domingo, 9 de fevereiro de 2014




O transtorno obsessivo-compulsivo (ou TOC), segundo estudo recentes, afeta a nossa sociedade em 1% da população. É um transtorno sofrido pelo dobro de homens do que mulheres. Muitas vezes, a genética é um fator chave para o seu aparecimento. Embora hajam estudos que confirmam o seu aparecimento na idade adulta, este transtorno pode manifestar-se desde a infância. Com este artigo pretendemos facilitar-lhe a identificação dos sintomas dos mais pequenos da causa deste transtorno. Por isso, em umComo.com.br queremos orientá-lo para que identifique quais são as características das crianças que sofrem de transtorno obsessivo-compulsivo.
Instruções
As crianças que podem sofrer de transtorno obsessivo-compulsivo ou 
TOC tratam-se de crianças nervosas, ansiosas, que se preocupam com tudo.
preocupação das crianças com transtorno obsessivo-compulsivo
pode ser muitas vezes tanto por coisas próprias da sua idade como
por coisas de pessoas maiores, pelo que os seus pais têm que estar
muitas vezes a acalmá-las e a tranquilizá-las.
Costumam ser crianças responsáveis, cumpridoras com as suas
obrigações, bastante perfeccionistas e bastante meticulosas.
As crianças com TOC podem ter pais também perfeccionistas e
que por sua vez também sofram de transtorno obsessivo-compulsivo
da personalidade, e a criança vê isso todos os dias.
A ansiedade que as crianças com TOC têm pode ser traduzida com 
sintomas corporais, como por exemplo dores de cabeça
contínuas ou desconforto no estômago.
Outra das características das crianças que podem sofrer de transtorno
obsessivo-compulsivo de personalidade é que são muito ordenadas
rígidas nos seus pensamentos.
Normalmente, as crianças com transtorno obsessivo-compulsivo
mostram problemas de auto-estima porque não se dão conta das
suas capacidades.
Além disso, manifestam muita insegurança que aparece perante duas
dúvidas constantes, a indecisão perante qualquer aspeto por mais pequeno
 que seja, a causa de um medo excessivo de se equivocar e de
decepcionar os seus pais, a eles próprios ou a adultos de referência.
As crianças com transtorno obsessivo compulsivo de personalidade
aceitam muito mal os pequenos fracassos limitando a sua
autonomia e a tomada de decisões.

Quais são as características do Síndrome de Asperger em adultos

Quais são as características do Síndrome de Asperger em adultos
É muito importante detectar o Síndrome de Asperger no seu início para poder diagnosticá-lo a tempo e ser tratado por um especialista. Mas, o que acontece com as pessoas que não foram diagnosticadas a tempo e chegaram à idade adulta sem perceber este síndrome? Normalmente não se percebe porque os pais pensam que este comportamento "já vai passar" e ignoram o que acontece pensando que logo melhorará, passando anos e chegando a criança a ser um adulto. Por isso, em umComo.com.br queremos orientá-lo para saber quais são as principais características do síndrome de Asperger em adultos.

O que acontece quando chegam à idade adulta?

  • Normalmente estas pessoas são acusadas injustamente de não encaixar na sociedade ou de serem extravagantes demais, entre outros adjetivos. É mais complicado identificar este transtorno em pessoas adultas e requer um acompanhamento exaustivo e um controle por parte de um especialista.
  • É difícil de diagnosticar quando chegam à idade adulta porque sua inteligência é normal e inclusive superior à média.
  • Apresentam boa atenção e concentração e fazem extremamente bem aquilo que lhes interessa muito, ou seus hobbies.
  • Precisam de formação para as habilidades sociais e de comportamento.
  • Têm muita dificuldade de entender as regras.

Principais sintomas do Síndrome de Asperger

  • Comportamento peculiar.
  • Falta de contacto visual nas conversas, normalmente isto os desconcentra.
  • Concentra-se em seus interesses, chegando a ser obsessivo.
  • Falta de expressão facial nas conversas, o que para outras pessoas pode parecer grosseiro.
  • Falta de empatia, sem mostrar afeto pelos demais, o que lhes ocasiona distanciamento interpessoal.
  • Dificuldade para compreender a linguagem corporal.
  • Dificuldades nas relações interpessoais.
  • As normas sociais estabelecidas fazem com que se sintam confundidos.
  • Sentem-se confundidos com as frases feitas, como, por exemplo, "você está gozando com a minha cara".
  • Sentem dificuldade de desfrutar de uma conversa a não ser que esteja centrada em sua área de interesse.
  • Têm dificuldade de entender porque seu comportamento foi inadequado.
  • Comportamentos repetitivos.
  • Têm dificuldade de se adaptar socialmente e se suas rotinas não são seguidas ficam ansiosos.
  • Não toleram os ruídos fortes, as luzes muito brilhantes ou odores incômodos.
  • Uso de uma linguagem pedante e inexpressiva.
  • Falta de coordenação motora.
  • Precisa de apoio visual para entender as coisas, tentam traduzir as palavras em imagens para sua melhor compressão.
  • Tendência a prestar atenção nos detalhes; com esta forma analítica têm dificuldade de entender a globalidade das coisas.
  • Sinceros.

