quinta-feira, 16 de julho de 2015

Coluna do dia: Novas tecnologias e o tempo livre*



No desenvolvimento das novas tecnologias, nunca, em toda a história da humanidade, o homem foi tão poderoso como atualmente. Internet, EAD, videoconferência, realidade virtual, ciberespaço/cultura, inteligência artificial etc. É impressionante como, além de vivermos em tempos de produção de todas as facilitações e grandes propostas de liberdade, vivenciamos a percepção da perda do tempo para descansar. Todas as exigências culturais e suas criações tecnológicas acontecem com a idéia de que os indivíduos têm tempo de lazer, de descanso. Mas o que se observa é que as “máquinas”, cada vez mais ocupam “lugares” humanos, e este humano, desocupado, não sabe o que fazer de si mesmo ou de si mesmo com o outro (família, amigos, amores).

Diante desse dilema, os sujeitos ocupam seus tempos com novas atividades tão cansativas quanto as que fazem no cotidiano rotineiro de uma semana. Eles renovam o movimento do trabalho de diferentes formas e, desarmônicos em relação ao próprio corpo físico e mental, embriagam-se pelo poder, negam seus sentimentos e, vez por outra, deparam-se com a incômoda sensação de vazio: é a depressão.

Os objetos criados para facilitar o dia a dia, além da ação confortável do relaxamento, por outro lado e intrinsecamente, investem na ascensão de um dos grandes pecados capitais, a vaidade, tal e qual Dorian Gray, personagem do livro “O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde. Este (Dorian) engendra a vaidade dentro de um grande radicalismo, pois, perante a promessa de poder, a inocência, a beleza, o amor, tudo se corrompe.

As novas tecnologias, pelo seu lado, sem a devida medida, alimentam a sensação de grandeza e poder dos sujeitos, por terem grande nível de sedução. Celulares, laptops, computadores, banda larga, etc. seduzem pelo número de ações que podem oferecer (facilitar) num espaço pequeno e tempo curto. A sensação é de que os sujeitos estão se tornando verdadeiros ‘Rambos’ armados até “os dentes” por pura vaidade.

No contexto social, a cada semana, novos aparelhos apresentam-se ao mercado tecnológico processando mais e mais novidades em seu uso. E a cada novidade a real necessidade de seu porte não acompanha a eliminação da novidade anterior, causando abarrotamento de objetos pouco usados (inúteis) em casa, nas bolsas ou nos lixos. Um exemplo objetivo é o celular.

Hoje em dia, além de eliminar distâncias entre as pessoas, o celular presentifica o conceito de ‘multimídia’: tira fotos, é webcam, é aparelho de vídeo e TV, toca música, diverte com vários tipos de jogos, ‘baixa’ mensagens e novas músicas da Internet, ou seja, engloba diversas ações facilitadoras às “novas” exigências dos indivíduos. Em conseqüência, sempre cortejados por essas novidades, todos acreditam serem seres especiais. O celular gera a sensação de pertencimento / status na mente e no grupo. “Sou especial porque possuo”, acreditam. Ou seja, possuir torna-se um vício e o acúmulo torna-se pernicioso às personalidades e temperamentos pela gradativa perda da identidade.

Sem o devido cuidado de todos (pais, professores, técnicos, teóricos), a cada geração estaremos, mais e mais, falando dos vazios e das faltas que percebemos nas relações que a juventude vai criando em seus poucos espaços de independência como bailes, escolas, músicas, festas, viagens. Há uma falta de consistência e de longevidade nas relações que necessitam de análises sérias, principalmente, quando, contrariamente, se exige que sejam, especialmente, brilhantes, atraentes e poderosos. Desta feita, os mais jovens mais se escondem nas novas tecnologias a que têm livre acesso, com poucos (mínimos) direcionamentos e inflam egoicamente suas projeções (sonhos, fantasias, vontades e desejos) na cotidianidade, porque não sabem o que fazer ou que caminhos tomar.

