quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Cérebro de idosos é mais lento porque eles sabem mais

 
 
Tubinga (Alemanha) - O cérebro de idosos parece desacelerar com a idade porque eles têm muita informação para computar, algo parecido com um disco rígido cheio. Alguns cientistas discordam que isto ocorreria por um declínio cognitivo, como costuma-se dizer.
 
- O cérebro humano funciona mais devagar na terceira idade apenas porque ele armazena mais informação ao longo do tempo. O cérebro dos mais velhos não fica mais fraco. Pelo contrário, eles simplesmente sabem mais. - afirmou ao “Telegraph” Michael Ramscar, da Universidade de Tubinga, na Alemanha.
 
Usando computadores, os pesquisadores modelaram a recuperação da memória de diferentes fases da vida de um adulto, descobrindo que quando o banco de memória dos computadores era menor, o seu desempenho se assemelhava ao de um jovem adulto. Já quando o computador foi programado para recordar informações a partir de um banco de dados maior, ele pareceu com o de um adulto mais velho. Geralmente ele ficava mais lento, mas não porque a sua capacidade de processamento tinha piorado. Ou seja, o aumento da “experiência” tinha levado o banco de dados também a crescer, necessitando de mais tempo para processar a informação.
 
- Imagine alguém que sabe o aniversário de duas pessoas e pode lembrá-los perfeitamente. Você diria que esta pessoa tem uma memória melhor do que aquela que sabe dois mil aniversários, mas consegue corresponder a pessoa certa ao aniversário em nove de dez vezes? - questionou Ramscar.
 
Ao calibrar os modelos de computador para trabalhar com conjuntos de dados linguísticos, a equipe de Ramscar descobriu que os testes de recuperação de memória não levam em conta a diferença da quantidade de vocabulário entre pessoas mais jovens e mais velhas.
- Esqueça sobre ao esquecimento - comentou ao “Independent” outro pesquisador, Peter Hendrix. - Se eu quisesse que um computador parecesse com um adulto mais velho, eu tinha que manter todas as palavras aprendidas na memória e deixá-las competir por atenção.
 
O estudo fornece mais uma explicação de por que, à luz de todas as informações adicionais que têm de processar, poderíamos esperar que cérebros mais velhos sejam mais lentos e esquecidos do que os mais jovens. Pesquisadores dizem que alguns testes cognitivos, utilizados para medir a capacidade mental, podem, inadvertidamente, favorecer os jovens.
 
Um teste cognitivo chamado “aprendizagem emparelhado associado convida pessoas a lembrar um grupo de palavras que não estão relacionadas, como “gravata” e “biscoito”. Estudos têm demonstrado que os jovens são melhores neste teste, mas os cientistas acreditam que idosos têm mais dificuldade de lembrar grupos sem sentido por outro motivo:
 
- Isto simplesmente demonstra que a compreensão da linguagem pelos idosos é muito maior - disse Harald Baayen, do grupo de pesquisa de Linguística Quantitativa de Alexander von Humboldt. - Eles precisam fazer mais esforço para lembrar palavras sem relação porque, ao contrário de jovens, eles sabem muito mais sobre as palavras.
O estudo foi publicado no “Journal of Topics in Cognitive Science”.


Fotógrafo divulga ensaio emocionante sobre a criação de menina autista de 3 anos nos EUA

Criar um filho não é tarefa fácil. Para os moradores de Michigan, nos Estados Unidos, Trevor Gillett e Erica Sanchez, essa tarefa pode ser ainda mais desafiadora porque a menina deles, Michaelynn, de 3 anos, sofre de autismo e, por isso, mal fala. Mas foram os momentos de intimidade entre o casal e a pequena, que encontra formas alternativas de manifestar seu amor pelos pais, que inspirou o fotógrafo americano Clay Lomneth a divulgar uma série fotográfica na qual registra momentos emocionante do cotidiano desta família.
 
Em seu blog, Lomneth conta que passou cerca de cinco meses com o trio para fazer as fotos. Apesar de ter sido ignorado boa parte desse tempo pela pequena Michaelynn, o artista conseguiu documentar a forma com que os pais lidam com o autismo dela e as maneiras peculiares que a menina encontra para se comunicar com eles, como com carinhos e sorrisos. “É como criar um bebê em tempo integral”, falou Lomneth sobre a menina ao Daily Mail.
 
“Aos três anos, ela não sabe dizer se está com fome, se deu uma topada ou se está passando por uma crise histérica, então, tentamos de tudo para acalmá-la. Você tenta distraí-la com uma garrafa, muda a fralda ou o filme que ela está vendo... Às vezes, nada funciona”, disse o pai da pequena ao Daily Mail.
 