Para ter em consideração

É importante ter em consideração que cada pessoa é um mundo, e encontraremos sempre diferenças entre umas e outras. Portanto, duas pessoas diagnosticadas com o Síndrome de Asperger, nem sempre têm que apresentar as mesmas características ou perfil.

Aqui falamos dos traços principais a serem levados em consideração, os de maior destaque. Se você acha que você mesmo ou que um familiar pode ter estas características, é recomendável procurar um especialista para poder ser diagnosticado, se for o caso.


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Senadores aprovam regulamentação da profissão de psicopedagogo

Gorette Brandão


Cyro Miranda relatou a matéria na Comissão de Assuntos Sociais
 
 
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (5) projeto de lei da Câmara dos Deputados (PLC 31/2010) que regulamenta a atividade de Psicopedagogia. Pelo texto, a profissão poderá ser exercida por graduados e também por portadores de diploma superior em Psicologia, Pedagogia ou Licenciatura que tenham concluído curso de especialização em Psicopedagogia, com duração mínima de 600 horas e 80% da carga horária dedicada a essa área.
 
Uma emenda assegurou ainda a inclusão dos fonoaudiólogos na lista de profissionais aptos a exercer a profissão, após a especialização exigida. Essa alteração foi feita durante o exame da proposta na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), em outubro passado. O relator na CAS, senador Cyro Miranda (PSDB-GO), sugeriu a manutenção do texto como veio da comissão anterior.
 
A proposta recebeu decisão terminativa, o que dispensa análise em Plenário, a menos que haja recurso com esse objetivo. Agora terá que retornar à Câmara, para exame das modificações feitas pelo Senado. Houve ainda ajustes no texto para evitar conflitos de competência da nova atividade com outras profissões já regulamentadas.
 
Apresentado à Câmara pela deputada Raquel Teixeira, o projeto também autoriza o exercício aos portadores de diploma de curso superior que já venham exercendo, ou tenham exercido, comprovadamente, suas atividades profissionais em entidade pública ou privada até a data de publicação da lei.
 
Cyro Miranda festejou a aprovação, lembrando que a matéria já tramita há 11 anos desde sua apresentação. Na análise, ele salientou que o projeto não pretende impor reserva de mercado, pois estende a atividade a graduações em áreas afins e aos profissionais de educação e de outras áreas, após formação complementar em Psicopedagogia.
 
De acordo com a Associação Brasileira de Psicopedagogia, existem cerca de 100 mil psicopedagogos formados no Brasil. São profissionais que não atuam somente nas escolas, mas em diferentes instituições. Segundo o relator, com a regulamentação da atividade, cria-se uma identidade e exige-se dos profissionais a ética e a formação necessárias para que possam desempenhar com competência seu ofício.
 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Cérebro de idosos é mais lento porque eles sabem mais

 
 
Tubinga (Alemanha) - O cérebro de idosos parece desacelerar com a idade porque eles têm muita informação para computar, algo parecido com um disco rígido cheio. Alguns cientistas discordam que isto ocorreria por um declínio cognitivo, como costuma-se dizer.
 
- O cérebro humano funciona mais devagar na terceira idade apenas porque ele armazena mais informação ao longo do tempo. O cérebro dos mais velhos não fica mais fraco. Pelo contrário, eles simplesmente sabem mais. - afirmou ao “Telegraph” Michael Ramscar, da Universidade de Tubinga, na Alemanha.
 
Usando computadores, os pesquisadores modelaram a recuperação da memória de diferentes fases da vida de um adulto, descobrindo que quando o banco de memória dos computadores era menor, o seu desempenho se assemelhava ao de um jovem adulto. Já quando o computador foi programado para recordar informações a partir de um banco de dados maior, ele pareceu com o de um adulto mais velho. Geralmente ele ficava mais lento, mas não porque a sua capacidade de processamento tinha piorado. Ou seja, o aumento da “experiência” tinha levado o banco de dados também a crescer, necessitando de mais tempo para processar a informação.
 
