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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Dia do amigo: vínculos na infância ajudam no desenvolvimento emocional

Turminha estuda junto desde o jardim e permanece unida mesmo após troca de escola Foto: Divulgação
Ana Paula Blower

É a família que escolhemos, são os que estão ao nosso lado na alegria e na tristeza e ficam bem guardadinhos no lado esquerdo do peito. No Dia Internacional do Amigo, celebrado nesta quinta-feira, confira os principais e os inúmeros benefícios, segundo especialistas, da amizade na infância: a companhia de alguém querido, por exemplo, ajuda a enfrentar etapas essenciais do crescimento.
De acordo com psicólogos, ter com quem compartilhar frustrações, alegrias, broncas e brincadeiras é fundamental para o desenvolvimento emocional e ensina a conviver e a respeitar as diferenças. Além disso, cultivar boas amizades quando criança faz com que no futuro se tenha mais facilidade para estabelecer vínculos afetivos.
— Beneficia por conta dos valores envolvidos na troca: éticos, afetivos, sociais. Se isso ocorre cedo, essas habilidades são exercitadas e criadas já na criança. Ela aprende a negociar, a ceder. Amadurecem à medida que aprendem com o outro — diz a psicóloga Paula Emerick, fundadora do Solace Institute.
Assim como na fase adulta e na velhice, amigos de infância se ajudam a passar pelas transformações naturais da vida, como uma simples mudança de colégio. Ver que o outro superou algo é um incentivo.
— Traz uma segurança emocional, que não está só na família — afirma Paula.
Se para adultos uma amizade de seis anos já pode ser sinal de confiança, imagine para crianças, que têm outra noção de tempo. Lucas Maia Neves, de 10 anos, mantém esse longo laço de afeto com amigos da escola desde o jardim de infância. Os pequenos não se desgrudam: jogam videogame, vão ao cinema...
— Como eu sou filho único, eles são tipo meus irmãos. Acho que vou ser amigo deles por muito tempo — resume o pequeno Lucas
A família que se escolhe para crescer junto
Para a psicóloga Renata Bento, é preciso valorizar esses vínculos na infância. Assim, são fortalecidas as capacidades de enxergar o outro e de se identificar. Ela ressalta que é importante que os pais tentem interferir o mínimo possível nessas relações.
— Para que eles possam criar alternativas, buscar saídas para ultrapassar as dificuldades encontradas na relação. Estarão aprendendo a lidar com alguém fora do círculo familiar — observa Renata.
Ainda entre os benefícios da troca entre os pequenos, está saber como é dividir e se posicionar diante do outro. Em uma conversa, que para elas pode parecer algo simples, as crianças vão crescendo juntas.
Depoimento: ‘Os amigos serão levados além da escola’
Daniele Maia é advogada, de 42 anos,e mãe de Lucas.
— Ele estuda no mesmo colégio desde os 4 anos. Criou ali um ciclo de amizade muito legal que se estendeu aos pais. Eles querem estar sempre juntos, fazem cursos, combinam de jogar um na casa do outro. Esse ano encerram o ciclo no colégio, mas percebemos que os amigos serão levados além da escola. Vão permanecer muito unidos — acredita Daniele.

Fonte: Jornal Extra


domingo, 15 de janeiro de 2017

Crianças que têm contato com música aprendem a ler e a escrever com mais facilidade


Pode ser no carro, na sala de aula ou na festa de aniversário. Ouvir música com as crianças é sempre uma delícia, certo? O contato precoce com este tipo de arte ainda é capaz de beneficiar o aprendizado do seu filho. Cantar e tocar instrumentos faz com que ele estimule áreas neuronais que serão trabalhadas futuramente em outras funções – como nos cálculos matemáticos ou na leitura de textos.

