domingo, 19 de abril de 2015

Psicomotricidade e a Síndrome de Down


Psicomotricidade e a Síndrome de Down



Dia: 17/10/2015
Horário: 09h às 17h
Local: Estácio - Avenida Nossa Senhora de Sabará, 765 - Chácara Flora, São Paulo - SP (estacionamento gratuito no local)
E-mail: contato@creativeideias.com.br
Telefone: (21) 2577 8691 | (21) 3025 2345 | (21) 98832 6047 (oi) | (21) 98189 1109 (Tim)
Carga Horária do certificado de participação: 8 horas.

PÚBLICO ALVO:
Fonoaudiólogos, Psicomotricistas, Professores, Psicólogos, Psicopedagogos, Terapeuta Ocupacional, Mediadores (Estagiários, Monitores e/ou Facilitadores), Pedagogos eEstudantes de Graduação e/ou Pós e demais interessados no assunto, além de profissionais das áreas de saúde e educação.

OBJETIVO:
Mostrar como a pessoa com Síndrome de Down pode desenvolver sua integração e independência social através de atividades psicomotoras.

CRONOGRAMA (sujeito a alterações):
9h às 10h - Credenciamento
10h às 12h30 - Palestra
12h30 às 14h - Almoço Livre
14h às 17h - Palestra
17h - Encerramento com sorteio de brindes e entrega dos certificados


PROGRAMA DO CURSO:
a) Fundamentos da Psicomotricidade;
b) Algumas das características físicas das crianças com síndrome de down;
c) Cuidados especiais que se deve ter;
d) Tratamento;
e) A importância da família;
f) Desenvolvimento motor;
g) Como deve ocorrer a aprendizagem da pessoa com síndrome de down;
h) Pontos que devem ser considerados quanto à educação da pessoa com síndrome de down;
i) Estimulação precoce no desenvolvimento motor;
j) Atividades.


Fátima Alves - Fonoaudióloga, Psicomotricista titulada pela SBP, Sócio-terapeuta Ramain-Thiers, Mestre em Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente. Docente da Pós-graduação presencial e da Licenciatura a distância em Pedagogia da AVM Faculdade Integrada. Orientadora de monografia dos cursos de Psicomotricidade e Arteterapia da AVM Faculdade Integrada. Professora dos cursos de pós-graduação em Psicopedagogia e Educação Inclusiva da FAMESP. Presidente da ABP, gestão 2008/2010. Autora dos livros da WAK Editora: “Psicomotricidade: corpo, ação e emoção”; “Como aplicar a Psicomotricidade: uma atividade multidisciplinar com Amor e União”; “Psicomotricidade e o Idoso”; "Para entender Síndrome de Down" entre outros.


Os livros da Fátima Alves (acima) serão comercializados no dia do curso.




INVESTIMENTO (para pagamento até a data limite e limitado a capacidade total do auditório) - de R$ 200,00 por:


  • até 29/05/2015
R$ 80,00 - individual (cartão) 
R$ 70,00 - individual (depósito)
R$ 60,00 - por inscrito (depósito) - grupo a partir de 4 pessoas


  • até 07/08/2015
R$ 90,00 - individual (cartão) 
R$ 80,00 - individual (depósito)
R$ 70,00 - por inscrito (depósito) - grupo a partir de 4 pessoas


  • até 09/10/2015
R$ 99,00 - individual (cartão) 
R$ 90,00 - individual (depósito)
R$ 80,00 - por inscrito (depósito) - grupo a partir de 4 pessoas



INSCRIÇÕES: www.creativeideias.com.br



segunda-feira, 13 de abril de 2015

Coluna do dia: MINHA VIDA E O AUTISMO – Conhecendo e Vencendo os desafios do TEA!



Olá queridos leitores, depois de uma breve pausa em meus relatos, começarei contando alguns dos desafios que precisei vencer no auge de uma crise financeira em nossa família, com duas crianças pequenas, um relacionamento conturbado, a distância dos parentes, um engajamento na luta pela causa ‘autista’, um TURBILHÃO de sentimentos que pareciam querer explodir dentro de mim e um cérebro tomado por pensamentos sem pausa!