- Imagine alguém que sabe o aniversário de duas pessoas e pode lembrá-los perfeitamente. Você diria que esta pessoa tem uma memória melhor do que aquela que sabe dois mil aniversários, mas consegue corresponder a pessoa certa ao aniversário em nove de dez vezes? - questionou Ramscar.
 
Ao calibrar os modelos de computador para trabalhar com conjuntos de dados linguísticos, a equipe de Ramscar descobriu que os testes de recuperação de memória não levam em conta a diferença da quantidade de vocabulário entre pessoas mais jovens e mais velhas.
- Esqueça sobre ao esquecimento - comentou ao “Independent” outro pesquisador, Peter Hendrix. - Se eu quisesse que um computador parecesse com um adulto mais velho, eu tinha que manter todas as palavras aprendidas na memória e deixá-las competir por atenção.
 
O estudo fornece mais uma explicação de por que, à luz de todas as informações adicionais que têm de processar, poderíamos esperar que cérebros mais velhos sejam mais lentos e esquecidos do que os mais jovens. Pesquisadores dizem que alguns testes cognitivos, utilizados para medir a capacidade mental, podem, inadvertidamente, favorecer os jovens.
 
Um teste cognitivo chamado “aprendizagem emparelhado associado convida pessoas a lembrar um grupo de palavras que não estão relacionadas, como “gravata” e “biscoito”. Estudos têm demonstrado que os jovens são melhores neste teste, mas os cientistas acreditam que idosos têm mais dificuldade de lembrar grupos sem sentido por outro motivo:
 
- Isto simplesmente demonstra que a compreensão da linguagem pelos idosos é muito maior - disse Harald Baayen, do grupo de pesquisa de Linguística Quantitativa de Alexander von Humboldt. - Eles precisam fazer mais esforço para lembrar palavras sem relação porque, ao contrário de jovens, eles sabem muito mais sobre as palavras.
O estudo foi publicado no “Journal of Topics in Cognitive Science”.


Fotógrafo divulga ensaio emocionante sobre a criação de menina autista de 3 anos nos EUA

Criar um filho não é tarefa fácil. Para os moradores de Michigan, nos Estados Unidos, Trevor Gillett e Erica Sanchez, essa tarefa pode ser ainda mais desafiadora porque a menina deles, Michaelynn, de 3 anos, sofre de autismo e, por isso, mal fala. Mas foram os momentos de intimidade entre o casal e a pequena, que encontra formas alternativas de manifestar seu amor pelos pais, que inspirou o fotógrafo americano Clay Lomneth a divulgar uma série fotográfica na qual registra momentos emocionante do cotidiano desta família.
 
Em seu blog, Lomneth conta que passou cerca de cinco meses com o trio para fazer as fotos. Apesar de ter sido ignorado boa parte desse tempo pela pequena Michaelynn, o artista conseguiu documentar a forma com que os pais lidam com o autismo dela e as maneiras peculiares que a menina encontra para se comunicar com eles, como com carinhos e sorrisos. “É como criar um bebê em tempo integral”, falou Lomneth sobre a menina ao Daily Mail.
 
“Aos três anos, ela não sabe dizer se está com fome, se deu uma topada ou se está passando por uma crise histérica, então, tentamos de tudo para acalmá-la. Você tenta distraí-la com uma garrafa, muda a fralda ou o filme que ela está vendo... Às vezes, nada funciona”, disse o pai da pequena ao Daily Mail.
 
As fotos deses momentos foram feitas por Lomneth e fazem sucesso na internet. Confira:

Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação
Foto: Clay Lomneth / Divulgação

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Como diminuir a sensibilidade auditiva no Autista

As festas de fim de ano são um verdadeiro tormento para a maioria dos autistas e consequentemente para nós pais de autistas, os autistas tem sensibilidade auditiva e barulhos muito altos, ou repetitivos costumam deixa-los nervosos, desorganizados sensorialmente e as vezes com verdadeiro pânico destes sons.

