quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O DSM-V e a fabricação da loucura

O DSM-V e a fabricação da loucura De Fernando Freitas e Paulo Amarante*

Entre os dias 18 e 22 de maio, durante o congresso anual da Associação de Psiquiatria Americana (APA), foi oficialmente apresentada a nova edição do Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM).

O DSM-V chega precedido por uma forte rejeição nos meios psi.  Por todos os cantos do mundo estão aparecendo petições, chamadas ao boicote, declarações, artigos  e livros publicados, assinados principalmente por especialistas, denunciando o Manual como uma obra "perigosa" para a saúde pública.

A questão de base é que o DSM-V, mais do que nas versões anteriores, fabrica doenças mentais; o que faz com que enormes contigentes populacionais  passem a ser considerados doentes e, como consequencia, a consumir medicamentos psiquiátricos.

É bem verdade que as versões anteriores também vieram a público provocando controvérsias. Publicado pela primeira vez em 1952, com uma lista de menos de 100 patologias (de inspiração freudiana, assim como a edição de 1968), a cada nova edição um número maior de categorias de doenças mentais aparece. A edição ainda em vigor, o DSM-IV, apresenta 297 patologias mentais. Através da versão preliminar disponível na Internet desde 2010, estima-se que o DSM-V tenha um número ainda maior de categorias de diagnóstico.

Esse aumento crescente das categorias de diagnóstico sugere haver uma tendência inexorável da psiquiatria para transformar comportamentos e experiências do cotidiano em patologias mentais, o que tem sido objeto de crítica a cada nova edição que aparece.

Nos Estados Unidos, onde o movimento contra o DSM começou, um dos críticos mais contundentes é o próprio Allen Frances, o psiquiatra que dirigiu a edição precedente. O prestigioso Instituto Americano de Saúde Mental (National Institute of Mental Health, NIMH) se negou a ver o nome da entidade associado ao DSM-V. Esse fato político é da maior relevância, na medida em que o NIMH é o maior patrocinador da pesquisa em saúde mental em escala mundial. "Os pacientes que sofrem de doenças mentais valem mais do que isso", justificou seu diretor, Thomas Insel, em um comunicado, explicando que o NIMH "reorientaria suas pesquisas fora das categorias do DSM", devido ao fato da sua fragilidade no plano científico.  

Na França, o combate vem se dando há pelo menos cinco anos, pelo coletivo Stop DSM , conforme noticiado pelo Le Monde em sua edição de 15 de maio último. Os profissionais que formam esse coletivo se insurgem contra o que eles chamam de "pensamento único" do Manual. Recomendamos a leitura do manifesto do movimento em sua versão em português.
Apesar da vultosa soma de dinheiro empregado para a elaboração do DSM-V, cerca de 25 milhões de dólares, o Manual parece deixar muito a desejar sobre o plano científico. Uma das principais críticas é que a sua lógica está mais do que nunca profundamente dominada pelos interesses da indústria dos psicofármacos. O conflito de interesses intelectuais parece estar hoje escancarado, conforme foi denunciado, por exemplo, por ninguém nada menos do que Allen Frances. 57 associações de saúde mental propuseram um exame independente, o  que foi  ignorado pelos formuladores do  DSM-V.

Novas patologias têm sido sugeridas, algumas bastante bizarras, como por exemplo, a "síndrome de risco psicótico".  A propósito, Allen Frances tornou pública a seguinte observação, feita após uma conversa com um colega: "Esse médico estava muito excitado com a idéia de integrar ao DSM-V uma nova entidade, a ‘síndrome de risco psicótico', visando a identificar precocemente transtornos psicóticos. O objetivo era nobre, ajudar os jovens a evitar o fardo de uma doença mental severa. Mas eu aprendi trabalhando nas três edições precedentes que o inferno está cheio de boas intenções. Eu não poderia permanecer em silêncio". Essa patologia parece ter sido retirada da versão final.

Mas há outras patologias que parece que virão, como "transtornos cognitivos menores".  O coletivo francês Stop DSM, prevê que a perda da memória fisiológica com a idade irá se tornar uma patologia em nome da prevenção da doença de Alzheimer. Podemos bem imaginar numerosas pessoas com a prescrição de testes inúteis e custosos, e com medicamentos cuja eficácia ainda não foi de fato validada e cujos efeitos a longo prazo são desconhecidos.