As fotos deses momentos foram feitas por Lomneth e fazem sucesso na internet. Confira:

Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Como diminuir a sensibilidade auditiva no Autista

As festas de fim de ano são um verdadeiro tormento para a maioria dos autistas e consequentemente para nós pais de autistas, os autistas tem sensibilidade auditiva e barulhos muito altos, ou repetitivos costumam deixa-los nervosos, desorganizados sensorialmente e as vezes com verdadeiro pânico destes sons.

A gente evita ao máximo expor nossos pequenos a estas situações desagradáveis, mas não é possível fazer isto sempre. E o réveillon é uma destas situações, mesmo que a gente não solte fogos em nossa casa, muita gente o faz! Então a gente vai falar aqui de algumas dicas para ajudar nossos filhos a passar por estas situações da melhor maneira possível

A  sensibilidade auditiva no Autista foi definido de uma forma bem fácil de entender pela Mary Temple Grandin uma autista de alto funcionamento bem sucedida profissionalmente e hoje com 66 anos, ela disse que a sua audição funciona como se ela usasse um aparelho auditivo cujo controle de volume só funciona no “super alto”. É como se fosse um microfone ligado que capta todo barulho ao redor. E ela tem duas escolhas: deixar o microfone ligado e ser inundada pelo barulho, ou desligar. Por  isso ela e muitos autistas parecem surdos, eles simplesmente desligam este sentido para não sentir o incomodo do excesso de barulho.
O que pode ser feito:

Reforço
Use o reforço positivo ou negativo: Faça o barulho que incomoda seu filho e ao ve-lo tapar o ouvido faça algo que seja incomodo para ele, como passar bucha vegetal nas mãos por exemplo. Geralmente nós mães temos dó de fazer isto com nossos filhotes, mas não é nada que vá machuca-lo ou estressa-lo, mas existe o reforço positivo, com o nosso filho ele detesta o liquidificador por exemplo e eu vou com ele para cozinha e faço o suco dele no liquidificador e não deixo ele por as mãos no ouvido quando o suco fica pronto eu explico que para ter o suco precisa do barulho e o suco passa a ser o reforço positivo!

Exercício
 1. Aprender a ouvir barulhos e sons espontâneos
Pedimos para criança para ficar em silêncio (se for confortável pra ela de olhos fechados) e escute. Pedimos para que ele observe sons como: um carro que passe na rua, o latido do cão, o som do vento, a máquina de lavar, a porta que se abre. E pedimos a criança que o identifique.

Podem ser feitos em casa, sentado em uma praça, ou onde sua imaginação mandar.
Também pedimos que a criança escute os sons dentro de sí: A batida do coração, o barulho da respiração o barulho da barriga dentre outros.

Este exercício servirá para que a criança aprenda a identificar os sons e também para perceber quais ruidos incomodam para ser trabalhados mais tarde.

A ordem será: “(nome da criança) o que você escuta?”
 
Exercício 2. Aprenda a ouvir os sons e ruídos causados.
Este exercício é realizado sentado à mesa. pede-se que se faça de olhos vendados, mas se a criança se sentir incomodada com isto se posicione atrás da criança, faça os sons e pergunte : “o que você ouve?” 

Deixo uma lista de idéias:
- papel de corte com a tesoura
- batendo na mesa com os nós dos dedos
- passar prego em alguma superfície
- bata bola
- Bater com um martelo
- afiar um lápis
- Dobre o papel
- palmas
- estalar os dedos
- Barulhos com a língua
- Apito
- Soltando um objeto no chão
- Despeje o líquido um copo
- bata com uma colher de chá em um copo
- fechar um zíper
- escreva com giz no quadro negro
- Escreva em papel
- Deixando uma xícara no pires
- Dê uma mordida em uma maçã
- Corte com uma faca
- comer algo crocante
- Assoar o nariz
- Jogue um molho de chaves no chão
- Instrumentos: flauta, castanholas, xilofone, apitos, etc
. – sons onomatopaicos de animais
... dentre outros.

Profissionais que podem ajudar   
Terapeuta Ocupacional 
Eles desempenham um papel fundamental nas dificuldades sensoriais por meio de programas e, muitas vezes a adaptação dos ambientes para garantir aos indivíduos ter uma vida tão independente quanto possível.
 
Fonoaudióloga
Muitas vezes o uso de estímulos sensoriais para incentivar e apoiar o desenvolvimento da linguagem e interação.