A gente evita ao máximo expor nossos pequenos a estas situações desagradáveis, mas não é possível fazer isto sempre. E o réveillon é uma destas situações, mesmo que a gente não solte fogos em nossa casa, muita gente o faz! Então a gente vai falar aqui de algumas dicas para ajudar nossos filhos a passar por estas situações da melhor maneira possível

A  sensibilidade auditiva no Autista foi definido de uma forma bem fácil de entender pela Mary Temple Grandin uma autista de alto funcionamento bem sucedida profissionalmente e hoje com 66 anos, ela disse que a sua audição funciona como se ela usasse um aparelho auditivo cujo controle de volume só funciona no “super alto”. É como se fosse um microfone ligado que capta todo barulho ao redor. E ela tem duas escolhas: deixar o microfone ligado e ser inundada pelo barulho, ou desligar. Por  isso ela e muitos autistas parecem surdos, eles simplesmente desligam este sentido para não sentir o incomodo do excesso de barulho.
O que pode ser feito:

Reforço
Use o reforço positivo ou negativo: Faça o barulho que incomoda seu filho e ao ve-lo tapar o ouvido faça algo que seja incomodo para ele, como passar bucha vegetal nas mãos por exemplo. Geralmente nós mães temos dó de fazer isto com nossos filhotes, mas não é nada que vá machuca-lo ou estressa-lo, mas existe o reforço positivo, com o nosso filho ele detesta o liquidificador por exemplo e eu vou com ele para cozinha e faço o suco dele no liquidificador e não deixo ele por as mãos no ouvido quando o suco fica pronto eu explico que para ter o suco precisa do barulho e o suco passa a ser o reforço positivo!

Exercício
 1. Aprender a ouvir barulhos e sons espontâneos
Pedimos para criança para ficar em silêncio (se for confortável pra ela de olhos fechados) e escute. Pedimos para que ele observe sons como: um carro que passe na rua, o latido do cão, o som do vento, a máquina de lavar, a porta que se abre. E pedimos a criança que o identifique.

Podem ser feitos em casa, sentado em uma praça, ou onde sua imaginação mandar.
Também pedimos que a criança escute os sons dentro de sí: A batida do coração, o barulho da respiração o barulho da barriga dentre outros.

Este exercício servirá para que a criança aprenda a identificar os sons e também para perceber quais ruidos incomodam para ser trabalhados mais tarde.

A ordem será: “(nome da criança) o que você escuta?”
 
Exercício 2. Aprenda a ouvir os sons e ruídos causados.
Este exercício é realizado sentado à mesa. pede-se que se faça de olhos vendados, mas se a criança se sentir incomodada com isto se posicione atrás da criança, faça os sons e pergunte : “o que você ouve?” 

Deixo uma lista de idéias:
- papel de corte com a tesoura
- batendo na mesa com os nós dos dedos
- passar prego em alguma superfície
- bata bola
- Bater com um martelo
- afiar um lápis
- Dobre o papel
- palmas
- estalar os dedos
- Barulhos com a língua
- Apito
- Soltando um objeto no chão
- Despeje o líquido um copo
- bata com uma colher de chá em um copo
- fechar um zíper
- escreva com giz no quadro negro
- Escreva em papel
- Deixando uma xícara no pires
- Dê uma mordida em uma maçã
- Corte com uma faca
- comer algo crocante
- Assoar o nariz
- Jogue um molho de chaves no chão
- Instrumentos: flauta, castanholas, xilofone, apitos, etc
. – sons onomatopaicos de animais
... dentre outros.

Profissionais que podem ajudar   
Terapeuta Ocupacional 
Eles desempenham um papel fundamental nas dificuldades sensoriais por meio de programas e, muitas vezes a adaptação dos ambientes para garantir aos indivíduos ter uma vida tão independente quanto possível.
 
Fonoaudióloga
Muitas vezes o uso de estímulos sensoriais para incentivar e apoiar o desenvolvimento da linguagem e interação.

Musicoterapeuta 
Usa instrumentos e sons (estímulos auditivos), para incentivar e desenvolver os sistemas sensoriais, principalmente o sistema auditivo.
Trabalhar esta sensibilidade auditiva nos autistas demora um certo tempo, mas vale a pena !

sábado, 21 de dezembro de 2013

Mediação escolar e inclusão: revisão, dicas e reflexões - PARTE 2



O PAPEL DO MEDIADOR ESCOLAR

O mediador é aquele que no processo de aprendizagem favorece a interpretação do estímulo ambiental, chamando a atenção para os seus aspectos cruciais, atribuindo significado à informação recebida, possibilitando que a mesma aprendizagem de regras e princípios sejam aplicados às novas aprendizagens, tornando o estímulo ambiental relevante e significativo, favorecendo o desenvolvimento9.