Palavras como fracasso, perda ou morte não têm sentidos reais. E mais, à parte de valores, conceitos, relações veiculadas como ideais, eles ainda são sobrecarregados com a idéia de que devem ser super-homens e mulheres. Êxito, sucesso, conquistas materiais e realização pessoal passam a ser expressões sinonímicas e, segundo aprendem, só são alcançados com muito trabalho, grandes descartes (negações) e pouco divertimento. Aliás, divertimento, a partir de certa faixa etária, é quase uma palavra de baixo calão, diante de tais e tantas exigências advindas da sociedade de consumo. E, dentro desse pensamento, o imaginário sobre o ‘descanso’ (lazer, relaxamento) está altamente potencializado, porque nunca conquistado ou realizado como se deseja.

Todas essas exigências se apresentam estrategicamente como fórmulas perfeitas para que o sujeito possa gerenciar seu tempo livre. Criações tecnológicas criam tempo livre, mas o que fazer com esse tempo livre? Com a presença das novas tecnologias em diversas profissões ou agilizando (ajudando) diversas profissões pelo nível de interação, o que fazer com o tempo livre?

Todos os poderes são aceitos por nos entendermos / sabermos altamente criativos sob diversos aspectos, mas essa certeza cai por terra quando temos o tempo livre. Num mundo capitalista, ser útil é ser somente trabalhador profissional. Os sujeitos não se entendem úteis sendo perceptivos de si mesmo, ou reelaborando-se interiormente para reinvestir em suas funções profissionais com mais equilíbrio e mais força. ‘Ser útil’ quer dizer ‘ser trabalhador padrão’, de preferência 24h ao dia, todos os dias.

A partir do século 19, submissão, austeridade e relações de culpa foram substituídas por maneiras de exibição. Novas tecnologias e velocidade das informações são outras maneiras de exibição. Dessa linha, surgem o voyerismo e o narcisismo. As pessoas acham-se voltadas para a sua própria imagem, estão embriagadas pelo poder e negam seus sentimentos. E o excesso de trabalho é a forma estratégica encontrada para se manterem abaixo da linha do suicídio. Porém e, mesmo assim, mostram-se mais sujeitos à depressão e às sensações de vazio interior.

Dentro do turbilhão do trabalho diário, cada vez mais as emoções ficam “desinvestidas” da simbologia exterior e ficam muito investidas na imagem que a pessoa tem dela própria e que é criada em cima de tudo o que dizem que ela pode ser no mundo. As interações que realizam diariamente acontecem na expectativa de atrair mais e mais lucro a qualquer preço, sem dividir. Esse movimento amortece o corpo (adaptação à superestimulação das grandes cidades: barulho excessivo, ritmo intenso, tensões) e bloqueia as percepções, ou seja, os indivíduos vêem apenas o que querem ver. É um castelo de papel que construímos paulatinamente, encobrindo toda e qualquer sensibilidade e afeto até precisarmos de toda essa atividade e excitação como parte de nós mesmos e para nos sentirmos vivos. Daí a dificuldade agônica de aceitar e passar pelo tempo livre.

Na condição moderna, ao invés das pessoas se abrirem às sensações e aos sentimentos, tenta-se a insensibilização para não enlouquecer. Perde-se o ritmo entre trabalho e repouso, já que ação e realização são melhores do que o repouso. Fazer alguma coisa é melhor que nada. Sem descansar, ficamos desorientados. Envenenados pelo ímpeto do sucesso a qualquer preço e nossa ‘vida humana’ corre perigo. A excessibilidade inflige sofrimento a todos. ‘Todos estão/estamos muito ocupados!’ – dizem/dizemos. E isso é dito com grande orgulho, afinal estamos dando conta de nossa independência, estamos sendo responsáveis. Junto às novas tecnologias enfrentamos cada dia de forma voraz e frenética, acreditando nessa dinâmica como troféu de nossa capacidade de nos multiplicarmos por atividades e no tempo.