Outro exemplo é a patologização do luto, com a ampliação dos "transtornos de depressão".  Quer dizer, após duas semanas de luto, com a aparência deprimida do enlutado será possível diagnosticar episódios depressivos maiores e com isso a prescrição de antidepressivos.

Finalmente, mais um exemplo: "transtorno de desregulação pertubadora do humor".  O que  certamente  levará  a  que banais  cóleras  infantis sejam transformadas em  uma  patologia  mental.

Para  concluir, mais uma outra citação  de Allen  Frances:  "Quando nós  introduzimos no  DSM-IV a  síndrome  de  Asperger,   forma menos  severa  de  autismo,  nós  havíamos estimado que   isso  multiplicaria o  número de casos por três. De  fato,  eles  foram multiplicados por  quarenta,  principalmente porque  esse diagnóstico permite ter  acesso  a  serviços particulares  na escola  e fora  dela. Por  conseguinte,  ele  foi colocado  em crianças que não tinham todos  os critérios".

No Brasil, o 18 de maio é um dia que representa para nós o Dia Nacional de Luta Antimanicomial, expressão nacional de luta contra todas as formas de violência, exclusão, mercantilização e medicalização do sofrimento e da vida cotidiana. Nós nos solidarizamos às dezenas de entidades que estão se manifestando neste momento frente à sede do Congresso da APA, em San Francisco, Los Angeles, USA. São usuários dos serviços psiquiátricos que se consideram “Sobreviventes do Sistema Psiquiátrico”, são os profissionais de saúde mental e de pesquisa, reunidos contra o DSM-V e sob a palavra de ordem Occupy APA in San Francisco. Queremos aproveitar a ocasião para lançar aqui no Brasil o nosso movimento BASTA DSM.

*Professores e pesquisadores do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde mental e Atenção Psicossocial (LAPS;ENSP;Fiocruz) e Diretores Nacionais da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme). Paulo Amarante é ainda Diretor do Cebes e da Revista Saúde em Debate.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Análise do comportamento e autismo



"Rituais autísticos" decorrem de sensibilidade alterada a estímulos ambientais, dificuldade de integração e ausência de repertórios

Em artigo publicado nesta seção, a presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Nilde Jacob Parada Franch ("Autismo e psicanálise", 13/9), referiu-se à abordagem da psicologia comportamental para o tratamento de autismo de forma simplista e equivocada.

No passado, o autismo foi visto como resultado de problemas emocionais e o tratamento recomendado era a genérica psicoterapia.

Com o avanço das neurociências, da genética e da própria psicologia, passou a ser compreendido como um problema de desenvolvimento. Referência mundial para a psiquiatria, o DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) corrobora esse entendimento.

O foco das intervenções passou então a ser educacional, visando a desenvolver e aprimorar habilidades e repertórios necessários para o bem-estar e a inserção social do autista.

Foi nesse cenário que a tecnologia de ensino e de aprendizagem compreendida na ABA (análise comportamental aplicada) se sobressaiu e se tornou o tratamento privilegiado para pessoas com quadro do espectro autista. Isso se deve ao fato de a ABA historicamente ter se mostrado eficaz, e não pela propaganda de supostos benefícios.

Os "rituais autísticos" mencionados por Nilde Franch, convém esclarecer, podem ter, em alguns casos, função de esquiva social, conforme ela mencionou. Mas, na maioria das vezes, decorrem da sensibilidade alterada do autista a estímulos ambientais, dificuldade de integração sensorial e ausência ou deficit acentuado de repertórios comportamentais básicos, como expressão verbal e aspectos paralinguísticos (expressões faciais, entonação da fala...).

O estereótipo da psicologia comportamental como um método baseado em repetição e recompensa não passa de desconhecimento.

A análise do comportamento não é um método, mas uma abordagem científica que examina a interação do sujeito com o seu entorno. Sua tecnologia de intervenção é efetiva porque articula um referencial teórico-conceitual sólido e dados empíricos robustos. Os métodos são embasados em estudos --atendimento em consultório e acompanhamento terapêutico no ambiente em que o cliente vive possibilitam a identificação de suas necessidades e o seu desenvolvimento.

