quinta-feira, 9 de julho de 2015

Volta Redonda: primeira cidade do país com colégio especializado no autismo

por Marcio Allemand

Pioneira no tratamento do autismo, Volta Redonda abriga a primeira escola municipal do país com atendimento focado em crianças autistas. O colégio chama-se Dayse Mansur da Costa Lima, que desde 1993 atende alunos com algum tipo de deficiente ia, mas hoje é exclusivamente para autistas. 

A ideia surgiu porque as unidades voltadas para deficientes mentais não davam conta da especificidade do autismo. “ Fizemos um levantamento e detectamos a necessidade de uma instituição especializada”, diz a diretora Cecília Rodrigues Pereira. 

Com 26 anos de magistério, a professora Cecília trabalha na escola desde a inauguração e conta com orgulho os resultados de sua dedicação. “Comecei a trabalhar com crianças autistas por opção. Tenho um irmão que aos quatro anos foi diagnosticado como deficiente mental grave e nunca teve oportunidade de estudar numa escola. Hoje ele tem 59 anos de idade”, conta a diretora. 


Alunos do colégio de Volta Redonda: mais de 80 crianças autistas recebem educação especializada
Foto:  Daniel Castelo Branco / Agência O Dia


Cecília diz que a capacitação é muito importante. "Você tem que ser especializado para realmente fazer alguma coisa e trabalhar pelo desenvolvimento desses alunos”. A diretora afirma que o objetivo da escola é trabalhar dentro da necessidade específica de cada um dos 81 alunos. “Nós trabalhamos baseados no programa TEACCH, que é um método de avaliação transdiciplinar americano,e que parte da necessidade de cada estudante”.
 

PÚBLICO
A maioria das crianças atendidas é de Volta Redonda, mas alunos de cidades vizinhas e até de outros estados também são atendidos - nessa caso, a família se muda para a cidade. A escola funciona em dois períodos, das 7h às 11h e das 13h às 17h, e conta com 26 profissionais. quando o aluno completa 17 anos, ele é imediatamente transferido para o Semeia (Sítio Escola Municipal Espaço de Integração do Autista), que atende jovens autistas em fase adulta. 

A ideia do Semeia foi do prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto, conhecido como protetor dos autistas. À frente do trabalho no Semeia está a diretora-geral Sandra Maria de Souza. “Para quem conhece e sabe lidar com autistas, é um trabalho delicioso. Eles são carinhosos, atenciosos”, elogia Sandra.

Thaísa dos Santos, de 27 anos, é uma das alunas do Semei. Ela é atendida por equipe especializada desde os seis anos de idade. “O suporte que a prefeitura nos oferece merece nosso reconhecimento”, diz o pai da jovem, Antônio Augusto. “Ter uma escola especializada para nossos filhos se desenvolverem e ainda totalmente gratuita é uma dádiva. Eu não teria como custear um tratamento desses”.


Lei assegura direitos
Poucos sabem, mas quem sofre de autismo no Brasil tem direitos garantidos por lei. Em dezembro de 2012, a presidenta Dilma sancionou a Lei nº 12.764, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. 

A legislação prevê a participação da comunidade na formulação das políticas públicas, além da implantação, acompanhamento e avaliação da mesma. A Lei leva o nome de Berenice Piana, mãe de um menino autista, que desde que recebeu o diagnóstico luta pelos direitos dos autistas. 

A nova Lei assegura o acesso a ações e serviços de saúde público, incluindo diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional, nutrição adequada, terapia nutricional e medicamentos. Há também a garantia de que todo autista tenha assegurado o acesso à educação e ao ensino profissionalizante, à moradia, ao mercado de trabalho e à previdência social.

Fonte: O Dia

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