Musicoterapeuta 
Usa instrumentos e sons (estímulos auditivos), para incentivar e desenvolver os sistemas sensoriais, principalmente o sistema auditivo.
Trabalhar esta sensibilidade auditiva nos autistas demora um certo tempo, mas vale a pena !

sábado, 21 de dezembro de 2013

Mediação escolar e inclusão: revisão, dicas e reflexões - PARTE 2



O PAPEL DO MEDIADOR ESCOLAR

O mediador é aquele que no processo de aprendizagem favorece a interpretação do estímulo ambiental, chamando a atenção para os seus aspectos cruciais, atribuindo significado à informação recebida, possibilitando que a mesma aprendizagem de regras e princípios sejam aplicados às novas aprendizagens, tornando o estímulo ambiental relevante e significativo, favorecendo o desenvolvimento9.

O mediador pode levar a criança a detectar variações por meio da diferenciação de informações sensoriais, como visão, audição e outras; reconhecer que está enfrentando um obstáculo e identificar o problema10,11. Pode também contribuir para que a criança tome mais iniciativa mediante diferentes contextos, sem deixar que este processo siga automaticamente e encorajar a criança a ser menos passiva no ambiente. Desenvolver a flexibilidade também é importante. O mediador pode atuar criando pequenas mudanças e problemas para que a criança perceba, inicie, tolere mudanças e aprenda a lidar com estas situações.

De acordo com esses autores, por meio da mediação, a criança pode ser levada a permanecer por mais tempo em atividades sequenciais que exijam ações complexas e comunicação. Para isso o mediador pode: lançar experiências que solicitem várias etapas na resolução do problema (usando uma forma de comunicação); questionar quem quer resolver o problema; o que deve ser resolvido e oferecer recursos para que o problema seja resolvido. A oferta de recursos no auxílio à resolução do problema deve ser realizada de forma sutil, indicando, por exemplo, onde a resolução do problema pode ser procurada e quais as ferramentas necessárias.

A principal função do mediador é ser o intermediário entre a criança e as situações vivenciadas por ela, onde se depare com dificuldades de interpretação e ação. Logo, o mediador pode atuar como intermediário nas questões sociais e de comportamento, na comunicação e linguagem, nas atividades e/ou brincadeiras escolares, e nas atividades dirigidas e/ou pedagógicas na escola. O mediador também atua em diferentes ambientes escolares, tais como a sala de aula, as dependências da escola, pátio e nos passeios escolares que forem de objetivo social e pedagógico. Também pode acompanhar a criança ao banheiro, principalmente se estiver com objetivo de desfralde, auxiliando nos hábitos de higiene, promovendo independência e autonomia no decorrer da rotina. Isso poderá ser acordado junto à equipe escolar, se esta tiver auxiliar de turma, para que não aconteça conflito nas ações. Adaptar a estrutura física para organizar objetos no entorno, evitando grandes distratores ou exposição daqueles que representam manias é uma ação igualmente relevante.

Mediadores escolares também prestam apoio aos professores em sala de aula. Eles ajudam com as atividades e trabalhos de adaptação individualizada, a fim de permitir que os professores ganhem tempo com as demais atividades do dia a dia. Podem ajudar e apoiar as crianças na aprendizagem e aplicação de material de classe. Também proporcionam aos alunos uma atenção individual, quando os alunos estão tendo dificuldades com o material proposto para o resto do grupo. Algumas adaptações curriculares podem ser feitas seguindo a proposta do professor da turma e das terapias de apoio. Para tanto, é necessário conversar com a equipe terapêutica para que as ações sejam coerentes e uniformes.

A parceria entre mediador e escola favorece o estabelecimento de metas realistas no que se refere ao desenvolvimento, como também possibilita avaliar a criança de acordo com suas próprias conquistas. Como mostra a literatura, o mediador deveria ser encarado como um profissional que assume o papel de auxiliar na inclusão do aluno com deficiência e não o papel de professor principal da criança. Ele deveria ser visto como mais um agente de inclusão, na medida em que ele teria circulação pela instituição, produzindo questionamentos na equipe escolar e estando sempre atento a quando e como deve fazer sua entrada em sala de aula, sem permanecer ali esquecido e excluído junto com o aluno12. Cabe ressaltar que o mediador pode assumir o papel de ser um apoio para que a criança possa ser incluída em um processo educacional que, de outra maneira, ou seja, sem uma pessoa diretamente a apoiando numa relação um para um, poderia ser desestruturante e insuportável, tanto para a escola quanto para o aluno com deficiência13.

