem falada.”

Obviamente, o simples uso do tablet por a criança não garante o aprendizado por si só, para resultados como este exige-se uma metodologia que incentive a comunicação verbal e também a interação social. O tablet é apenas uma ferramenta, embora muito poderosa pelo feedback e estimulação visual e auditiva gerada,  e é através desse interesse e atenção que este dispositivo desperta, que existe a potencialidade para usá-lo uma grande ferramenta.

Quem se interessou pelo assunto e quer detalhes, eis a referência:
Connie Kasari, Ann Kaiser, Kelly Goods, Jennifer Nietfeld, Pamela Mathy, Rebecca Landa, Susan Murphy, Daniel Almirall.Communication Interventions for Minimally Verbal Children With Autism: A Sequential Multiple Assignment Randomized TrialJournal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 2014; 53 (6): 635 DOI:10.1016/j.jaac.2014.01.019

Imagem: ebayink

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ginástica artística transforma vida de crianças autistas

Ginástica para autistas: Gustavo e 'tio' Rodrigo se divertem nas argolas
Ginástica para autistas: Gustavo e 'tio' Rodrigo se divertem nas argolas -
Marcos Michael

 
Atividade aprimora comunicação e coordenação motora e ajuda famílias a adaptar jovens ao convívio social com autonomia.
 
 
Há menos de um ano, Luciana Nascimento da Silva Medeiros se queixava da falta de carinho do filho, Gustavo. Era difícil para ela, admite, entrar no universo da criança, que nunca deixava o que estava fazendo para dedicar atenção à mãe. Então com 2 anos de idade, ele não falava e parecia desconectado do mundo externo. Da família e dos amigos, Luciana ouvia que devia ter paciência, "pois cada criança tem seu tempo". Uma reportagem de TV escancarou a realidade. "A matéria mostrava crianças autistas. E eu vi que elas tinham as mesmas características do meu filho". A primeira reação foi trancar-se no quarto e chorar. Mas logo percebeu que precisaria reagir e ajudar o filho a enfrentar os desafios impostos pelo autismo - transtorno no neurodesenvolvimento que atinge uma em cada 88 pessoas no mundo.
 
A busca por formas de se aproximar de Gustavo levaram Luciana ao professor Rodrigo Brivio, que desde 2006 dá aulas de ginástica artística a crianças e adolescentes com autismo. Antes mesmo de completar 3 anos, Gustavo tornou-se um dos caçulas das turmas, que hoje tem cerca de 80 alunos. Foi um alento. "As principais mudanças são em comandos simples, aos quais ele não obedecia antes, como calçar o sapato", conta Luciana. A autonomia é um dos focos da aula do "tio" Rodrigo, como gosta de ser chamado pelas famílias dos alunos. "A aula começa antes de entrarmos no ginásio, quando a criança tira e guarda sozinha o sapato. Como a maioria, Gustavo só não fazia isso antes porque não era estimulado. Se você tem alguém que faça tudo, não vai se esforçar, seja criança ou adulto", diz o educador.
 
Durante a atividade, Gustavo sabe que depois de ouvir "um, dois, três", o "já" indica o momento de soltar as argolas para se jogar no colchão macio. Saber cumprir ordens também é importante. Veterana, a colega Helena, de 8 anos, anda pela barra de equilíbrio com a naturalidade de quem brinca nas costas do sofá de casa. Parece distraída. Mas quando chega ao final, aguarda a permissão para saltar. "Isso é uma superação. A ginástica é a atividade que me permite mostrar para todos: 'Olha como minha filha é capaz'", orgulha-se Valéria Mousinho Marques Fernandes, que leva a filha às aulas há três anos. Apesar das habilidades que a menina desenvolve, foi na comunicação verbal a maior mudança percebida pela família. "A primeira coisa que me impactou foi vê-la contar e pedir ajuda. Uma grande conquista."
 
Nada é forçado. As crianças aprendem de forma natural, como numa brincadeira. Não há vagas para novos alunos, simplesmente porque quem chega se recusa a sair – a faixa etária dos alunos hoje vai dos 2 aos 17 anos. Um dos motivos é a evolução progressiva, mas também a falta de profissionais especializados para trabalhar com autistas. "Não existem muitos Rodrigos por aí", lamenta Luciana. Marisa Furia Silva, presidente da Associação Brasileira de Autismo (Abra), concorda que a escassez de mão de obra é um problema e elogia iniciativas como a do professor carioca. "Tudo o que se faz com essas crianças é muito importante. E o esporte é fundamental para o desenvolvimento delas", observa a mãe de Renato, autista de 34 anos.
 
Paciência é essencial para esses profissionais. E amor. Quando recebeu a reportagem de VEJA, Rodrigo ainda exibia as marcas de arranhões no braço de um aluno do dia anterior. "Não adianta dizer que o trabalho é só maravilha. Não é. Mas gosto muito do que eu faço. Vejo que através do carinho, de um abraço, a gente consegue muita coisa", ressalta o educador. "Sem demagogia, trato todos como se fossem meus filhos. Tenho uma carga muito grande de responsabilidade com essas famílias", afirma. Uma de suas missões, acredita ele, é ajudar os pais a preparar filhos autistas para a vida adulta. "Minha filha precisa estar pronta para quando eu e o pai dela não estivermos mais aqui", diz a mãe de Helena. 
 
Fonte: Revista Veja