Tudo começa na fase de musicalização: de forma lúdica, sem ainda formalizar conhecimentos, a criança desenvolve a percepção auditiva. “Ela é capaz de distinguir um som agudo de um som grave. Se ouvir uma valsa e, em seguida, uma marcha, perceberá também a mudança de ritmo”, explica Margarete Kischi Diniz, coordenadora de música do Colégio Porto Seguro, na unidade Morumbi (SP). Essa percepção só é possível porque há um estímulo na região cerebral denominada córtex auditivo. Além disso, ouvir uma canção trabalha a coordenação motora, já que seu filho sentirá o ritmo e o reproduzirá com movimentos corporais – aqueles passos de dança que encantam a família.

Aos 6 anos, em geral, a escola passa a formalizar o ensino musical, apresentando técnicas para tocar instrumentos, notas musicais e partituras. E é justamente esse tipo de conhecimento que auxiliará o processo de alfabetização da criança. “Os princípios de aprender uma canção e de ler um texto são muito parecidos. É a transformação da língua falada em símbolos que precisam ser decodificados”, esclarece Antonio Carlos de Farias, neurologista do Hospital Pequeno Príncipe (PR). Compare: a partitura passa a ser o símbolo que traduz o som ouvido. A palavra escrita segue a mesma lógica, já que é uma representação no papel do que é ouvido nas conversas.

Essa relação foi também comprovada por um estudo recente organizado pela Northwestern University, nos Estados Unidos. Crianças de 9 a 10 anos foram divididas em dois grupos: o primeiro teve lições de música por dois anos e o segundo, nenhum contato escolar com a disciplina. Após o período, os cientistas descobriram que aquelas que aprenderam a cantar e a tocar instrumentos tiveram melhor desempenho em leitura e em escrita. Elas conseguiam distinguir sons com mais facilidade que as demais e não tinham dificuldade de concentração em ambientes agitados.

Além disso, a música é um excelente incentivo à linguagem, por auxiliar na aquisição de vocabulário. Até a interpretação de texto é beneficiada pelo contato com as canções. “A memória operacional se desenvolve e faz com que a criança escute uma música e preste atenção ao que está sendo cantado. Ela consegue absorver a mensagem e o sentimento transmitido. Esse mesmo processo é encontrado ao ler um livro, que exige a concentração para dar significado à história”, explica o neurologista. Acredite: até o aprendizado de matemática é auxiliado, considerando que os números são símbolos, assim como as notas musicais.
Em casa


De acordo com a lei nº 11.769, de 2008, a música deve ser conteúdo obrigatório na Educação Básica de todas as escolas brasileiras. O objetivo da exigência não é formar músicos, e sim desenvolver a sensibilidade e a integração dos alunos. Mas atenção: você também deve estimular o contato de seu filho com a música em casa.

Se a criança perceber que os pais valorizam este tipo de arte, também tenderão a apreciá-lo. Não adianta apresentar uma canção de forma artificial – a introdução precisa ser lúdica. Presenteá-la com um tamborzinho ou dançar junto com ela são formas criativas de iniciar o contato.

É importante que você tome certos cuidados: não coloque o som em um volume muito alto, já que a audição da criança ainda não está totalmente amadurecida. E coloque um ritmo compatível à faixa etária – um bebê preferirá algo calmo, como música clássica. O rock pesado pode esperar um pouquinho, certo?

Aproveite o momento de escutar música em família para enriquecer o repertório cultural do seu filho. Apresente a ele tanto compositores nacionais como internacionais, para que, aos poucos, ele desenvolva uma preferência pessoal. E mais: que tal, a cada faixa, contextualizar a obra? Diga em que época a canção foi criada, em que país ela se originou, como são os costumes daquele local. Será uma brincadeira divertida – e os resultados serão para a vida toda!

Fonte: Revista Crescer

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Entenda o que há de errado com a memória de Dory



P Sherman 42 Wallaby Way, Sydney, NSW. Se você assistiu ao filme Procurando Nemo, lançado pela Disney em 2003, é provável que conheça o endereço memorizado por Dory tão bem quanto o de sua própria casa. No filme, a peixinha azul sofre de perda de memória recente, mas se esforça e consegue guardar o endereço na Austrália, essencial para encontrar Nemo e resolver a trama.