O mediador pode levar a criança a detectar variações por meio da diferenciação de informações sensoriais, como visão, audição e outras; reconhecer que está enfrentando um obstáculo e identificar o problema10,11. Pode também contribuir para que a criança tome mais iniciativa mediante diferentes contextos, sem deixar que este processo siga automaticamente e encorajar a criança a ser menos passiva no ambiente. Desenvolver a flexibilidade também é importante. O mediador pode atuar criando pequenas mudanças e problemas para que a criança perceba, inicie, tolere mudanças e aprenda a lidar com estas situações.

De acordo com esses autores, por meio da mediação, a criança pode ser levada a permanecer por mais tempo em atividades sequenciais que exijam ações complexas e comunicação. Para isso o mediador pode: lançar experiências que solicitem várias etapas na resolução do problema (usando uma forma de comunicação); questionar quem quer resolver o problema; o que deve ser resolvido e oferecer recursos para que o problema seja resolvido. A oferta de recursos no auxílio à resolução do problema deve ser realizada de forma sutil, indicando, por exemplo, onde a resolução do problema pode ser procurada e quais as ferramentas necessárias.

A principal função do mediador é ser o intermediário entre a criança e as situações vivenciadas por ela, onde se depare com dificuldades de interpretação e ação. Logo, o mediador pode atuar como intermediário nas questões sociais e de comportamento, na comunicação e linguagem, nas atividades e/ou brincadeiras escolares, e nas atividades dirigidas e/ou pedagógicas na escola. O mediador também atua em diferentes ambientes escolares, tais como a sala de aula, as dependências da escola, pátio e nos passeios escolares que forem de objetivo social e pedagógico. Também pode acompanhar a criança ao banheiro, principalmente se estiver com objetivo de desfralde, auxiliando nos hábitos de higiene, promovendo independência e autonomia no decorrer da rotina. Isso poderá ser acordado junto à equipe escolar, se esta tiver auxiliar de turma, para que não aconteça conflito nas ações. Adaptar a estrutura física para organizar objetos no entorno, evitando grandes distratores ou exposição daqueles que representam manias é uma ação igualmente relevante.

Mediadores escolares também prestam apoio aos professores em sala de aula. Eles ajudam com as atividades e trabalhos de adaptação individualizada, a fim de permitir que os professores ganhem tempo com as demais atividades do dia a dia. Podem ajudar e apoiar as crianças na aprendizagem e aplicação de material de classe. Também proporcionam aos alunos uma atenção individual, quando os alunos estão tendo dificuldades com o material proposto para o resto do grupo. Algumas adaptações curriculares podem ser feitas seguindo a proposta do professor da turma e das terapias de apoio. Para tanto, é necessário conversar com a equipe terapêutica para que as ações sejam coerentes e uniformes.

A parceria entre mediador e escola favorece o estabelecimento de metas realistas no que se refere ao desenvolvimento, como também possibilita avaliar a criança de acordo com suas próprias conquistas. Como mostra a literatura, o mediador deveria ser encarado como um profissional que assume o papel de auxiliar na inclusão do aluno com deficiência e não o papel de professor principal da criança. Ele deveria ser visto como mais um agente de inclusão, na medida em que ele teria circulação pela instituição, produzindo questionamentos na equipe escolar e estando sempre atento a quando e como deve fazer sua entrada em sala de aula, sem permanecer ali esquecido e excluído junto com o aluno12. Cabe ressaltar que o mediador pode assumir o papel de ser um apoio para que a criança possa ser incluída em um processo educacional que, de outra maneira, ou seja, sem uma pessoa diretamente a apoiando numa relação um para um, poderia ser desestruturante e insuportável, tanto para a escola quanto para o aluno com deficiência13.