Dentro do tempo livre, não há o mínimo senso do próprio self. A inutilidade bate à porta de todos. Degradante é a sensação de desconectar-se de nossa natureza humana para sermos deuses. Que paradoxo! Em par com Prometeu, a humanidade conseguiu o fogo e dele pôde aquecer sua criatividade. Mas, e quando só viver for preciso, o que acontece? E quando precisarmos nos responsabilizar por nós mesmos em tempo livre, o que acontece? E quando necessitarmos ouvir nossas vozes mais profundas, o que acontece? Nada! Literalmente, não deveria acontecer nada! Só deveríamos sentir... Acontecerá só o movimento dos acontecimentos diante da nossa (pré) disposição para senti-los. Tempo livre é disposição para a ação do nada!

Em tempo livre, não precisaríamos resolver nada... Precisaríamos descansar, repousar, meditar, rir, brincar, papear... Buscar a alegria de viver, o sabor da vida, mesmo diante do computador, do laptop, do vídeo, da TV, do livro. Se permitimos que nossas ferramentas e recursos maquínicos estabeleçam tempos “para o nada”, aproveitemos essa ausência de esforço para outros esforços, mas esforços mais interiores, mais identitários, mais amplos de si e dos outros. Tornar o mundo frutífero é aceitar o espaço de tempo livre para ouvir as pequenas vozes ao redor.

Atenção: no tempo livre, é que nos lembramos de quem somos e do que sabemos. Fazer, vez por outra, um pit stop, é influenciar a ação de lembrar e, com isso, reavaliar nossas aceitações, nossos aprendizados, nossos conhecimentos, nossas posições e nossas descobertas. Então: o tempo livre é a dormência necessária para sentirmos nosso corpo.

O corpo é a nossa tecnologia inicial, principal e final! Tudo bem?

Vez por outra, por favor, aceitem o tempo livre!


Profa. Claudia Nunes

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Envelhecimento e Estimulação Cognitiva e Motora



O envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humanidade e também um dos nossos grandes desafios (Ministério da Saúde, 2005). Hoje, no Brasil, há cada vez mais pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, ou seja, possuímos um grande número de idosos, o que representa um grande avanço.

O envelhecimento populacional é uma realidade, isso significa um crescimento mais elevado da população idosa com a relação aos demais grupos etários. No caso brasileiro, pode ser exemplificado por um aumento da participação da população maior de 60 anos no total da população nacional. Além da mudança nos pesos dos diversos grupos etários no total da população, observou-se um aumento na proporção de pessoas que sobrevivem a idades mais elevadas (Camarano, 2006).

O Rio de Janeiro, por exemplo, é um dos estados que possuem grande números de idosos. Em alguns bairros como Tijuca, Flamengo e Copacabana, grande parte de seus moradores é constituída de idosos. Em Copacabana, por exemplo, a população de idosos é de, aproximadamente, 30%, média igual ou superior a qualquer país desenvolvido e de longa tradição de população idosa. O município do Rio de Janeiro tem aproximadamente quase 1 milhão de idosos.

O Professo de envelhecimento é comum praticamente a todos os seres vivos que, no seu transcorrer, provoca modificações de ordem somática e psíquica que determinam alterações da relação do individuo com o meio que o cerca. Em síntese, o envelhecimento pode ser entendido como um processo de redução da reserva funcional, sem comprometer, na quase totalidade dos mecanismos, a função necessária para as atividades do cotidiano. A existência de uma limitação funcional evidente, mesmo em um nonagenário, deve ser entendida, portanto, como o efeito de um processo fisiopatológico, portanto de uma doença mais do que uma evolução atribuível ao processo natural de envelhecimento (Jacob Filho, 2009)

Alterações fisiológicas estão associadas ao envelhecimento, há declínio físico, com alterações nos sistemas músculos esqueléticos, SNC, sistemas sensoriais, cardiorrespiratório etc. Há também alterações nas funções cognitivas no processo de envelhecimento, que irão variar de acordo com nível cultura, social e claro patológico. O declínio cognitivo afeta a qualidade de vida, autonomia e funcionalidade tanto quando o declínio físico.