Como contei na penúltima coluna sem me aprofundar, nessa época difícil da minha vida, enfrentávamos dificuldades financeiras para continuar pagando o tratamento de Helena e Tom, na busca por mais conhecimento a fim de ajudá-los em seu desenvolvimento e em uma possível troca de tratamento para o serviço público. Desta forma, dediquei-me a estudar mais.

Foi quando tive a oportunidade de participar da minha primeira jornada de ‘Neuroeducação e Neurociências’ pela Creative Ideias. Nesta jornada, neste dia, três momentos marcaram minha vida para sempre e mudaram bastante a minha visão sobre DEFICIÊNCIA, além de ampliarem minha compreensão sobre o Autismo e reforçarem o que eu já tinha aprendido, com Vera Lucia Mattos e Ediusa Araújo, sobre linguagem e comunicação autista (uma ansiedade para muitos pais e familiares). Neste momento, também ouvi. pela primeira vez, alguém falando sobre Hipoplasia Cerebelar.

O primeiro momento foi a palestra “Desenvolvimento Psicomotor da criança”, ministrada pela Profª. Ms. Fátima Alves. A psicomotricidade era um assunto que já fazia parte da minha vida, porém nunca tinha ouvido ou visto alguém palestrar com tanto entusiasmo como ela! Eu me encantei pela maneira com que ela apresentava o olhar da criança independente de síndrome, transtorno ou qualquer outra deficiência. Ela partia do seguinte princípio: CRIANÇAS são sempre CRIANÇAS! Então aquela mulher de baixa estatura (com todo respeito) tornou-se pra mim, uma ‘gigante’. Daí em diante, eu passei a ler seus livros publicados pela editora WAK com avidez e esperança.

Outra surpresa também marcou esse primeiro momento: ao fim dessa palestra, Thiago (diretor do Creative Ideias) havia preparado um vídeo com depoimentos para homenagear a Profª. Fátima, pois, acreditem, era o aniversário dela, e ela estava comemorando conosco, pode isso? Deste momento em diante, o estudo da psicomotricidade se tornou fundamental para a minha relação com meus filhos e para o entendimento de seus comportamentos.

O segundo momento foi a palestra “NeuroEducação em sala de aula” com Profª Dra. Rita Thompson. Um luxo de conhecimento. Ao final de uma mega troca e conhecimento, ela finaliza sua ‘fala’ com a imagem de seus netos e, emocionada, divide conosco a preocupação em relação aos comportamentos ‘fora do padrão’ que podem ser observados já na tenra idade e o quanto ela fica atenta a cada novo bebê que chega a família. Nessa hora, muitos como eu ficaram emocionados e pensei: “Gente, alguém como a Rita Thompson, tem as mesmas preocupações que EU e tantos outros pais! Com tanto conhecimento, anos de profissão, ela se sente tão responsável em observar algo DIFERENTE em suas crianças quanto nós!”.

Não era um alívio, era uma constatação: ‘EU realmente não estava sozinha!’ Isso me fez sentir próxima daquela mulher que eu assistia com admiração. Certamente ela não sabe dessa parte, nossa proximidade só ocorreu alguns encontros mais tarde, em outros seminários. Hoje, carinhosamente, eu a chamo de nossa ‘NEURODIVA’!

Afinal, segundo Rita, em minha aula do curso “Aprimoramento em Autismo”, ministrada por ela, e minha experiência com meus filhos, a ESTIMULAÇÃO PRECOCE melhora e muito o prognóstico de uma criança no TEA (transtorno do espectro autista), mas para que isso ocorra os profissionais de saúde, bem como os pediatras precisam estar atentos aos sinais  do TEA nos primeiros 12 meses de idade. Por exemplo: a ausência do sorriso social, a falta de respostas quando chamadas, a demonstração de respostas afetivas mínimas, crianças mais passivas, aversão ao toque, maior incidências de posturas anormais (como Helena que não sentava, mal sustentava a cabeça aos 6 meses), referências estas tidas como alguns dos marcadores precoce (Dawson et. al., 2004; Kabot et. al., 2003; Robins et. al., 2001; Charman et. al., 1997).  Com esse olhar o pediatra poderá orientar as famílias e dar os encaminhamentos devidos. Essa conduta médica pode mudar as condições de nossos filhos.