Em linhas gerais, observa-se que há diversos tipos de alunos que podem precisar do apoio de um Mediador Escolar, cujas dificuldades podem ser de diversas naturezas, tal qual listado (mas não esgotado) nos próximos tópicos.
Dificuldade motora geral e acessibilidade: alunos com limitações motoras, mesmo com acessórios que facilitem a locomoção ou digitação, por exemplo, podem necessitar, pelo menos num período de adaptação, de mediadores escolares. A implementação de muitos recursos só é possível com este auxílio individualizado. Adaptações de material também podem ser uma constante;
Dificuldades comportamentais importantes: determinados comportamentos, sobretudo agressivos, podem colocar em risco a integridade do próprio aluno, bem como de seus colegas. Neste caso, o mediador escolar pode favorecer interações saudáveis e, quando necessário, intervir em comportamentos que possam prejudicar alguém no ambiente escolar;
Dificuldades de concentração e impulsividade: uma criança com déficit de atenção importante pode precisar de um profissional que possa mediar sua atenção e ensiná-lo a se auto-regular no tempo, com seus materiais, facilitando assim a organização da criança, o planejamento de atividades e a antecipação das possíveis reações, como controle da impulsividade, eventualmente;
Dificuldades de leitura: Nestes casos, o mediador ajuda os estudantes a rever informações sobre trabalhos ou relatórios, aulas de revisão de classe. Compartilha leituras, para que não haja sobrecarga na tarefa. Organiza a produção da escrita, quando a dificuldade prejudica muito a expressão de seus pensamentos. Seguindo a orientação do professor de turma, busca antecipar situações oferecendo outros recursos (vídeos, fotos, experiências), para que estes não dependam exclusivamente da leitura, criando experiências diferenciadas sobre os mais variados assuntos. Adaptações de materiais podem ser importantes também. Além disso, o mediador pode aproveitar diversas situações do cotidiano escolar para estimular as habilidades necessárias para alfabetização;
Dificuldades no ensino fundamental II e ensino médio: nesta etapa escolar, o mediador muitas vezes se especializa em um assunto específico, como o Inglês ou Ciências. Ele é muitas vezes responsável por projetos especiais e pelo preparo de materiais e equipamentos específicos para determinadas disciplinas ou conteúdos;
Dificuldades na comunicação e interação: A estimulação de linguagem e da interação no ambiente privilegiado da escola visa não somente estimular a fala, como também tem o objetivo de desenvolver e promover a competência comunicativa e interacional. Comumente, este tipo de abordagem produz um efeito no comportamento geral, uma vez que o desenvolvimento da comunicação favorece as relações, bem como a organização do mesmo.
Não há uma etapa escolar restrita que precise de mediador, e sim uma demanda do aluno.