Entre as perdas associadas ao envelhecimento que comprometem a qualidade de vida e funcionalidade podemos citar a capacidade de realizar duas tarefas ao mesmo tempo, em especial tarefas cognitivas associadas às tarefas motoras. A perda da capacidade de realizar duas tarefas ao mesmo tempo está associada às quedas e tantas outras complicações.  Isso ocorre quando há interferência entre as tarefas, ou seja, ambas competem pela mesma classe de recursos de processamento de informação no sistema nervoso central (SNC). Isso ocorre devido a déficits sensoriais e perceptuais, aumento do tempo de reação da resposta frente a estímulo, ou redução da habilidade de planejamento e seleção de estratégias motoras, principalmente quando é solicitada a associação a tarefas cognitivas; ou ainda a perda de memória de longo prazo e memória de trabalho.
A capacidade de raciocinar e decidir problemas, de perceber o mundo à sua volta, de compreender e aprender com as situações são fatores que viabilizam a interação e o relacionamento do homem com o mundo e seus elementos.
A realização de tarefas simultâneas é algo comum em nossas atividades diárias. Porém em alguns indivíduos como idosos podem ser algo difícil em função de seus mecanismos. As regiões do cerebelo são partes das redes executivas e desempenham papel na realização motora e de processamentos cognitivos. Com o processo de envelhecimento esta região pode apresentar dificuldades para controlar e executar as funções motoras e cognitivas corretamente. Andar conversando no celular, caminhar abotoando a camisa ou até mesmo olhar para sinal e atravessas a rua pode representar algo muito difícil e potencializar acidentes.
A estimulação cognitiva e motora (ECM) surge como uma possibilidade de melhorar a capacidade funcional, autonomia, equilíbrio, cognição, plasticidade neuronal e prevenção de quedas. Desenvolver atividades que possam estimular as atividades cognitivas e motoras deve fazer como parte de uma rotina de exercícios para os idosos.
A ECM é constituída de atividades que envolvem exercícios de dupla tarefa ou exercícios com tarefas simultâneas (cognitivas e motoras), Utilizando os princípios das neurociências, como a neuroplasticidade, que é a capacidade que o cérebro tem quando recebe estímulos de organização e/ou reorganização do sistema nervoso frente ao aprendizado, habituação e a lesão. A Estimulação consiste em uma serie de atividades de treinos das funções cognitivas associadas às respostas motoras. As atividades são destinadas a melhoria da funcionalidade e desempenho das atividades de vida diária. São utilizados os mecanismos de habituação e os princípios da especificidade. As atividades são especificas e variam de acordo com os objetivos e necessidades de cada idoso
No processo artigo estaremos abordando as técnicas e exercícios de estimulação cognitiva e motora aplicada a população idosa.


Anderson Amaral:

·         Membro da Associação Brasileira de Alzheimer  (ABRZ/RJ)
·         Professor do Curso de Cuidador de Idosos na Doença de Alzheimer(ABRAz/RJ) e da UnATI/UERJ
·         Professor de Estimulação Cognitiva e Motora do Grupo Renascer – Hospital Universitário Graffrée e Guinle / UNIRIO
·         Professor de Estimulação Cognitiva e Motora do CMS Dom Hélder Câmara
·         Professor do Projeto de Estimulação Cognitiva e Motora para Idosos da UFRRJ
·         Responsável pelo Setor de Estimulação Cognitiva e Motora do Hospital do Andaraí (projeto Viva Mais)
·         Coordenador do Setor de Reabilitação Funcional e Neurocognitiva da Fisiofit
Professor da Pós Graduação da Candido Mendes (AVM)

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Coluna do dia: Corporeidade: a qualidade de vida por meio de movimentos







É a maneira pela qual o cérebro reconhece e utiliza o corpo como instrumento relacional com o mundo.