Por fim, o terceiro momento marcante da jornada foi a palestra do professor de educação física Fabrício Cardoso, tão alto que chamava atenção. Sua palestra chamava-se ‘TDAH e Exegames’. Por que ele me marcou? Pela primeira vez, eu ouvi alguém falar sobre ‘Hipoplasia Cerebelar’ sem se aprofundar muito (uma má formação no cerebelo, falarei a respeito na próxima coluna). A palestra não era sobre esse assunto, mas sua referência me estimulou, pela primeira vez, a tentar conversar com o palestrante, coisa que eu não fiz com nenhum palestrante, durante toda a jornada. Ele foi muito receptivo e pediu para ver os laudos de Helena. Estes foram enviados por mim mais tarde através de emails, assim, fomos conversando até os dias de hoje, muito competente, didático e expressivo Fabrício.

Por que estou contando tudo isso a vocês com tantos detalhes? Vocês devem estar se perguntando: o que isso tem haver com o autismo e meus filhos? Eu respondo: TUDO! A ‘fala’ e a ‘leitura’ dessas mulheres vão me acompanhar pelo resto de minha vida porque mudaram minha forma de pensar e agir diante de meus filhos e do TEA. Fora que, com isso, pude entrar em suas vidas e diretamente dialogar com elas até hoje. Esses estudos e convívios me deram força para enfrentar momentos difíceis e sanar quaisquer dúvidas que eu tinha para enfrentá-los, tanto com meus filhos, quanto com os pais de outras crianças com TEA.

Aproveito para agradecer Fátima, Rita e Fabrício que me possibilitaram conhecer esse universo em que meus filhos estão inseridos!!! E dizer que para não ficar cansativa essa leitura, na próxima coluna conto sobre o desfralde de Helena, a Hipoplasia Cerebelar, o Refluxo de Tom e os ganhos pelo tratamento e  estimulação.

Beijos até a próxima.




sexta-feira, 10 de abril de 2015

Coluna do dia: O corpo que sonha, aprende e transforma



          O corpo de pensamento iluminado por uma escuta mais sensível desse coração de olhar mais humano e compreensivo. Ele tem que dar respeito e receber respeito, todos os respeitos, até mesmo o respeito do sofrimento e da angústia de quem está ao nosso redor. O corpo agita o ser humano e é nele que moram as grandes emoções, exultando a vida e realizando desejos para aprender a conviver com a solidão e aceitar a própria pequenez de uma inquietação humana. O corpo sonha, mas precisa levar o sonho a concretude em busca das relações, transformando a capacidade de comunicação simbólica e reconstruindo novas formas de sensações condizentes e adequadas às realidades. O corpo leva as relações humanas revelando a existência de referências sociais, éticas e espirituais, gerando valores humanos fundamentais para uma natureza complexa e encontrar soluções compatíveis para uma transição da humanidade. Acredito piamente que ainda é possível continuar admirando o brilho intenso das estrelas e alimentar utopias e sonhos a serem materializados.

          Para tudo requer mudanças. Faz-se necessário aguçar e intensificar diferentes diálogos para expressar informações concretas de práticas educacionais e organizacionais que implicarão na disciplina dos pensamentos, das emoções e dos sentimentos. É um diálogo corpóreo na tentativa de comover, sensibilizar, ir ao encontro da humanização das práticas técnicas que nos faz profissionais humanos e não máquinas de realizar procedimentos. Na verdade, estamos enfrentando tempos incertos, e por conta disso precisamos necessariamente criar circunstâncias para que a aprendizagem aconteça, dentro e fora da escola e assim construir competências que imprimam interações entre professor e alunos com intencionalidade e também entre as pessoas e que possamos conseguir viabilizar um fazer pedagógico com o desejo de cuidar e educar.

           O corpo faz parte do nosso cotidiano e ele acompanha a nossa existência, adota um tipo de postura e se toma objeto do conhecimento, impondo uma realidade concreta que se move e se manifesta através de práticas e técnicas que implicam nos gestos, posturas e movimentos e na afetividade que tem um papel importante neste corpo existente. Esse corpo faz pensar a respeito da importância da vida, dos encontros, da natureza, do que é possível e impossível, considerando as devidas aproximações e distâncias para assumir um lugar que afirma a potência imanente do afeto, intensificando a existência de um corpo criativo.  O dualismo mente-corpo sempre atento às potências afetivas do intelecto, leva a expressões finitas, a produtividade em constante transformação para ativar ideias na mente que constituem a essência do sujeito como ser integral. A ideia do dualismo é adquirir expressividade rítmica, criando organizações perceptivas por intermédio do corpo em movimento e aprendemos possibilidades de variações intensas que transpassam a arte das emoções, dos sentimentos, da imaginação, facilitando a cognição, o raciocínio, à tomada de decisão e à atenção, entre outras capacidades.