REFERÊNCIAS
1. Silveira F, Neves J. Inclusão escolar de crianças com deficiência múltipla: concepções de pais e professores. Teor Pesq. 2006;22(1):79-88.
2. Brasil. Saberes e práticas de inclusão: estratégias para a educação de alunos com necessidades especiais. Brasília: MEC: SEESP;2003. v.4.
3. Farias IM, Maranhão RVA, Cunha ACB. Interação professor-aluno com autismo no contexto da educação inclusiva: análise do padrão de mediação do professor com base na teoria da experiência de aprendizagem mediada. Rev Bras Ed Esp. 2008;14(3):365-84.
4. Weiszflog W. Moderno dicionário da língua portuguesa Michaellis. São Paulo:Melhoramentos;2004.
5. Menezes E, Santos T. Professor mediador (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. São Paulo:Midiamix Editora;2006. Disponível em: http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=198 Acesso em: 31/5/2010.
6. Philip C. Le droit et l'exercice du droit à la scolarisation pour les enfants etadolescents autistes. Marseille:Colloque Autisme et Scolarisation;2001. Disponível em: http://www.autisme-bassenormandie.org/
7. Brobst MA. Preschool shadow aide: how to shadow my child with autism at a typical preschool. 2001-2003.
8. Groom B, Rose R. Supporting the inclusion of pupils with social, emotional and behavioral difficulties in the primary school: the role of teaching assistants. J Res Spec Educ Needs. 2005;5(1):20-30.
9. Cunha ACB. Estilos de mediatização e interação mãe-criança: estratégias de promoção do desenvolvimento infantil. Psicologia: Teoria, Investigação e Prática. 2004;9:243-51.
10. Greenspan S. filhos emocionalmente saudáveis, íntegros, felizes e inteligentes. Campus;2000.
11. Brazelton B, Greenspan S. As necesidades esenciáis das crianzas: o que toda crianza precisa para crecer, aprender e se desenvolver. Porto Alegre:Artmed;2002.
12. Abbamonte R, Gavioli C, Ranoya F. O acompanhamento terapêutico na inclusão escolar, 2003. Disponível em: http://www.netpsi.com.br/projetos/acomp_terap_inclusao.htm.
13. Kupfer M. Pré-escola terapêutica lugar de vida: um dispositivo para o tratamento de crianças com distúrbios globais do desenvolvimento. In: Machado A, Souza M, org. Psicologia escolar: em busca de novos rumos. 4ª ed. São Paulo:Casa do Psicólogo;2004.
14. Mousinho R, Gikovate C. Espectro autístico e suas implicações educacionais. Revista SINPRO-Rio. 2003.
15. Carpenter M, Tomasello M. Joint attention, cultural learning, and language acquisition. In: Wetherby A, Prizant B, eds. Autism spectrum disorders: a transactional, developmental perspective. Baltimore:Brookes;2000. p.31-54.
16. Vygotsky LS. Pensamento e linguagem. São Paulo:Martins Fontes;1987.
17. Hadley PA, Schuele CM. Come buddy, help, help me!: adults' facilitation of peer interaction in a preschool language intervention classroom. In: Rice ML, Wilcox KA, eds. Building a language-focused curriculum for the preschool classroom. Volume 1- A foundation for lifelong communication. Baltimore: Brookes;1995. p.105-25.
18. Koegel L. Communication and language intervention. In: Koegel RL, Koegel L, eds. Teaching children with autism: strategies for initiating positive interactions and improving learning opportunities. Baltimore: Paul H. Brookes Publishing;1995. p.17-32.
19. Koegel L, Koegel R, Dunlap G, eds. Positive behavioral support: including people with difficult behavior in the community. Baltimore: Paul H. Brookes Publishing;1996.
20. Greenspan S. The child with special needs. Reading:Addison-Wesley;1998. p.295.
21. Sussman F. TalkAbilityTM: People skills for verbal children on the autism spectrum - a guide for parents, 2006.
22. Attwood T. Asperger's syndrome: a guide for parents and professionals. London-Philadelphia:Jessica Kingsley Publishers;1998. 223p.
23. Wellman H, Lagattuta K. Developing understandings of mind. In: Baron-Cohen S, Tager-Flusberg H, Cohen D, eds. Understanding other minds. Oxford:Oxford University Press;2000. p.21-35.
24. Brown WH. An Intervention hierarchy for promoting young children's peer interactions in natural environments. Top Early Child Spec Educ. 2001;21(3):162-75.
25. Powell S. Supporting a child with autism: a guide for teachers and classroom assistants. Kidderminster:BILD Publications;2002. p.19.
26. Simpson R, de Boer-Ott S, Smith-Myles B. Inclusion of learners with autism spectrum disorders in general education settings. Top Lang Dis. 2003;23(2):116-33.
27. Iovannone R, Dunlap G, Huber H, Kincaid. Effective educational practices for students with autism spectrum disorders. Focus Autism Other Dev Disabil. 2003;18(3):150-65.
28. Prizant B, Wetherby A, Rubin E, Laurent A. The SCERTS model a transactional, family-centered approach to enhancing communication and socioemotional abilities of children with autism spectrum disorder. Inf Young Child. 2003;16(4):296-316.
29. Rubin E. Implementing a curriculum-based assessment. Top Lang Dis. 2004;24(9).
30. Timler GR, Olswang LB, Coggins T. Social communication intervention for preschoolers: targeting peer interactions during peer group entry and cooperative play. Sem Speech Lang. 2005;26(3):170-80.
31. Soenksen A, Alper S. Teaching a young child to appropriately gain attention of peers using a social story intervention. Focus Autism Dev Disabil. 2006;21(1):36.
32. Brown WH. Practitioners' judgments of peer interaction interventions: a survey of the Division of Early Childhood (DEC) members. Little Rock:Poster Session at the International Early Childhood Conference on Children with Special Needs of the Council for Exceptional Children's Division of Early Childhood (DEC);2006.
33. Wright J, Newton C, Clarke M, Donlan C, Lister C, Cherg J. Communication aids in the classroom: the views of education staff and speech and language therapists involved with the Communication Aids Project. Br J Spec Educ. 2006;33(1).
34. Compagnon P, Poirier N. Guide pour les enseignants. D'après un texte de référence de K. Williams. pour l'association FQATED (s/data).
35. Wetherby AM, Prizant BM, Schuler AL. Understanding the nature of communication and language impairments. In: Wetherby AM, Prizant BM, eds. Autism spectrum disorders: a transactional developmental perspective. Baltimore: Paul Brookes;2000. p.109-41.
36. Coll C. Psicologia e currículo. São Paulo:Editora Ática;1987.
37. Roaf C. Learning support assistants talk about inclusion. In: Nind M, Rix J, Sheehy K, Simmons K, eds. Inclusive education: diverse perspectives. London:David Fulton;2003. p.221-40. 