No novo filme do estúdio, Procurando Dory, a peixinha é a protagonista, e parte oceano adentro em busca de seus pais após uma série flashbacks. “Dory tem amnésia anterógrada, ela não consegue registrar as coisas", explica Paulo Mattos, neurocientista do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR). "Isso acontece porque ela provavelmente teve uma hipóxia neonatal, ou seja, ela ficou sem oxigenação no cérebro quando saiu do ovo e sofreu uma lesão em uma região chamada hipocampo."

Há duas regiões no cérebro responsáveis por guardar memórias. Uma é o córtex. Ele é mais resistente, e lá ficam lembranças mais antigas e importantes. Outra é o hipocampo. “Essa é a memória operacional — em inglês, working memory —, que é equivalente à memória RAM do computador”, aponta Mattos. Ou seja, é a memória usada pelo nosso cérebro para interagir com pessoas e objetos.

Nada fica salvo nessa espécie de arquivo temporário. Já pensou se você se lembrasse de cada vez que foi ao banheiro na vida? A finalidade dessa memória é prática: permitir que você, por exemplo, se lembre de pegar o copo d’água em vez de esquecê-lo cheio no filtro e ir embora da cozinha com sede. E é lá que está o problema de Dory.

Toda a memória que está protegida pelo córtex já foi, um dia, uma memória de menor importância, que passou pelo hipocampo. É como se o cérebro analisasse o que fica armazenado nessa pasta de arquivos temporários e elegesse o que é mais relevante para ser guardado no HD. Se seu hipocampo esquece tudo rápido demais, não dá tempo de guardar nada. O resultado é que Dory não se lembra nem de sua infância, nem do que Marlin acabou de lhe dizer.

“O arquivo de memórias mais antigas, chamado córtex cerebral, é muito resistente. É por isso que pacientes de Alzheimer muitas vezes não sabem nem que dia é hoje, mas se lembram do que faziam na infância e do endereço da rua em que moravam”, afirma o médico. “Já os arquivos recentes ficam na região chamada hipocampo, que envelhece e adoece com mais facilidade.”

Uma pessoa que sofra uma parada cardiorrespiratória ou sobrevive a um afogamento também pode perder parte do hipocampo por falta de oxigênio. Mas o que já estava salvo no córtex fica lá. Ela só perderá os registros do que acontecer após o acidente.

Para o professor, a presença de uma personagem com deficiência cognitiva em uma animação é essencial para a sensibilização da sociedade em torno do tema. "É ótimo ter um personagem que fale abertamente sobre isso. Muitas pessoas têm problemas de memória, por várias causas diferentes", ressalta. Com o perdão do trocadilho, lembre disso. 

*Com supervisão de Isabela Moreira

Fonte: Revista Galileu

João Augusto Figueiró, médico: 'Afeto é alimento para o desenvolvimento cerebral'

"Nasci em Cachoeira do Sul (RS), mas saí de lá há 53 anos. Hoje tenho 65. Me formei na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e hoje trabalho na área técnica e científica do Instituto Zero a Seis, que fundei e presido. Meu trabalho é voltado ao desenvolvimento de soluções para a primeira infância e para o período gestacional."

Conte algo que não sei.
É fundamental investir na primeira infância. É o melhor investimento financeiro, porque garante a maior taxa de retorno. Esse é o resultado de 45 anos de trabalho do economista americano James Heckman, Prêmio Nobel de Economia, em 2000. Para a sociedade, a melhor coisa é investir em desenvolvimento de capital humano do início da vida até o sexto ano, porque aí você consegue maior impacto social e econômico. Os retornos são ainda maiores de 0 a 3 anos. O pesquisador e economista da Universidade Stanford Eric Hanuschek mostrou que 75% do PIB de uma nação resulta de investimentos nesses primeiros anos em processo educativos elementares, como linguagem, matemática, ciências. 