          Falar de corpo é representar com palavras o que vivo no dia a dia. Tenho conhecidos, colegas, amigos que me fazem representar o que mais me encanta, que é ensinar, tento deixar vestígios que um corpo deixa sobre o outro com sentimentos compreendidos no conjunto das afeições. São afetos que transitam quando a quantidade de realidade se afirma no espírito como força de existir. Acredito que os corpos são afetados uns pelos outros, isso é relação, isso é o primeiro gênero de conhecimento, é o efeito que um corpo produz sobre o outro. Tento expressar e afetar a natureza do corpo profundamente e envolver as singularidades de cada corpo, pois a minha intenção é fazer este corpo sonhar, aprender e transformar.

Até a próxima!


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Coluna do dia: O mundo PAULO BARROS e a escola




"Quando só se pensa como sempre se pensou, só se vai manter o que sempre se manteve - as mesmas velhas ideias". (Michael Michalko, um dos mais importantes treinadores da criatividade nos Estados Unidos)

Sem sombra de dúvidas, as formas de pensar mudaram. Se elas ficaram mais velozes, mais superficiais, mais simples, mais incompreensíveis, mais dinâmicas, não sabemos ao certo, mas elas mudaram e essa mudança vem mudando as dinâmicas da sociedade quiçá da escola. Neste viés, as práticas de ensino estão precisando de upgrades urgentes. Sei que muitos já falaram sobre isso, pelo menos, há uns 10 anos se fala sobre isso, mas, ainda assim, é perceptível a forte resistência de todos, todos mesmo, quanto à consciência efetiva destas ‘outras’ formas de pensar e suas práticas redimensionadoras dos comportamentos cognitivos, emocionais e físicos. Desta feita, há a constante necessidade de livros e livros sobre o assunto.

Só que é justamente ai o meu incomodo. Livros e livros sobre o assunto, e a velha performance do ‘aprender a aprender’ com um privilégio absurdo sobre a concepção do conhecimento. Hoje eu quero pensar, junto a vocês, sobre o aprender FAZENDO, algo importante aos cérebros aprendentes, às relações afetivas (ou não) e a chamada ‘criatividade’. E sem querer eu me defrontei com a leitura de um livro de/sobre PAULO BARROS (carnavalesco) e suas formas de pensar (criar) enredos carnavalescos. Eu então parei para pensar em outra dimensão: o mundo PAULO BARROS na escola.

Há um mantra na escrita e na fala acadêmica: a geração atual (aprendentes da modernidade / nativos digitais) precisa aprender por desafios, por colaboração, através da proatividade e de forma contextualizada. Mais do que os conteúdos, é preciso criar uma ‘neuróbica’ das informações até a criação de pensamentos que solucionem atividades ou que gerem criticidades realistas e criativas. Nossa, que lindo! Só que todo docente quer saber COMO? Essa é a pergunta do docente do século XX, com conhecimento do século XIX, pensando no aluno do século XXI: COMO? Diante de nós, a percepção da mudança das formas de pensar e agir criando dificuldades aos docentes imersos em políticas públicas pouco afeitas à valorização da Educação e do educador, por exemplo. Há o choque de sensações. Há o sentido real da obsolescência. Há grande dificuldade nas resiliências. Mas o COMO permanece sem sutilezas.

Somos todos inteligentes. Somos todos sensórios em processo de racionalização para sobreviver e conviver. Logo DESAFIAR perpassa por algumas palavras-chave: CURIOSIDADE, FLEXIBILIDADE, DISPONIBILIDADE e, por fim, CRIATIVIDADE.  A inteligência, capacidade de se orientar em meio a situações novas e desconhecidas, A PARTIR, por exemplo, da curiosidade (desejo de conhecer), é estimulada quando, segundo Sidarta Ribeiro, o cérebro é desperto a realização de atividades cujas predições criam outras neurovias comparativas contínuas em busca de soluções ou resultados. Em cena, a dopamina, neurotransmissor que se ativa imediatamente após o estímulo e a recompensa. Há o acontecimento de um processo cognitivo complexo e a neuroplasticidade, adaptação do sistema nervoso às diferentes exigências internas e externas para continuar sobrevivendo, acontece intensamente. O aprendente cria memória, aprender ‘a saber’ e sabe!