Basta consultar o banco de dados de periódicos como o "Jaba" (Jornal da Análise Comportamental Aplicada, na sigla em inglês) e os mais de 200 artigos sobre o autismo ali publicados para se conhecer os avanços científicos obtidos na área.

Uma intervenção comportamental bem planejada tem de incluir o desenvolvimento de linguagem funcional, ensino de habilidades sociais, organização de rotina e estabelecimento de metas acadêmicas.

Não é simplismo desenvolver pré-requisitos para se alcançar essas metas e para extinguir comportamentos autolesivos e estereotipados. Desses pré-requisitos dependem também o bem-estar do cliente e a possibilidade de um futuro com independência, produtividade acadêmica e equilíbrio emocional.

Autismo é um transtorno grave que, se não for cuidado adequada e precocemente, comprometerá aspectos básicos para a sobrevivência e qualidade de vida das pessoas diagnosticadas com o problema. Seu tratamento exige a participação de equipes interdisciplinares envolvendo psicólogos comportamentais especializados, médicos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.

A preocupação com a eficácia do tratamento é legítima. Famílias, órgãos governamentais e a sociedade precisam estar cientes dos riscos que despender tempo e recursos com propostas sem eficácia comprovada cientificamente representam. Tratamento inadequado pode resultar em consequências devastadoras para o desenvolvimento social, acadêmico e afetivo do autista.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Coreógrafo com paralisia cerebral é destaque em mostra

"Nossa sociedade, por falta de conhecimento, trata o deficiente como um coitado. Se eu fosse me basear nesse tipo de pensamento, não colocaria meus pés para fora de casa. No meu espaço, não há sofrimento." 

A afirmação é do bailarino e coreógrafo paulistano Marcos Abranches, 36, que tem paralisia cerebral em decorrência do parto. Ele nasceu prematuro, aos 6 meses e 20 dias de gestação. 

Aos oito anos, começou a andar, depois de várias sessões de fisioterapia. Até hoje ele convive com incessantes espasmos, fala e caminha com dificuldade, mas tem o raciocínio perfeito -apesar do nome, a paralisia cerebral não afeta a parte cognitiva. 

Ele conta, antes de iniciar o ensaio aberto de seu mais novo espetáculo, só ter se sentido seguro para andar sozinho na rua aos 16 anos. 

"Corpo sobre Tela", trabalho criado em parceria com Rogério Ortiz e baseado na obra do pintor irlandês Francis Bacon (1909-1992), é um dos destaques da Mostra Internacional de Arte + Sentidos, que vai até 27 de outubro no teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. 

Ao todo, serão 12 montagens de grupos do Brasil, de Portugal e da Escócia, encenadas por artistas com e sem deficiência. "O principal critério de escolha dos grupos foi a qualidade dos trabalhos", afirma Graziela Vieira, coordenadora da mostra.


Eduardo Knapp/Folhapress
O bailarino e coreógrafo Marcos Abranches durante apresentação 'Corpo Sobre Tela'
 
SINGULARIDADE
Em seu espetáculo, Abranches combina movimentos voluntários e involuntários a um potente trabalho de intérprete. Ele faz de seu corpo uma espécie de pincel e acaba por pintar com ele um quadro em cena. 

O artista não economiza energia ao tratar de temas como autonomia e singularidade. Hoje, considera-se 90% curado. "São mínimas as coisas para as quais preciso de ajuda: fazer a barba, amarrar o sapato e cortar a comida." 

Coisas que não limitam suas criações. 

"Tenho orgulho da minha deficiência, mas não uso isso em primeiro lugar na minha dança. Eu me entrego totalmente, mas antes de qualquer coisa vem meu coração e meu aprendizado", diz. 

Casado e pai de um filho de um ano, o artista afirma que dança pela família e para lutar pelo futuro de um país melhor, principalmente para as pessoas com deficiência. 

"Quero ser um exemplo de coragem para quem usa a própria deficiência em busca de piedade." 


TRAJETÓRIA
Abranches conta que não gostava de ficar em casa e arrumou emprego em um lava-rápido, aos 18 anos. 