Como os pais podem contribuir para que esses primeiros meses e anos sejam bem aproveitados?
É preciso que saibam que o período de maior interconexão entre os neurônios ocorre nos primeiros 50 minutos de vida . Quanto mais precoce o período, mais importante ele é. Geralmente, as pessoas acham que crianças só têm necessidades quando entram na escola ou começam a falar. Não, porque até ali muita coisa já se construiu. Os primeiros mil dias, desde a concepção, são o período mais importante da construção da vida humana. Depois disso, fica muito difícil, muito caro e pouco eficiente tentar fazer mudanças.

O que é necessário para que uma criança evolua bem?
O cérebro é feito de comida em quantidade e qualidade adequadas. No Brasil, temos 51% das crianças de 0 a 4 anos vivendo sob insegurança alimentar. Essas crianças não têm massa cerebral se constituindo adequadamente. Os resultados estão aí no Brasil que a gente vê.

Qual a importância dos estímulos sensoriais e do afeto?
A criança, mesmo dentro do útero, precisa de estímulos adequados à faixa etária. Eles devem ser de natureza multissensorial. Quando você toca ou massageia uma criança e, ao mesmo tempo, fala com ela e põe um cheiro no ar, você estimula o sistema nervoso, que é a integração de várias áreas. Outra coisa extremamente importante é o convívio, o vínculo afetivo que os cuidadores estabelecem com a criança. Afeto é alimento para o desenvolvimento cerebral e para o desenvolvimento da empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro. A afetividade promove o desenvolvimento de valores morais e promove a evolução ética dos bebês, que se estabelecem nos primeiros 18 meses de vida.

No Brasil, o que dificulta um desenvolvimento infantil de qualidade? Dinheiro ou vontade?
Vontade. A infância é um período da vida humana no qual o individuo não tem voz ativa política e socialmente. Então há uma população de milhões de cidadãos cujos direitos são negligenciados há 516 anos. Esse processo tende a se perpetuar, porque até hoje nenhum governante se ocupou de concretamente executar aquilo que está na Constituição Federal. O artigo 227 diz que é dever da sociedade e do Estado assegurar com absoluta prioridade os direitos da criança. Isso é negligenciado por gestores de todos os âmbitos. 

Como dar um salto na qualidade da educação?
Falta na população em geral a consciência da relevância disso tudo que estamos falando. Como as pessoas não têm ideia de quão impactante isso é na vida de um país, a população também não cobra de maneira incisiva. Então, a informação é o primeiro passo. 

Fonte: Jornal O Globo

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Funções Cognitivas no Autismo





PERFIL COGNITIVO E NEUROPSICOLÓGICO NO AUTISMO

Perfil intelectual: no autismo, é a sua irregularidade. Normalmente, eles apresentam melhor desempenho em tarefas que exigem processos perceptivos, de memorização ou mecânicos e pode ser mais difícil em aqueles que exigem raciocínio, abstração e interpretação. 70% dos autistas apresentam algum grau de retardo mental

Memória: No geral, os estudos não apontam alterações nas memórias de curto prazo. A repetição das ações podem ser indicativo da memória particularmente da semântica, que está ligado ao significado e ao sentido. 

A atenção não apresenta um déficit generalizado e, na verdade, existe uma boa capacidade focada e sustentada permitindo-lhes realizar atividades de forma repetitiva.. Suas dificuldades são, sim, para atender os certos estímulos ambientais, para desligar-se deles e chamar a atenção para a base em requisitos exógenos. Alguns autores têm falado de dificuldades de atenção social, seletiva, que iria explicar o fracasso na atenção conjunta e a tendência de prestar mais atenção aos objetos do que as pessoas.