O corpo é movido por intenções provenientes da mente. As intenções manifestam-se através do corpo, que interage com o mundo, que dá uma resposta para o corpo, que informa a mente através de seus órgãos sensoriais, que, analisando as respostas obtidas do ambiente, muda ou reafirma suas intenções, utilizando o corpo para novas manifestações. www.dicionarioinformal.com.br/corporeidade/



          No decorrer da história, o corpo vem sendo alvo de interesse para o homem. O corpo deve ser nosso primeiro fundamento, para poder olhar as expressões, contemplá-lo e sentir desejos. Olhar sensível na busca de uma consciência corporal e entender as necessidades, os limites, os anseios. Sensações de descobertas de consciência e sabedoria. Um diálogo espiritualizado no sentido de vivenciar cada ação para mostrar suas atitudes, seus conhecimentos e comportamentos, enriquecidos pelos aspectos vitais e emocionais. A sensualidade das experiências e vivências nas relações consigo, com o outro, para deixar-se apossar de outros corpos, manifestando e interagindo numa concepção dualista ou mais, demonstra que existe um corpo e que somos um corpo e não apenas o temos. 



          As representações e ações do corpo nos leva a atitudes perante a vida, trazendo sabedoria, compreensão e corporeidade. O corpo é uma existência de dominação e conquista da natureza muitas vezes submissa, desprezada onde leva a intenção de indisciplina, inferindo inquietações. Ele é composto de linguagens, de símbolos, de imagens vivenciando a corporeidade conforme as necessidades, construindo no imaginário diferentes culturas, ideologias e organizações para muitas vezes sobreviver. O corpo é um jardim, onde plantamos, regamos e colhemos para submetê-lo a uma realidade corpórea cheia de inúmeras histórias de muitos sentidos e sensibilidades de reconhecer-se como sujeito da percepção.


Vivenciamos e nos envolvemos, a cada dia, em processos, realidades, fenômenos e circunstâncias rítmicas, a começar pelo nosso corpo, constituído como unidade de ritmos bio-psíquicos e sociais. Somos seres rítmicos, viventes num contexto polirrítmico(...) (TEIXEIRA, 1999: 91)



          A ideologia de um corpo visualiza a inteligência desse corpo em toda sua complexidade, no sentir, no pensar, no agir, no sonhar, no imaginar, no desejar e no seduzir, numa união harmônica que leva a formação da corporeidade aumentando a capacidade sensorial, controlando os afetos e manifestando os sentimentos pela essência do ser no mundo para um (re) pensar como contribuição para o corpo e suas atitudes elaboradas pela autonomia do viver como forma de compreensão desse corpo além da visão dualista que delega a condição de instrumento para uma unidade corpórea como concepção de corpo/mente/alma para gerar conhecimento coexistente entre a sensibilidade e a razão.

        
  O corpo é um campo aberto, gerador de conhecimentos marcado por sentimentos, gestos, sensações e pensamentos. A corporeidade configura uma linguagem sensível para reflexão como espaço de visibilidade humana para um novo olhar sobre o corpo em suas formas, ritmos e gestos. O corpo encontra sua verdade na expressão e na comunicação como ser no mundo capaz de testemunhar sua própria experiência, para compreensão da consciência e da existência do eu. O corpo comprova e explicita suas sensações, às vezes com restrições e conscientes sem ser empecilho de participar de atividades com determinação. Muitas vezes novas experiências levam a confiança de potencialidades corporais, mostrando que a corporeidade  não é nem pode ser sinônimo de inatividade.