 Fonte: Revista Psicopedagogia vol.27 no.82 São Paulo



 

Professora descobre método de ensino que estimula o cérebro e aumenta aprendizado

A professora Luciana Depieri Freire descobriu um método de ensino que estimula partes do cérebro até então inexploradas. Com ações simples, o aprendizado e as notas dos alunos aumenta.

 A descoberta começou quando Luciana dava aulas para deficientes na Apae (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais) de Olímpia. A educadora resolveu estimular o interesse dos estudantes usando novas tecnologias e se colocou o desafio de fazer estudantes com paralisia cerebral desenharem com o uso do mouse, um deles é Celsinho. A educadora conta que no começo a missão parecia impossível.

— Ele ficava batendo a mão sobre o mouse e o objeto caia. Era impossível fazer ele usar o mouse.  O teclado também, ele não conseguia parar com a mão no teclado, ficava batendo em todas as teclas.

A professora não desistiu e hoje o aluno consegue pintar, desenhar e até escrever no computador.
— Realmente é possível mudar e melhorar a vida e o aprendizado de todas essas crianças, mas é preciso ter determinação, paciência, porque às vezes isso requer um tempo. Cada pessoa vai responder de uma forma.

O caso de Celsinho fez Luciana desenvolver uma pesquisa independente, desenvolvida com a ajuda de médicos neurologistas na faculdade de medicina de São José do Rio Preto. O estudo descobriu quando o aluno desenha com a mão esquerda (caso seja destro) estimula partes do cérebro que até então não foram exploradas. Isso fez aumentar a capacidade de atenção e aprendizado dos estudantes.

— O que importa bastante são as linhas e curvas que as crianças precisam desenvolver para poder estimular o cérebro, não é a beleza do desenho.

A pesquisa foi reconhecida. Atualmente as técnicas que a professora desenvolveu são aplicadas em todas as escolas da rede municipal da cidade de Olímpia.

O MEC (Ministério da Educação) destacou o projeto como um importante recurso pedagógico.

Assista ao vídeo: 

Dicas para estimular crianças autistas

Diariamente procuro novos estímulos que possam ajudar no desenvolvimento do meu filho, mas tento tomar muito cuidado para que o estimulo não se torne rotineiro e desinteressante, de forma a cativar o interesse e curiosidade do meu filho, para isso procuro sempre recolher informações junto de terapeutas, pais com filhos autistas, livros etc. Resolvi escrever este artigo com alguns que estímulos que já testamos e fizeram toda a diferença no dia a dia do nosso filho, ajudando nas habilidades cognitivas, motoras e sensoriais.

Estimular crianças autistas

- Tablet -  como já foi citado em outro artigo o Tablet pode transformar a vida do autista  , utilizamos o tablet com diversos jogos que estimulam as suas habilidades cognitivas, motoras e sensoriais, para alem de se divertir a criança consegue um estimulo essencial para o seu desenvolvimento, mas é necessário ter alguns cuidados, como por exemplo o tempo que uma criança pode se dedicar ao tablet. Atualmente permitimos que o nosso filho interaja com o tablet de uma a duas horas diárias, por ele ficava o dia todo.

- Contacto Visual –  Para a maioria dos autistas olhar nos olhos não é uma tarefa fácil e sem esse contacto por vezes fica “impossível” brincar com um autista, estimular seus sentidos entre outros aspectos o contacto visual é essencial,  fazer com que uma criança aceite o contacto visual auxilia no seu aprendizado, o autista  começa a perceber expressões faciais e passa a entender mais o que o outro espera dele. Como já falamos anteriormente no artigo Estimulando o contato visual no autista . Para realizar esses estimulo um dos cuidados que temos é estar sempre ao nível dos olhos dele quando conversamos com ele, brincamos ou estimulamos ele de alguma forma esse contacto no inicio não é fácil mas ele é extremamente importante para o seu aprendizado e para dizer para ele que alguém esta a interagir com ele. hoje o nosso filho “cobra” esse olhar e esta a interagir muito mais com outras pessoas, olhando nos olhos delas, Acesse o artigo Estimulando o contato visual no autista. nele pode encontrar um vídeo que ensina diversos estímulos que visam o contato visual

- Brincar na frente do espelho –  ficar na frente do espelho é possível mostrar as expressões faciais, partes do corpo e realizar brincadeira de forma a captar a sua atenção, como olha o  papai a fazer caretas , oh quem esta aqui no espelho? o que a mamãe esta a fazer?