Mas o que ele gostava mesmo de fazer era sair para assistir a espetáculos de dança, principalmente os do Balé da Cidade de São Paulo. 

Em uma noite de estreia, conheceu o coreógrafo Sandro Borelli e trocaram contatos. Em poucos dias, Borelli o convidou para acompanhar os ensaios de "Senhor dos Anjos" (2001).

Logo depois, Abranches fez um teste para participar do espetáculo. Passou e entrou para o elenco.

Iniciada a vida nos palcos, ele teve aulas e trabalhou com os coreógrafos Marta Soares, Marcelo Bucoff, Jorge Garcia e com o americano Alito Alessi, um dos fundadores do Dance Ability, escola de movimento que integra, em cena, pessoas com e sem deficiência. 

Abranches fundou o Grupo Vidança SP em 2005 e esteve em cartaz com "D...Equilíbrio", "Formas de Ver" e "Via sem Regra" (apresentado também na Alemanha, na Deutsche Oper Berlin). 

Além das experiências com diretores e coreógrafos brasileiros, ele trabalhou com criadores europeus, entre eles Gerda König e Christoph Schlingensief. 


Eduardo Knapp/Folhapress
Marcos Abranches ensaia 'Corpo Sobre Tela', coreografia baseada em obra do pintor Francis Bacon
Marcos Abranches ensaia 'Corpo Sobre Tela', coreografia baseada em obra do pintor Francis Bacon
 
MOSTRA INCLUSIVA
Outro destaque desta semana na + Sentidos é o espetáculo "Intento 3257,5", da companhia inCena, sobre novos padrões estéticos para o corpo com deficiência. 

A intérprete, Estela Lapponi, 40, foi vítima de um derrame aos 24 e tem a parte esquerda do corpo paralisada. 

"Minha vontade de trabalhar era maior do que qualquer status quo da profissão", conta ela, que já era bailarina antes do acidente. 

"Hoje aceito 100% esse corpo que tenho. Nem penso mais nisso, as pessoas é que me lembram o tempo todo", afirma a bailarina. 

Na última semana do evento estão concentrados três trabalhos de artistas da Escócia, na mostra paralela Unlimited, realizada em parceria com o British Council: "Se Estes Espasmos Pudessem Falar", "Caracóis & Ketchup" & "Mobile/Evolution". 

"Ainda existe preconceito, mas a ideia não é fazer assistencialismo, muito menos chocar as pessoas. A ideia é revelar a arte desses criadores, que evolui cada dia mais", diz Graziela Vieira. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Desordem de integração sensorial

 


Desordem de integração sensorial ocorre quando o cérebro tem dificuldade em processar informações sensoriais. Crianças com problemas de processamento sensorial enfrentam lutas diárias. 

Muitas crianças passam por etapas quando eles parecem ser mais sensíveis. Uma criança pode ter um colapso porque suas meias não se sentir bem, ou ela fica chateada se houver muito barulho em torno dela. Isso é tudo normal e deve resolver-se como a criança amadurece. No entanto, em uma pequena porcentagem de crianças não melhora. O sistema sensorial parece estar em overdrive e isso pode interferir em todos os aspectos da vida.

O que é integração sensorial e desordem de processamento?

Em termos básicos, distúrbios da integração sensorial são um resultado do cérebro não ser capaz de processar as informações sensoriais entram. Problemas sensoriais são frequentemente associados com outras condições, como ADD, ADHD, autismo e dificuldades de aprendizagem. No entanto, ele pode ocorrer por conta própria. Os sintomas podem se manifestar em 5 diferentes áreas sensoriais.
  • Tátil
  • Auditivo
  • Olfatório e gustativa-gosto e cheiro
  • Visual
  • Vestibular – o senso de equilíbrio
Uma criança pode ser mais sensível ou sob sensível em cada área. Ela pode também luta em um par de áreas sensoriais, mas não tem nenhum problema nos outros. Aqui estão alguns exemplos de sintomas que os pais podem ver em cada área.