Do que estamos falando? A experiência de expressão de si para o outro ‘fora da caixa’. Estamos falando da possibilidade de experiências (projetos) fora do padrão. Estamos falando de cérebro necessitando de estímulos diferentes para também pensar diferente. Estamos falando em inaugurar criatividades. E Paulo Barros pode nos ajudar. Para começar a discussão, vamos entender o que seja essa tal ‘criatividade’.

Criatividade (do latim = creatio = criação) é a capacidade de pensar produtivamente à revelia de regras; e é criar coisas novas combinando de maneira inusitada o saber já disponível. Todos nós estamos à procura de uma ideia luminosa. Segundo Kraft (2004, p.46), “desde a invenção do fogo, da roda e da imprensa, até a penicilina e a fissão nuclear – nosso desenvolvimento evolutivo só foi possível graças a um fluxo inesgotável de lampejos criativos do intelecto. E onde tem origem todas essas ideias? No cérebro!” È um processo psíquico, mas além de inédita, a presença da criatividade precisa ser útil e adequada aos estímulos (atividades, projetos) propostos: prática de ensino é fonte do conhecimento de longa duração, e não engodos ou passatempos.

Mas tudo é promessa, parte de uma promessa, cujos aliados devem ser o DESEJO, o FOCO, a ATENÇÃO e a PRÁTICA. Nesse nosso mundo ‘diferente’, a criatividade só surge se incentivarmos ou tivermos mentes abertas, pouca autocensura (controle da cognição) e calma. Vamos acalmar o nosso córtex pré-frontal e criar pequenos desligamentos, por exemplo, das regras / certezas / aprendizados / egos / práticas de sucesso. Vamos ESCUTAR os outros e nos sensibilizar realmente. A criatividade precisa de atenção desfocada: é pensar além do próprio umbigo. Fuga do mesmo. Mais ondas alfa no córtex pré-frontal, típicas da vigília relaxada. Então, um lembrete: em geral, a criatividade, não sabe trabalhar com pressão.

Não nos enganemos, em nenhuma profissão, nada deve ser encarado como um dom de realizar ações magníficas e de sucesso. Não somos Midas em tempo integral! Aprender a fazer é fazer racional e não apenas enlouquecer o imaginário ou o futuro em prol da moda INOVAÇÃO. Segundo Barros (2013), prestem atenção, SEGUNDO Paulo Barros, “show de estratégia e criação dependem muito de trabalho, comprometimento, sorte e [ai sim] criatividade. É fazer a diferença apesar de tudo, mas com responsabilidade, escuta e compartilhamento. É procurar soluções para o que então parecia impossível. Enfim, o que prende a atenção não são os protocolos pré-estabelecidos, mais sim os encantamentos.”

Fato: nem só de teorias vive a educação. Educar é uma questão de humanizações constantes ao bem estar e à convivência de qualidade em sociedade. Não há passe de mágica! Soluções inovadoras se realizam a partir do conhecimento e aprendizado, de tentativas e acúmulo de experiência em muitos contextos. Há limitações técnicas para a execução do trabalho? Há sim. Mas também deve haver o desejo sincero de superá-las. ‘Talvez não encontremos respostas, mas é bem provável que encontremos novas perguntas. E podem tirar o cavalinho da chuva porque, com essas, nós teremos que nos virar’, [ou seja,] provocar o imprevisível, o imponderável e o inesperado’ é o que deveria mover os diferentes docentes na atualidade. (BARROS, 2013, p.45)

Temos que ter, como docentes, mais descontração e distância do que nos causa estresse e/ou ansiedade. Estamos dentro do processo de discernimento, ponderação, equilíbrio convergente de pensamento e emoções. Em um momento qualquer, novas associações irrompem e o espírito criativo finalmente recebe a tão esperada recompensa: a iluminação, o conhecimento intuitivo, (BARROS, 2013, p.51) a criatividade de pensamento. Ou como afirma Paulo Barros, em um momento qualquer, devemos trocar de lugar com o outro e “buscar descobrir como ele vai se sentir, interagir, estimulando sensações que já fazem parte do cotidiano das pessoas [que] podem surpreendê-las porque se manifestam onde menos se espera”. (2013, p.55).