- Rede - A rede auxilia o autista a se organizar, diminui a ansiedade e pode ser uma atividade bem divertida, procure estimular a imaginação do seu filho utilizando a rede como um brinquedo, pode ser barco, avião e o que mais a imaginação de vocês quiserem.

- Cama Elástica - Já falamos dela aqui em Cama Elástica e autismo, muitos autistas sentem a necessidade de pular e a cama elástica absorve esta necessidade, além de auxiliar na organização e diminui a ansiedade e nervosismo.

- Brincar com Massas - As massinhas de modelar diminui a defensibilidade tátil do autista além de ajudar no aprendizado das cores e formas geométricas.

- Cartolina – Crie uma cartolina com varias texturas, para criar essas texturas pode colar na cartolina  algodão, grãos de feijão, Bombril, pequenos pedaços de pano, etc. Essa cartolina com texturas vai ajudar a criança autista com as suas sensibilidades de toque.

- Caixas com furos -  Faça um buraco numa caixa ou lata  do tamanho de tampas de garrafa  e brinque com a criança faça com que ela insira as tampas de garrafa nos furos das caixa, vai se surpreender eles adoram.

- Brinquedos –  Procure comprar ou fazer brinquedos criativos que visam o aprendizado, brinquedos artesanais são excelentes, como quebra cabeças de blocos, de animais, rostos humanos, carros, aviões, etc eles são fáceis de manusear estimulam o contacto com os blocos e o raciocino da criança; brinquedos psicomotores que tem como objetivo transferir os objetos de um lado para o outro; formas geométricas, cores e tamanhos diferentes para a criança aprender a distinguir  suas formas e cores; Alfabetização com livros de plástico, pano ou peças de madeira com números e letras; Jogos de montar, como lego. blocos de numeração ou letras entre outros brinquedos existem uma variedade de brinquedos que auxiliam o aprendizado da criança e que podem ser trabalhados com autistas para estimular e ajudar na superação de suas “dificuldades”

Estimular crianças autistas não é uma tarefa fácil, seja criativo, faça as suas brincadeira, insista, não desista nunca porque uma hora a criança cede e o surpreende querendo mais estimulo, cobrando as brincadeiras, cobrando os estímulos e por vezes se senta e realiza aquela atividade aquela brincadeira sozinho, isso é extremamente gratificante.

Brasileiro que reverteu a doença em laboratório diz que tratamento é possível, mas faltam recursos





Pesquisa. O cientista brasileiro Alysson Muotri trabalha em seu laboratório de medicina regenerativa, na Universidade da Califórnia, Estados Unidos, para desvendar o autismo
Foto: Arquivo Pessoal


Pesquisa. O cientista  brasileiro  Alysson  Muotri  trabalha  em  seu 
laboratório de  medicina regenerativa, na  Universidade da Califórnia, 
Estados Unidos, para desvendar o autismo / Arquivo Pessoal

Existem no Brasil dois milhões de pessoas diagnosticadas com autismo, segundo estimativas. Nos Estados Unidos, os números são oficiais: a incidência é de uma em cada 88 crianças. Por trás das estatísticas, estão familiares e pacientes, que se esforçam todos os dias para lidar com o transtorno neurológico, que afeta a comunicação, a sociabilidade e o comportamento. Mas que agora enxergam uma luz no fim do microscópio: um jovem cientista brasileiro, Alysson Muotri, de 38 anos, radicado nos Estados Unidos, está surpreendendo o mundo acadêmico com suas pesquisas que desenvolveram neurônios derivados de pacientes autistas e os reverteu ao estado normal. Os resultados do experimento mais recente, de janeiro, estão em fase de revisão e devem ser publicados ainda este ano. Atualmente, uma campanha no Facebook, liderada por pais de crianças com autismo, busca apoio do governo brasileiro às suas pesquisas.

O que o motivou a pesquisar sobre autismo?
A capacidade social humana é única entre as espécies. Pesquisar o autismo e outras síndromes que afetam o lado social é uma forma de ganhar conhecimento sobre a complexidade do cérebro social humano. Foi isso que me motivou a estudar o autismo inicialmente. Hoje em dia, minha motivação vem do potencial da pesquisa em ajudar os pacientes e familiares. Nasci ouvindo que o espectro autista não tem cura, mas, para mim, isso é um mito.

Em 2010, você e sua equipe conseguiram acompanhar o desenvolvimento de neurônios derivados de pacientes com a Síndrome de Rett, uma forma mais grave de autismo, e revertê-los ao estado normal. Como isso aconteceu?
A partir da tecnologia de reprogramação celular do pesquisador japonês Shynia Yamanaka. Células adultas são revertidas ao estado embrionário, como ferramentas para entender a origem de doenças neurológicas. Reproduzimos neurônios do espectro autista usando a tecnologia de Yamanaka e conseguimos corrigir o defeito genético nos neurônios, evitando o aparecimento das “características autistas”.