Sintomas sensoriais táteis

Uma criança com dificuldades de processamento tátil terá dificuldade em qualquer situação onde ela é tocada, por pessoas ou objetos.
  • Vestuário pode difícil de tolerar, muitas vezes meias e áreas que se sobrepõem, como as bandas de cintura ou pulso
  • Não gosta de ser tocado ou abraçado
  • Responde bem ao toque de pressão profunda como um abraço de urso de Mom ou tendo um esfregar de trás firme
  • Toca tudo
  • Irá procurar actividades desarrumadas ou completamente evitá-los
  • Não gosta de banheiras ou chuveiros

Sinais de sensibilidade auditiva

Sensibilidade auditiva faz com que uma criança mais responder ao som. Lugares muito barulhentos são um problema, mas ela também estará ciente dos ruídos de fundo sutil.
  • Localiza sons altos perturbador
  • Tem dificuldade em se concentrar quando há ruído de fundo
  • Pode falar mais alto do que ela precisa

Sintomas sensoriais olfativos e gustativa

Sabor e cheiro são percebidos como muito forte. Odores e alimentos que a maioria das crianças que podem repelir a criança sensível.
  • Gosto muito sensível, tende a rejeitar um monte de comida
  • Responderá a cheiros que a maioria das pessoas não iria mesmo notar
  • Odores terá uma forte ligação com pessoas e lugares

Sinais de sensibilidade Visual

Muita estimulação visual pode sobrecarregar a criança sensível. Quartos de classe muitas vezes têm paredes cobertas em cartazes e mensagens. Para o filho visual sensível pode ser demais para ela para manipular.
  • Pode ser desconfortável assistir a um filme
  • Problemas para copiar formulário do Conselho apesar de olhos sendo normal e saudável

Sintomas sensoriais vestibulares

O sistema vestibular ajuda a manter um senso de equilíbrio. Movimento de qualquer tipo pode se tornar um desafio.
  • Problemas com a balança
  • Tem dificuldade em aprender esportes, montando uma bicicleta, skate, etc.
  • Parece desajeitado às vezes, bate em pessoas e coisas, muitas vezes
  • Um em criança sensível podem subir muito
É fácil ver cada criança alguns destes sintomas se encaixam em diferentes fases de desenvolvimento normal. A diferença é como ele afeta a vida diária. Para uma criança que está vivendo com integração sensorial desordem cada dia é preenchido com situações que vão sobre estimulá-la. Muitas vezes ela vai fazer nada para evitar uma atividade que ela teme. 

Quando a sensibilidade de uma criança constantemente está a interferir com seu gozo de atividades regulares pode ser hora de considerar se a integração sensorial é uma preocupação. O primeiro passo é procurar ajuda médica para obter um diagnóstico. Um diagnóstico de transtorno de integração sensorial pode parecer esmagadora, mas existem muitas estratégias e recursos para educar crianças hipersensíveis que podem aliviar a tensão. 

Referências
Karen A. Smith, Ph. d., Karen R. Gouze, Ph d. O sensorial sensível à criança, Nova Iorque, HarperColilins Publishers Inc., n/a 

Estoque de Carol Kranowitz, M.A. O fora de sincronia filho, New York, Penguin Putnam Inc, n/a 

sábado, 14 de setembro de 2013

O que é o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH)

Antes de sugerir que um aluno tem hiperatividade, veja se é sua aula que não anda prendendo a atenção. Cinco pontos essenciais sobre esse transtorno



Foto: André Spinola e Castro.

À primeira vista, a estatística soa alarmante: de 3 a 6% das crianças em idade escolar sofrem com o Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (o nome oficial do TDAH), que muita gente conhece somente como hiperatividade. Quer dizer então que, numa classe de 30 alunos, sempre haverá um ou dois que precisam de remédio? Não. Na maioria das vezes, o acompanhamento psicológico é suficiente. E, se o problema for bagunça ou desatenção, vale analisar se a causa não está na forma como você organiza a aula. "Geralmente, a inquietação costuma estar mais relacionada com a dinâmica da escola do que com o transtorno", diz Ma­u­ro Muszkat, especialista em Neuropsicologia Infantil da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Quando o caso é mesmo de TDAH, são três os sintomas principais: agitação, dificuldade de atenção e impulsividade - que devem estar presentes em pelo menos dois ambientes que a crian­ça frequenta. Por tudo isso, nun­­ca é demais lembrar que o diagnóstico precisa de respaldo médico. Veja cinco pontos essenciais sobre o transtorno.