Mas a falta de inventividade não é aliviada. Alguns chamam de ‘preguiça mental’; outros, de displicência, indiferença, desmotivação. Uma pena! A criatividade não é um dom dos deuses, ela precisa ser estimulada e, muitas vezes, treinada. “É preciso criar condições básicas necessárias para se aproveitar ao máximo o potencial criativo de cada um, bastando para isso, mudanças na postura e nas condições circundantes que se oferecem. E o que está em questão, de início, são coisas aparentemente muito simples: curiosidade, vontade de surpreender-se, a coragem de derrubar certas muralhas intelectuais e a confiança em ser capaz” ( KRAFT, 2004, p.46). É preciso se automotivar para ‘por a mão na massa’ e, de novo, interferir e provocar os processos de mudanças.

Nesta perspectiva, será que o imponderável é eliminado? Não! “Tem coisas que você não espera e acontecem e outras que você espera e não acontecem” (BARROS, 2013). Logo, “propor mudanças é saber enfrentar normas estabelecidas que muitas vezes limitam o seu trabalho. É preciso conhecer as regras e usar os instrumentos do passado para construir um futuro diferentes. Essa é a maior dificuldade. Uma solução diferenciada que não (fira) o regulamento, mas contorna o obstáculo imposto a ele. (p.71)

Projetos inovadores devem causar memórias de longo prazo: nunca esquecimento! “Não se conta a verdadeira história do homem só com poesia e prazer. As cicatrizes da alma são a melhor forma de proteção contra novas feridas” (BARROS, 2013, p.57). É preciso enxergar e não somente ver: este é um condicionamento para autoconhecimento e mudança da direção do olhar, e assim desvenda-se a mágica do saber viver e do saber fazer.

Segundo Barros (2013), “o mais difícil é desligar o piloto automático de quem faz a mesma coisa há anos. Eu dependo de outras pessoas e os projetos muito diferentes esbarram em dificuldades. Eu dependo de que cada um cumpra bem o seu papel.” (p.80). E, na escola, o processo de mudança é uma luta constante. As pessoas insistem num padrão por comodismo. O padrão constrói o conforto. E o conforto engessa, estatiza. Difícil remexer nesta lagoa e abrir caminho ao mar. “Qualquer processo mais elaborado, tecnicamente pensado, muda a execução. Logo muda-se a forma de construção” (p.81). São criadas novas situações e se torna necessário dar mais elasticidade e mobilidade a esse invólucro. Difícil mudar o costume do pensamento estático (padrão) e dar movimento, outros movimentos ao fazer pedagógico, levando em consideração os novos contextos, as novas formas de pensar e as novas relações. Difícil superar o ‘tá bom assim’, ou o ‘sempre funcionou assim’, ou o ainda ‘não liga, vai funcionar de qualquer jeito’ (p.81): eis o princípio do COMO com que iniciei o texto.

Como o pensamento e a ação criativos exigem trabalho e rotina, o docente deve iluminar pontos do seu conteúdo de diferentes ângulos conhecidos e desconhecidos. Soluções novas surgem da reordenação de ideias, noções e intuições existentes, como peças de um jogo de montar. É o aprender fazendo. É experimentar outros ‘COMOs’ de forma a cotejar potencialidades silenciosas / silenciadas. Portanto, COMO fazer? Siga algumas dicas para o pensamento criativo:

Descobrir e espantar-se com a rotina;
Aceitar e acreditar em momentos de inspiração;
Admirar-se com as diferenças, principalmente de pensamento;
Ter coragem e liberdade de pensamento;
Saber investigar;
Reservar tempo para sonhar acordado;
Ser curioso;
Oportunizar momento de relaxamento;
Fortalecer a percepção;
Descrever sensações e objetos de maneira incomum;
Entusiasmar-se com as mudanças;
Mudar as formas de ver e utilizar os objetos / os sentimentos;
Ler o mundo de maneira positiva;
Executar tarefas em ordem não convencional;
Entender suas motivações;
Tentar se desligar de problemas / tensões;
Distrair-se