       
   A corporeidade, sendo este termo o significado da unificação entre o corpo e a mente. Incentiva novos desafios, participações estruturadas no caráter lúdico e prazeroso da vida. Auxilia e edifica algumas dificuldades. As experiências têm mostrado que, por mais que seja importante repensar e praticar a corporeidade, o fazer corporal se relaciona com as experiências de vida. A ideia de corporeidade está relacionada, em parte, com a capacidade do sujeito se situar no mundo por si próprio, aprender agir através de um conteúdo significativo da sua própria ação, dando possibilidade de constituir um agente autônomo e consciente. Fazer sexo, por exemplo traz a corporeidade como experiências sensório-motoras, constituídas espontaneamente através das emoções, quando se descobre a comunicação entre os corpos e não são esquecidas. O corpo na sexualidade dá significado a corporeidade do sujeito numa relação de prazer, confiança, qualidade e intensidade. 

Pensando na corporeidade conseguimos pensar no sexo de forma criativa, delicada, clara, elegante, tornando-se referência obrigatória para chegar ao prazer e assim pensar no corpo, hoje, amanhã e depois. Precisamos nos surpreender de forma ousada, muitas vezes tratando de angústias por não conseguir alcançar deleites das novas formas de relacionamentos amorosos e assim levar o homem a uma dimensão para se sentir um ser no mundo. Isso precisa ser desenvolvido, cultivado, orientado, estimulado e fortalecido.




Referência Bibliográfica:

TEIXEIRA, Inês Assunção Castro. Cadências escolares, ritmos docentes. Educação e Pesquisa, São Paulo: FEUSP, v. 25, n. 2, jul./dez.1999.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Pesquisadores descobrem ligação inédita entre o cérebro e o sistema imunológico

Cérebro
Descoberta pode ampliar tratamentos existentes para doenças relacionadas ao sistema imunológico, como Alzheimer e esclerose
 
AFP
Pesquisadores da Universidade da Virginia, nos Estados Unidos, fizeram uma descoberta inédita, publicada na edição desta semana da revista Nature: pela primeira vez, cientistas perceberam que o cérebro é diretamente conectado ao sistema imunológico, por meio de veias até agora desconhecidas.

A descoberta aconteceu durante um estudo com ratos. O cientista Antoine Louveau desenvolvia um método para cortar as meninges (as membranas que cobrem o cérebro) do animal em um único pedaço, de forma a facilitar o estudo do tecido. 

Porém, durante o processo, ele percebeu no pedaço alguns padrões indicando que as células imunológicas haviam atingido as meninges por meio de veias. Depois de testes, Louveau descobriu que essas veias estavam ligadas no sistema linfático, que é parte do sistema imunológico.

"A primeira vez que esses caras me mostraram o resultado da pesquisa, eu disse apenas uma frase: 'Eles terão que mudar os livros de estudo'", disse Kevin Lee, diretor do departamento de neurociência da universidade da Virginia. 

Segundo Lee, o estudo "irá mudar fundamentalmente a forma como as pessoas enxergam a relação do sistema nervoso central com o sistema imunológico".

A descoberta dessas novas estruturas pode ter consequências nas pesquisas de doenças com componentes imunológicos, desde o Alzheimer até a esclerose múltipla. O estudo também pode ampliar os tratamentos existentes para essas doenças.

"Eu não acreditava que ainda havia estruturas no corpo humano que ainda não eram conhecidas. Eu achava que o corpo era todo mapeado", diz Jonathan Kipnis, um dos autores do estudo. "Acreditava que essas descobertas acabaram em algum momento do século passado. Mas,, aparentemente, elas não terminaram."

Fonte: Nature

Volta Redonda: primeira cidade do país com colégio especializado no autismo

por Marcio Allemand

Pioneira no tratamento do autismo, Volta Redonda abriga a primeira escola municipal do país com atendimento focado em crianças autistas. O colégio chama-se Dayse Mansur da Costa Lima, que desde 1993 atende alunos com algum tipo de deficiente ia, mas hoje é exclusivamente para autistas. 