Em linhas gerais, observa-se que há diversos tipos de alunos que podem precisar do apoio de um Mediador Escolar, cujas dificuldades podem ser de diversas naturezas, tal qual listado (mas não esgotado) nos próximos tópicos.
Dificuldade motora geral e acessibilidade: alunos com limitações motoras, mesmo com acessórios que facilitem a locomoção ou digitação, por exemplo, podem necessitar, pelo menos num período de adaptação, de mediadores escolares. A implementação de muitos recursos só é possível com este auxílio individualizado. Adaptações de material também podem ser uma constante;
Dificuldades comportamentais importantes: determinados comportamentos, sobretudo agressivos, podem colocar em risco a integridade do próprio aluno, bem como de seus colegas. Neste caso, o mediador escolar pode favorecer interações saudáveis e, quando necessário, intervir em comportamentos que possam prejudicar alguém no ambiente escolar;
Dificuldades de concentração e impulsividade: uma criança com déficit de atenção importante pode precisar de um profissional que possa mediar sua atenção e ensiná-lo a se auto-regular no tempo, com seus materiais, facilitando assim a organização da criança, o planejamento de atividades e a antecipação das possíveis reações, como controle da impulsividade, eventualmente;
Dificuldades de leitura: Nestes casos, o mediador ajuda os estudantes a rever informações sobre trabalhos ou relatórios, aulas de revisão de classe. Compartilha leituras, para que não haja sobrecarga na tarefa. Organiza a produção da escrita, quando a dificuldade prejudica muito a expressão de seus pensamentos. Seguindo a orientação do professor de turma, busca antecipar situações oferecendo outros recursos (vídeos, fotos, experiências), para que estes não dependam exclusivamente da leitura, criando experiências diferenciadas sobre os mais variados assuntos. Adaptações de materiais podem ser importantes também. Além disso, o mediador pode aproveitar diversas situações do cotidiano escolar para estimular as habilidades necessárias para alfabetização;
Dificuldades no ensino fundamental II e ensino médio: nesta etapa escolar, o mediador muitas vezes se especializa em um assunto específico, como o Inglês ou Ciências. Ele é muitas vezes responsável por projetos especiais e pelo preparo de materiais e equipamentos específicos para determinadas disciplinas ou conteúdos;
Dificuldades na comunicação e interação: A estimulação de linguagem e da interação no ambiente privilegiado da escola visa não somente estimular a fala, como também tem o objetivo de desenvolver e promover a competência comunicativa e interacional. Comumente, este tipo de abordagem produz um efeito no comportamento geral, uma vez que o desenvolvimento da comunicação favorece as relações, bem como a organização do mesmo.
Não há uma etapa escolar restrita que precise de mediador, e sim uma demanda do aluno.


REFERÊNCIAS
1. Silveira F, Neves J. Inclusão escolar de crianças com deficiência múltipla: concepções de pais e professores. Teor Pesq. 2006;22(1):79-88.
2. Brasil. Saberes e práticas de inclusão: estratégias para a educação de alunos com necessidades especiais. Brasília: MEC: SEESP;2003. v.4.
3. Farias IM, Maranhão RVA, Cunha ACB. Interação professor-aluno com autismo no contexto da educação inclusiva: análise do padrão de mediação do professor com base na teoria da experiência de aprendizagem mediada. Rev Bras Ed Esp. 2008;14(3):365-84.
4. Weiszflog W. Moderno dicionário da língua portuguesa Michaellis. São Paulo:Melhoramentos;2004.
5. Menezes E, Santos T. Professor mediador (verbete). Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. São Paulo:Midiamix Editora;2006. Disponível em: http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=198 Acesso em: 31/5/2010.
6. Philip C. Le droit et l'exercice du droit à la scolarisation pour les enfants etadolescents autistes. Marseille:Colloque Autisme et Scolarisation;2001. Disponível em: http://www.autisme-bassenormandie.org/
7. Brobst MA. Preschool shadow aide: how to shadow my child with autism at a typical preschool. 2001-2003.
8. Groom B, Rose R. Supporting the inclusion of pupils with social, emotional and behavioral difficulties in the primary school: the role of teaching assistants. J Res Spec Educ Needs. 2005;5(1):20-30.
9. Cunha ACB. Estilos de mediatização e interação mãe-criança: estratégias de promoção do desenvolvimento infantil. Psicologia: Teoria, Investigação e Prática. 2004;9:243-51.
10. Greenspan S. filhos emocionalmente saudáveis, íntegros, felizes e inteligentes. Campus;2000.
11. Brazelton B, Greenspan S. As necesidades esenciáis das crianzas: o que toda crianza precisa para crecer, aprender e se desenvolver. Porto Alegre:Artmed;2002.
12. Abbamonte R, Gavioli C, Ranoya F. O acompanhamento terapêutico na inclusão escolar, 2003. Disponível em: http://www.netpsi.com.br/projetos/acomp_terap_inclusao.htm.
13. Kupfer M. Pré-escola terapêutica lugar de vida: um dispositivo para o tratamento de crianças com distúrbios globais do desenvolvimento. In: Machado A, Souza M, org. Psicologia escolar: em busca de novos rumos. 4ª ed. São Paulo:Casa do Psicólogo;2004.
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 Fonte: Revista Psicopedagogia vol.27 no.82 São Paulo