sexta-feira, 18 de setembro de 2015

COLUNA DO DIA: Atuação Fonoaudiológica no Alzheimer





  A população idosa no mundo aumenta de forma progressiva e no Dia Mundial da Doença de Alzheimer celebra-se em 21 de setembro, prestando assim uma homenagem àqueles que, em todas as partes do mundo, divulgam e sensibilizam para esta patologia.


  A data tem como objetivo melhorar a prestação de serviços a pessoas que sofrem de demência e aos seus cuidadores. e nos conscientiza que a doença atinge cerca de dois milhões de pessoas só no Brasil.


 A doença ataca o sistema nervoso e é irreversível e não conhece barreiras econômicas, sociais, étnicas, raciais ou geográficas e a idade em que a doença de Alzheimer começa a desenvolver-se é muito variável e a sua evolução pode ser lenta ou rápida.


 A doença de Alzheimer caracteriza-se, de uma forma resumida, por alterações neuropsicológicas com predominância das perturbações de memória, linguagem, reconhecimento e da escrita, assim como alterações do comportamento, ansiedade, depressão, agressividade e alucinações.


 É uma doença neurodegenerativa progressiva, com múltiplas etiologias e que converge para a perda neuronal.


  Está dividida em 3 estágios, Inicial (leve), Intermédio (moderado) e Final (grave):




Geralmente o alerta é dado com a presença das falhas de memória, que familiares e amigos mais próximos detetam. No entanto, as alterações podem ser tão subtis que a família atribui o esquecimento à idade. As alterações linguísticas (como afasia) e ao nível da alimentação (como disfagia e/ou a presença de apraxia bucofacial), são atividades da área de intervenção do fonoaudiólogo.


  A nível da Linguagem, a pessoa com Alzheimer começa a ter dificuldades na procura de alguma palavra durante o discurso espontâneo e, quando solicitada, apresenta dificuldade em nomear objetos e ações. A conversação mostra-se vazia ao nível do conteúdo, em parte porque a amnésia reduz a quantidade de informação disponível e também porque as alterações semânticas apenas permitem  um pensamento concreto. Além destas alterações evidencia-se também uma fraca capacidade de manter um mesmo tópico de conversação e alterações ao nível da compreensão. Apesar de a leitura em voz alta se mantenha até fases mais avançadas, a compreensão da leitura altera-se precocemente.  Em alguns casos a comunicação verbal se faz de forma muito restringida, chegando mesmo ao mutismo. Por isso é muito importante:

  • ·        manter a comunicação direta com a pessoa com DA,
  • ·        contato visual constante,
  • ·        falar de forma clara e objetiva, explicando tudo que for realizar, oferecer, etc.
  • ·         Use sempre frases motivacionais, elogie tudo que conseguir realizar;
  • ·        estimular com sons, músicas, diálogos que ela goste e assuntos do dia a dia, coisas que estão acontecendo naquele exato momento.
  • ·        privilegiar as vias sensoriais, é um excelente estímulo, olfato, paladar, tato, audição e visão.
  • ·        E não esqueça jamais, de respeitar o tempo da pessoa, cada dia é um dia diferente.

 

  As alterações na Alimentação começam a aparecer quando, para pessoa com Alzheimer, não faz sentido ingerir alimentos. O não reconhecimento dos alimentos aliado à dificuldade em utilizar os talheres/copo podem levar a um risco de desnutrição e desidratação. Além disso, ocorrem frequentemente episódios de esquecimento de ingestão de alimentos e de dificuldades de deglutição/mastigação. Estas dificuldades aparecem pelo fato de permanecerem com o alimento na boca por muito tempo sem saberem o que devem de fazer com ele e como o engolir. Por estas questões a pessoa pode manifestar perda de interesse na alimentação sendo necessária a monitorização por parte dos cuidadores e profissionais de saúde envolvidos.


 Torna-se fundamental a orientação fonoaudiológica quanto a Higiene oral, orientações durante e após a alimentação e assim ficar atentos a sinais de alerta:


·        Seguir as orientações que o fonoaudiólogo irá orientar, quanto a realização dos exercícios de lábio, língua e bochecha.