A ideia surgiu porque as unidades voltadas para deficientes mentais não davam conta da especificidade do autismo. “ Fizemos um levantamento e detectamos a necessidade de uma instituição especializada”, diz a diretora Cecília Rodrigues Pereira. 

Com 26 anos de magistério, a professora Cecília trabalha na escola desde a inauguração e conta com orgulho os resultados de sua dedicação. “Comecei a trabalhar com crianças autistas por opção. Tenho um irmão que aos quatro anos foi diagnosticado como deficiente mental grave e nunca teve oportunidade de estudar numa escola. Hoje ele tem 59 anos de idade”, conta a diretora. 


Alunos do colégio de Volta Redonda: mais de 80 crianças autistas recebem educação especializada
Foto:  Daniel Castelo Branco / Agência O Dia


Cecília diz que a capacitação é muito importante. "Você tem que ser especializado para realmente fazer alguma coisa e trabalhar pelo desenvolvimento desses alunos”. A diretora afirma que o objetivo da escola é trabalhar dentro da necessidade específica de cada um dos 81 alunos. “Nós trabalhamos baseados no programa TEACCH, que é um método de avaliação transdiciplinar americano,e que parte da necessidade de cada estudante”.
 

PÚBLICO
A maioria das crianças atendidas é de Volta Redonda, mas alunos de cidades vizinhas e até de outros estados também são atendidos - nessa caso, a família se muda para a cidade. A escola funciona em dois períodos, das 7h às 11h e das 13h às 17h, e conta com 26 profissionais. quando o aluno completa 17 anos, ele é imediatamente transferido para o Semeia (Sítio Escola Municipal Espaço de Integração do Autista), que atende jovens autistas em fase adulta. 

A ideia do Semeia foi do prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto, conhecido como protetor dos autistas. À frente do trabalho no Semeia está a diretora-geral Sandra Maria de Souza. “Para quem conhece e sabe lidar com autistas, é um trabalho delicioso. Eles são carinhosos, atenciosos”, elogia Sandra.

Thaísa dos Santos, de 27 anos, é uma das alunas do Semei. Ela é atendida por equipe especializada desde os seis anos de idade. “O suporte que a prefeitura nos oferece merece nosso reconhecimento”, diz o pai da jovem, Antônio Augusto. “Ter uma escola especializada para nossos filhos se desenvolverem e ainda totalmente gratuita é uma dádiva. Eu não teria como custear um tratamento desses”.


Lei assegura direitos
Poucos sabem, mas quem sofre de autismo no Brasil tem direitos garantidos por lei. Em dezembro de 2012, a presidenta Dilma sancionou a Lei nº 12.764, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. 

A legislação prevê a participação da comunidade na formulação das políticas públicas, além da implantação, acompanhamento e avaliação da mesma. A Lei leva o nome de Berenice Piana, mãe de um menino autista, que desde que recebeu o diagnóstico luta pelos direitos dos autistas. 

A nova Lei assegura o acesso a ações e serviços de saúde público, incluindo diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional, nutrição adequada, terapia nutricional e medicamentos. Há também a garantia de que todo autista tenha assegurado o acesso à educação e ao ensino profissionalizante, à moradia, ao mercado de trabalho e à previdência social.

Fonte: O Dia

Novos aplicativos para crianças com autismo e distúrbios de comunicação estão disponíveis para o iPad

respondendo perguntas-pt

A empresa Americana, Smarty Ears, fundada pela fonoaudióloga brasileira Barbara Fernandes, lança esta semana dois novos aplicativos em Português: Respondendo Perguntas e “Fun & Functional” ( Aprendendo Funções). Ambos aplicativos estavam disponíveis na app store da Apple por dois anos, mas somente na versão em Inglês. Esta semana a empresa anuncia que usuários no Brasil e em países que falam espanhol poderão também desfrutar desses aplicativos. A partir do próprio aplicativo pais e fonoaudiólogos podem selecionar a opção de três idiomas: inglês, espanhol ou português.