Este ano, vocês fizeram o mesmo com células de pacientes com o autismo clássico. Quais as diferenças e semelhanças entre as pesquisas? Houve avanços?
O trabalho, ainda não publicado, basicamente revela a mesma coisa. Fomos mais fundo dessa vez e descobrimos um gene novo implicado nos defeitos neuronais. Mais ainda, revelamos que em alguns casos de autismo clássico existem vias bioquímicas que são comuns à síndrome de Rett. Estamos empenhados, agora, em implementar uma triagem de drogas automatizada, procurando por novos medicamentos que sejam seguros para uso clínico.

Encontrar a descoberta de uma droga eficaz é, hoje, uma questão de tempo ou de financiamento?
Certamente uma questão de financiamento. Temos o modelo e as bibliotecas químicas, mas precisamos de financiamento para juntar as duas coisas. No meu laboratório, leva-se anos para testar algumas drogas manualmente. Queremos testar milhares de drogas em poucos meses usando métodos automáticos.

Seria possível considerar um prazo estimado para que sua pesquisa se reverta em uma medicação disponível para venda no mercado?
O prazo estimado é de 10 anos, incluindo os ensaios clínicos e considerando que teremos uma nova droga experimental nos próximos 2, 3 anos.

Já existe interesse de laboratórios farmacêuticos?
Estamos namorando com alguns, mas ainda não há nada de concreto. A indústria farmacêutica tem medo de entrar num negócio novo e arriscado, e prefere esperar pelos avanços da academia, o que é mais vagaroso. Esse tem sido o quadro atual na minha constante busca por captação de recursos. Muitos laboratórios farmacêuticos hoje focam em doenças como câncer ou de metabolismo (hipertensão, obesidade etc). É preciso uma mudança de paradigma.

Muitos falam em epidemia de autismo, com 1 em cada 88 crianças diagnosticadas dentro do espectro nos EUA. Há alguma explicação para o aumento do número de casos?
Ainda é cedo para falar em epidemia. Os números podem representar uma melhora do diagnóstico, conscientização dos médicos ou mesmo interesse dos pais em classificar crianças menos afetadas dentro do espectro autista para conseguir recursos financeiros do governo americano. É um quadro complexo e temos que esperar pesquisas nos próximos anos para entender se o número de crianças autistas está de fato aumentando. Se for confirmado, pode realmente ser algo ambiental que ainda desconhecemos.

Você não acha que, para um percentual de casos tão alto, pouco investimento se fez até hoje? No Brasil, especialmente?
Com certeza. O autismo custa anualmente US$ 35 bilhões para a sociedade americana, porém, são investidos apenas US$ 100 milhões em pesquisa. É uma discrepância muito alta. Não tenho ideia dos números no Brasil, mas imagino que o investimento seja muito menor. Acho que o quadro de autismo atual pede um plano nacional de ataque.

É verdade que você e a mãe de um rapaz autista trabalham num projeto de um centro de excelência no Brasil?
Sim, é verdade. É um mega projeto, de um centro com diversos departamentos, incluindo pesquisa, treinamento médico, tratamento, educação, capitalização de recursos . Dentro de cada um desses departamentos, autoridades no assunto serão responsáveis por manter um ciclo multidisciplinar, por exemplo: o grupo de educação irá ate uma cidade explicar aos médicos o que é o autismo. Alguns desses pediatras receberão treinamento pra diagnóstico. Novos casos serão encaminhados ao centro, onde a família vai receber apoio e pode optar por incluir o paciente em pesquisa. Diversas pesquisas estarão acontecendo, incluindo potenciais ensaios clínicos e estratificação do espectro autista baseado em, por exemplo, genética e comportamento. Essa é uma visão geral. Mas acho que é uma forma de agregar as diversas ideias e atividades sobre autismo no Brasil, que, ao meu ver, estão pulverizadas. Essa falta de organização faz com que o movimento pró-autista no Brasil não tenha força política.

Você firmou recentemente uma parceria com a Microsoft, que estaria interessada em contribuir com suas pesquisas. Como isso poderia acontecer?
A ideia é usar a parceria da Microsoft no desenvolvimento de uma plataforma inteligente para leitura e quantificação automática das sinapses formadas nas culturas de neurônios em laboratório. Seria a automatização de mais um passo do processo. A biologia já provou que o modelo funciona, precisamos agora da engenharia para acelerar e otimizar o caminho.

Fonte: Jornal O Globo