·        1) Higiene Oral:

·        A higiene oral deve ser realizada todos os dias, limpando bem a língua, céu da boca, bochechas, gengivas e dentes;

·        caso ela engasgue com a água, realizar a higiene oral com gaze enrolada no dedo ou espátula, umedecida com água;

·        Em caso de dentadura, retirá-la para limpeza;

·        A higiene oral é importante também para retirar partículas de alimentos da cavidade oral  que posteriormente o paciente pode aspirar.


·        2) Durante a alimentação:

·        O paciente deve estar bem acordado, confortável e posicionado sentado ou com a cabeceira do leito elevada o máximo para 90°;

·        Só usar a prótese dentária caso ela esteja firme, se ela estiver solta, retirá-la durante as refeições , caso contrário, procure um dentista para avaliar a possibilidade de fazer outra;

·        Oferecer o alimento sem pressa, aguardar o paciente engolir quantas vezes forem necessárias antes de oferecer a próxima colherada;

·        Caso sobrem restos de alimento na boca pedir para limpar com a língua e engolir;

·        A colher não deve estar muito cheia e nem muito vazia;

·        Usar apenas os utensílios recomendados pelo fonoaudióloga;

·        Caso apresente voz "molhada" pedir para raspar a garganta e engolir;

·        Em caso de tosse ou engasgo, parar a oferta do alimento e comunicar a fonoaudióloga;

·        Quando houver indicação do uso de espessante para alimentos e líquidos, seguir corretamente a indicação das proporções e quantidades;

·        Seguir corretamente a consistência e quantidade indicada pela fonoaudióloga para a oferta da dieta;

·        Seguir as manobras e posturas indicadas pela fonoaudióloga;

·        Evitar fatores distrativos como televisão, rádio, conversas com o paciente, entre outros.


·        3) Após a Alimentação:

·        Manter a cabeceira do leito elevada ou o paciente sentado por mais ou menos 45 minutos.


·        4) Sinais de Alerta:

·        Engasgos;

·        Tosse antes, durante e após a alimentação;      

·        Sensação de bolo parado na garganta;

·        Pigarro;

·        Febre de causa desconhecida                                    





   Neste árduo caminho que a pessoa com Alzheimer e suas famílias atravessam, o Fonoaudiólogo, pode ser um aliado para a reabilitação de capacidades que a pessoa tem vindo a perder, assim como para atuar preventivamente, de forma retardar o aparecimento de sintomas.


  A realização de exercícios diários de estimulação da cognição e da memória ajuda os doentes de Alzheimer a retardarem a perda das suas capacidades cognitivas e, consequentemente, a sua autonomia.



Até a próxima !



Maria Paula C. Raphael

CRFa 7364-RJ

Fonoaudióloga, Sociopsicomotricista Ramain-Thiers, Docente da AVM  Faculdade Integrada, cursos de pós graduação (UCAM), Eventos em Educação presencial e on-line, Supervisora na Formação em Sociopsicomotricidade Ramain-Thiers, Palestrante em eventos de educação e saúde.

Um comentário:

  1. Minha mãe tem 91 anos, diagnosticada com Alzheimer a 12 anos e a um ano vim morar com ela,pois se alimentava pouco, seletiva nos alimentos , e se hidratava mal.Eu passava o final de semana com ela e orientava a empregada,mas chegou um momento que não dava mais para ficar a distância.
    Consegui uma melhora muito grande nesse ano,saiu da depressão, alimenta-se bem, pois dou alimentação variada e saudável. Aboli produtos industrializados.Toma sol diário, caminha e tem sempre um som onde ela está. Durante o dia o rádio, a noite televisão. Nunca mais teve infecção urinária,aumentou a variedade de alimentos ingestos e a quantidade de ingestão hídrica.Hoje ela tem Alzheimer mas com mais qualidade de vida , ela e nós familiares,eu e meu pai.

    ResponderExcluir