Smarty Ears já e a empresa com maior reconhecimento nos estados unidos por criar aplicativos para crianças com autismo e outras dificuldades de comunicação como dificuldades de articulação e atraso de fala e linguagem.  Desde a sua formação, a presidente baiana vem insistindo na disponibilização de aplicativos em português.  Desde 2009, a empresa já lançou mais de doze aplicativos em português que tem ajudado milhares de crianças no Brasil a melhorarem a sua habilidade de comunicação.  A empresa também disponibiliza aplicativos para adultos que sofreram com derrame e sofrem com dificuldade de comunicação devido a afasia verbal.

Os novos aplicativos lançados essa semana já foram baixados por vários fonoaudiólogos e pais de crianças com autismo. A última versão do “Respondendo Pergunta” inclui um componente receptivo e um componente expressivo para ajudar crianças a responder uma variedade de perguntas. O aplicativo contém mais de 400 oportunidades de responder e fazer perguntas reais. Com ilustrações divertidas, muito bem desenhadas e questões versáteis e pertinentes ao dia a dia. Este aplicativo tem como objetivo ajudar as crianças a obter proficiência em fazer e responder perguntas básicas. O aplicativo está disponível na App Store e é compatível com o iPad, iPhone e iPod touch.


fun and functional portuguese


O segundo aplicativo disponibilizado esta semana pela empresa, mantém seu nome original em Inglês “ Fun & Functional” (Aprendendo Funções) mas todas as perguntas e ítens no aplicativo foram traduzidos para o português. Fun & Funcional, de autoria da fonoaudióloga Rosie Simms, sob a supervisão da especialista em tecnologia Barbara Fernandes, foi projetado para ajudar a melhorar a compreensão da linguagem e expressão em indivíduos, aumentando a capacidade de identificar e descrever a função ou o uso de objetos do mundo real. Usuários podem agora facilmente alternar idioma de escolha do aplicativo, acessando a função de ajustes. O aplicativo pode ser baixado da App Store no link: https://itunes.apple.com/us/app/fun-functional/id498640017?mt=8

Smarty Ears já é um dos principais fornecedores de aplicativos para a fonoaudiologia no Brasil com mais de 14 aplicativos em Português em diversas áreas como a gagueira, linguagem, fala e autismo. Smarty Ears tem um site dedicado para seus usuários brasileiros sobre www.ipadfono.com . Smarty Ears também iniciou a construção do site em espanhol que será lançado no último trimestre de 2014.




autismo app


A empresa investiu uma grande quantidade de esforço em 2014 para traduzir seus aplicativos para outros idiomas, especialmente em português.

Alguns dos aplicativos  da Smarty Ears já estão disponíveis em cinco idiomas: Inglês, Espanhol, Português, Alemão e Francês. Smarty Ears planeja lançar dois aplicativos adicionais em Português e Espanhol antes do final de 2014, e para começar a oferecer mais aplicativos em francês em 2015.


Cartões de Atividades Sensoriais


Todos nós usamos atividades sensoriais para regular o nível de excitação no nosso dia-a-dia. 
 
 
Aprenda algumas estratégias de modulação. Se você tem uma criança que precisa de ajuda de modulação, aqui estão algumas atividades simples sensoriais 
 
 
 
 Pressão profunda com a bola, almofadas ou travesseiros em cima do corpo. Atividades sesnsorias que são calmantes para sistema nervoso
 
 
 
 
 Canto aconchegante como canto da sala, atrás do sofá,debaixo da mesa com várias almofadas ou um cobertor.Ajuda acalmar a criança
 
 
 
 Atividades sensoriais que oferecem um grande input proprioceptivo.Pular em cima de várias almofadas ou puff grande. Ajuda na organização do comportamento.
 
 
 Pular, Correr e Saltitar são tipos de atividades para aumentar o nível alerta.