Profª. Claudia Nunes

Referências:
BARROS, Paulo. Sem Segredo: estratégia, inovação e criatividade. Rio de Janeiro: Casa da palavra, 2013.
CHRYSIKOU, Evangelia G. Mente criativa em ação (p.30-39) In. Criatividade: é possível exercitar a capacidade de ter boas ideias e encontrar soluções com mais facilidade. Editora duetto: Revista Mente & Cérebro, ano XIX, nº 235, agosto 2012.

KRAFT, Ulrich. Em busca do gênio da lâmpada (p.44-51). In. Inteligência e Criatividade. Editora Duetto: Revista Mente & Cérebro, ano XIII, nº 142, novembro de 2004.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Coluna do dia: Semana da Conscientização Mundial do Autismo e a importância da Intervenção Precoce




Aproveitando que estamos na semana da Conscientização do Autismo, nada melhor do que pensarmos em divulgar a importância de uma intervenção precoce para essas crianças. Mas para isso, é preciso que as pessoas conheçam algumas fases do desenvolvimento infantil e que muitas vezes passam despercebidas por falta de conhecimento dos pais, responsáveis e/ou cuidadores.

Autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) é marcado por algumas características comuns tais como: inabilidade para interagir socialmente; dificuldade com o domínio da linguagem para se comunicar; dificuldade com jogos simbólicos (imaginativos / metafóricos); e padrão de comportamento restritivo e repetitivo; enfim, autismo é um assunto muito delicado e é preciso “aceitar” que o filho pode estar apresentando ou se desenvolvendo “fora do padrão de normalidade”.

É verdade que nenhum pai ou responsável é preparado para isso, mas precisamos saber a importância de se identificar o quanto antes os primeiros sinais apresentados pelas crianças (filhos). A identificação prévia favorece seu desenvolvimento porque pode apresentar-se de formas diferentes; desde um Asperger, que poderá apresentar mínimos comprometimentos na fala e na inteligência, mas com alteração na linguagem contextual, ou até graus mais altos de Autismo, no qual a criança é incapaz de manter contato interpessoal, não ter linguagem verbal, além de ter atitudes agressivas.

Logo, o quanto antes os pais / responsáveis saírem do processo de “negação”, mais possibilidade a criança terá de se encontrar, se entender, se desenvolver, de acordo com seus próprios limites de aprendizagem social e linguístico. É imprescindível que os pais enxerguem o que seus filhos demonstram no dia a dia em seus pequenos gestos, tentativas de fala ou comportamentos diferenciados.

Como estamos na semana da Conscientização Mundial do Autismo, pensei em tentar resumir um pouquinho do que precisamos saber sobre este assunto para poder ajudar  e conscientizar a todos o que é o Autismo. Vamos lá!

Como afirmei anteriormente, o Autismo ou Transtorno do Espectro Autista é uma disfunção global do desenvolvimento, que afeta a comunicação e integração, fazendo com que o indivíduo se torne indiferente ao contexto social em que se encontra. É um transtorno que pode ou não estar associado a um comprometimento cognitivo. Segundo Drauzio Varela[1], os estudos iniciais consideravam o transtorno resultado de dinâmica familiar problemática e de condições de ordem psicológica alteradas, hipótese que se mostrou improcedente. A tendência atual é adquirir a existência de múltiplas causas para o autismo, entre eles, fatores genéticos e biológicos.

Até o momento não há nenhuma cura comprovada, porém pesquisas têm mostrado que as crianças com autismo respondem muito bem a uma intervenção precoce intensiva antes dos 05 anos. Já a terapêutica pressupõe uma equipe multi e interdisciplinar: tratamento médico com neuropediatra, fonoaudiológico, pedagógico e terapeuta ocupacional tornam-se fundamentais.

Dentre os profissionais citados acima, e diante da dificuldade de comunicação e o desenvolvimento da linguagem, todos comprometidos, a intervenção fonoaudiológica precoce nessas crianças torna-se indispensável por ser o fonoaudiólogo, o profissional habilitado a intervir nos distúrbios da linguagem. E é a partir dos estágios de desenvolvimento de linguagem da criança, que ocorrem entre 0 a 05 anos, que podemos identificar, antes mesmo dos 03 anos, estas alterações na comunicação.