O desempenho perceptual é muitas vezes caracterizada por um nível de normal ou mesmo acima de processamento visual normal. Ainda assim, esse tratamento tem peculiaridades, pois ele tende a se concentrar nos detalhes do estímulo, para o detrimento da interpretação geral do mesmo.

A percepção sensorial é muitas vezes atípica, o que explica hipo ou hipersensibilidade de muitas dessas pessoas a certos estímulos. Em alguns casos, por exemplo, existe uma hipersensibilidade a certas frequências de som ou luz, resultando em estímulos aversivos, enquanto existem os Hipo ou insensibilidade à dor (automutilação - comportamentos prejudiciais). Esses padrões de percepção sensorial, também tem a ver com a rejeição de contato físico e a atração pelas estereotipias, que muitas vezes desempenham um papel importante na auto - estimulação/regulação.

Praxia É a capacidade de realizar atos intencionais, gestos complexos, voluntários, conscientes e envolve também o entendimento da ordem para fazê-lo ou a decisão de tomá-lo. 
No autismo: Crianças autistas mostram alterações e dispraxias motoras, entre elas estão: andar na ponta dos pés, marchar de forma irregular e apresentar estereotipias. Apresentam déficits na preparação e no planejamento da resposta motora. Uma outra grande dificuldade está relacionada a imitação. Crianças com autismo imitam menos e apresentam uma maior dificuldade na imitação corporal sem o uso de objetos. 

Linguagem: O prejuízo linguístico no autismo envolve problemas de comunicação não-verbal e verbal (fonológico, gramatical, semântico e pragmático). No aspecto semântico existe a dificuldade em entender a representação das palavras e das frases. Nos aspectos pragmáticos da linguagem, há prejuízo de compreensão e uso da linguagem, dentro de um contexto social. 

FUNÇÃO EXECUTIVA: dificuldade no planejamento de estratégias de resolução de problemas para a execução de metas. Dificuldade em algumas áreas cognitivas influenciam diretamente a interação com o outro. 

Fontes: http://drauziovarella.com.br/
centroactivamente.wordpress.com
Funçoes Cognitivas -Luana Lindoso Passos

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Rede de neurônios artificiais aprende a usar linguagem humana

Rede de neurônios artificiais aprender a usar linguagem humana
O modelo questiona a abordagem mais usada nas neurociências, de que o cérebro funcionaria como um computador. [Imagem: ANNABELL Project/Un. Sassari]
 


 Modelo cognitivo
Um modelo cognitivo, composto por dois milhões de neurônios artificiais, simulados em software, mostrou-se capaz de aprender a se comunicar usando a linguagem humana a partir de um estado de "mente em branco", somente através da comunicação com um interlocutor humano.
A pesquisa lança novas luzes sobre os processos neurais que fundamentam não apenas o desenvolvimento da linguagem, mas todo o processo de funcionamento da mente humana, além de questionar os modelos mais usados pelas neurociências.

O modelo, chamado ANNABELL (sigla em inglês para Rede Neural Artificial com Comportamento Adaptativo Usado para Aprendizagem de Línguas), foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores das universidades de Sassari (Itália) e Plymouth (Reino Unido).


Analogia cérebro-computador
As neurociências já aprenderam um bocado sobre os neurônios e suas interconexões - as sinapses. Mas um conhecimento detalhado de um neurônio individual e de quais são as funções das várias áreas do cérebro em que bilhões deles ficam ativos ao mesmo tempo não são suficientes para dar pistas sobre como o cérebro executa suas funções cognitivas.

Uma tendência na comunidade científica tem sido pensar que o cérebro funciona de forma semelhante a um computador, já que os computadores também funcionam através de sinais elétricos. De fato, muitos pesquisadores têm proposto modelos baseados na analogia "cérebro-funciona-como-um-computador" desde o final dos anos 1960.

Entretanto, além das diferenças estruturais entre neurônios e transistores, existem diferenças profundas entre o cérebro e um computador, especialmente nos mecanismos de aprendizagem e de processamento de informação. Computadores funcionam através de programas - instruções passo a passo - desenvolvidos por programadores humanos, e não há nenhuma evidência da existência de tais programas em nosso cérebro.

Hoje, muitos pesquisadores já aceitam que o nosso cérebro é capaz de desenvolver habilidades cognitivas elevadas simplesmente através da interação com o meio ambiente, a partir de muito pouco conhecimento inato - o que equivale dizer, naquela analogia com o computador, que o cérebro não tem programas.

Plasticidade e comutação sinápticas
O modelo ANNABELL parece confirmar essa abordagem, funcionando sem qualquer conhecimento pré-codificado sobre a linguagem: ele aprende a conversar apenas através da comunicação com um interlocutor humano, graças a dois mecanismos fundamentais, que também estão presentes no cérebro biológico: a plasticidade sináptica e a comutação sináptica.

A plasticidade sináptica é a capacidade das conexões entre dois neurônios para aumentar sua eficiência quando os dois neurônios são frequentemente disparados simultaneamente, ou quase simultaneamente.

O mecanismo de computação sináptica, ou comutação neural, é baseado nas propriedades de determinados neurônios (chamados neurônios biestáveis) para se comportarem como interruptores que podem ser ligados ou desligados por um sinal de controle vindo de outros neurônios. Quando ligados, os neurônios biestáveis transmitem o sinal de uma parte do cérebro para outra, caso contrário bloqueiam o sinal - isto sim, é muito parecido com um transístor eletrônico.

Programa aprende a falar
Simulando esses dois mecanismos nos neurônios artificiais modelados em software, o programa se mostrou capaz de aprender a falar e se comunicar com um interlocutor humano.
Ele foi validado usando um banco de dados de cerca de 1.500 sentenças de entrada, selecionadas com base na literatura sobre o desenvolvimento da capacidade de falar dos seres humanos.

O programa respondeu elaborando cerca de 500 novas frases, que contêm substantivos, verbos, adjetivos, pronomes e outras classes gramaticais, demonstrando a capacidade de se expressar por meio de uma linguagem humana que não lhe foi ensinada previamente.

Com modelos mais próximos da realidade, a expectativa é que sistemas de inteligência artificial, usados em programas de computador e em robôs, tornem-se capazes de aprender de forma mais parecida com a humana, sem depender de programas que especifiquem cada passo desses raciocínios artificiais.



Bibliografia:

A Cognitive Neural Architecture Able to Learn and Communicate through Natural Language
Bruno Golosio, Angelo Cangelosi, Olesya Gamotina, Giovanni Luca Masala
PLoS ONE
Vol.: 10 (11): e0140866
DOI: 10.1371/journal.pone.0140866

terça-feira, 21 de julho de 2015

Áreas verdes influenciam desenvolvimento cognitivo infantil

Por Proceedings of the National Academy of Sciences


Child
(O conteúdo completo deste artigo está disponível somente em inglês e mediante assinatura)
Sabe-se que áreas verdes propiciam uma gama de benefícios para a população, mas pouco se conhece sobre sua influência no desenvolvimento cognitivo infantil. O estudo a seguir analisa resultados de testes cognitivos em 2,5 mil crianças em idade escolar para investigar a influência do contato com diversos ambientes arborizados (em casa, na escola e no trajeto entre esses dois locais) no seu desenvolvimento cognitivo.
Ficou comprovado que há uma  melhora significativa no desenvolvimento cognitivo infantilassociada ao contato com áreas verdes, particularmente na escola. Essa associação foi parcialmente mediada pela redução da poluição do ar. Os achados desse estudo fornecem a gestores públicos evidências para  a realização de intervenções viáveis voltadas ao aprimoramento de áreas verdes em escolas, visando à melhora do capital mental da população como um todo.