Comportamentos observados no desenvolvimento da linguagem não-verbal (pré-linguístico), precursores da linguagem verbal (linguístico),  já deveriam estar desenvolvidos e presentes tais como por exemplo: o uso do apontar intencional, onde a criança aponta aquilo que deseja ainda que não consiga falar. Aos 11 meses, esta ação (apontar) já esta presente. Aos 18 meses, a criança já consegue organizar um pensamento e falar uma frase com duas palavras, demonstrando intenção em pedir algo (Bia papa); e a ausência da atenção compartilhada, onde as crianças buscam, com muito interesse, aprender com o outro e ter novas experiências. Em uma criança autista muitas vezes tão interesse se mostra inacessível perante a tentativa de buscar o outro, comprometendo bastante a sua comunicação social.

Sinais de dificuldades na capacidade de comunicação das crianças autistas são evidentes mesmo antes do período de aquisição da linguagem verbal (fala), mas passam despercebidos por alguns pais, pois, muitas vezes, estes só se atentam com a ausência da oralidade e da fala no momento em que colocam seus filhos na escola. Os professores, na maioria das vezes, são os primeiros a perceber que algo está fora do padrão. O contato social da criança com a turma revela ineficiências e/ou incapacidades. Diante disso, conversam com os pais, alertando-os quanto às diferenças. Muitos pais pensavam que seus filhos eram apenas “tímidos” ou “quietinhos”, principalmente quando não tem a experiência da paternidade ou conhecimento das etapas do desenvolvimento infantil.

No tratamento, deveremos traçar um plano, tanto para o autista, quanto para todos que estiverem ao seu redor, a partir de uma avaliação que irá nos indicar o melhor método para cada criança, pois, cada criança exige uma compreensão específica uma vez que os problemas de comunicação das crianças autistas variam de intensidade. Algumas poderão nunca vir a falar verbalmente, enquanto outras apresentarão um desenvolvimento verbal, mas a maioria apresenta a alteração da linguagem como aspecto característico, principalmente no que se refere ao aspecto pragmático, ou seja, saber o que, como e quando falar, de forma contextualizada. Na intervenção, serão trabalhadas as habilidades necessárias, ou seja, os aspectos onde foram apresentadas dificuldades durante a avaliação.

Diante disso, o tratamento fonoaudiológico será objetivado: fazer com que a criança utilize a comunicação funcional, ou seja, se faça entendida, seja por meio da fala (verbal); ou, quando a linguagem verbal não é possível, momentânea ou permanentemente, deve-se pensar junto à família a necessidade do uso de um sistema de comunicação alternativa promovendo assim o desenvolvimento da fala.

O sucesso do tratamento fonoaudiológico é observado a partir de pequenos sucessos, como o aumento na frequência dos comportamentos comunicativos não verbais ou verbais, seja ele; uma troca de olhar, um maior interesse em atividades e jogos, gestos, pequenas vocalizações, balbucios, fala que poderemos trabalhar com modulações e conduções quando apresentam a ecolalia (repetição da fala do outro). E é importante lembrar que o desenvolvimento da criança autista, não depende apenas do empenho dos profissionais que os acompanham, como também dos estímulos feitos pelos cuidadores no ambiente familiar.

A família e os demais participantes tem um importante papel nesse processo, por isso, é importante que busquem sempre estimular seus comportamentos comunicativos em diferentes contextos e lugares, tais como: estimular a brincadeira com animais de estimação ou visitar lugares onde possam interagir com outras pessoas respeitando sempre o tempo em que são capazes de estar nestes lugares. Começando aos poucos, lembrando que precisam adaptar-se a esta situação aos poucos e tornando parte assim de sua rotina.

Portanto, médicos, terapeutas e pais, unindo-se com um só propósito que vise o melhor desenvolvimento global da criança, somados a sociedade consciente de que a criança autista possui afeto, ela apenas possui um jeito “diferente” de ser e demonstrar assim como cada uma de nós…

“Somos todos diferentes!”

Profa Maria Paula Raphael




[1] http://drauziovarella.com.br/crianca-2/autismo/