1. Agitação não é hiperatividade 

Há dias em que alguns alunos parecem estar a mil por hora e nada prende a atenção deles. Isso não significa que sejam hiperativos. O problema pode ter raízes na própria aula - atividades que exijam concentração muito superior à da faixa etária, propostas abaixo (ou muito acima) do nível cognitivo da turma e ambientes desorganizados e que favoreçam a dispersão, por exemplo. Em outras ocasiões, as causas são emocionais. "Questões como a morte de um familiar e a separação dos pais podem prejudicar a produção escolar", diz José Salomão Schwartzman, neurologista especialista em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Nesses casos, os sintomas geralmente são transitórios. Quando ocorre o TDAH, eles se mantêm e são tão exacerbados que prejudicam a relação com os colegas. Muitas vezes, o aluno fica isolado e, mesmo hiperativo, não conversa.


2. Só o médico dá o diagnóstico 

Um levantamento realizado recentemente pela Unifesp aponta que 36% dos encaminhamentos por TDAH recebidos no setor de atendimento neuropsicológico infantil da instituição são originados da escola por meio de cartas solicitando aos pais que procurem tratamento para o filho. "Em muitos casos, o transtorno não se confirma", afirma Muszkat. A investigação para o diagnóstico costuma ser bem detalhada. Hábitos, traços pessoais e histórico médico são esquadrinhados para excluir a possibilidade de outros problemas e verificar se os aspectos que marcam o transtorno estão mesmo presentes. Como ocorre com a maioria dos problemas psicológicos (depressão, ansiedade e síndrome do pânico, por exemplo), não há exames físicos que o problema. Por isso, o TDAH é definido por uma lista de sintomas. Ao todo são 21 - nove referentes à desatenção, outros nove à hiperatividade e mais outros três à impulsividade.


3. Nem todos precisam de remédio 

Entre os anos de 2004 e 2008, a venda de medicamentos indicados para o tratamento cresceu 80%, chegando a cerca de 1,2 milhão de receitas, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diversos especialistas criticam essa elevação, apontando-a como um dos sinais da chamada "medicalização da Educação" - a ideia de tratar com remédios todo tipo de problema de sala de aula. "Muitas vezes, o transtorno não é tão prejudicial e iniciativas como alterações na rotina da própria escola, para acolher melhor o comportamento do aluno, podem trazer resultados satisfatórios", explica Schwartz­wman. Quando a medicação é necessária, os estimulantes à base de metilfenidato são os mais prescritos pelos médicos. Ao elevar o nível de alerta do sistema nervoso central, ele auxilia na concentração e no controle da impulsividade. O medicamento não cura, mas ajuda a controlar os sintomas - o que se espera é que, juntamente com o acompanhamento psicológico, as dificuldades se reduzam e deixem de atrapalhar a qualidade de vida. Vale lembrar que o remédio é vendido somente com receita e, como outros medicamentos, pode causar efeitos colaterais. Cabe ao médico avaliá-los.


4. O diálogo com a família é essencial 
Em alguns casos, os professores conseguem participar das reuniões com os pais e o médico. Quando isso não é possível, conversas com a família e relatórios periódicos enviados para o profissional da saúde são indicados para facilitar a comunicação. É importante lembrar ainda que não é por causa do transtorno que professores e pais devem pegar leve com a criança e deixar de estabelecer limites - a maioria das dificuldades gira em torno da competência cognitiva, da falta de organização e da apreensão de informações, e não da relação com a obediência. Durante os momentos de maior tensão, quando o estudante está hiperativo, manter o tom de voz num nível normal e tentar estabelecer um diálogo é a melhor alternativa. "Se o adulto grita com a criança, ambos acabam se exaltando rápido e, em vez de compreender as regras, ela pode pensar que está sendo rejeitada ou mal compreendida", diz Muszkat.


5. O professor pode ajudar (e muito) 
Adaptar algumas tarefas ajuda a amenizar os efeitos mais prejudiciais do transtorno. Evitar salas com muitos estímulos é a primeira providência. Deixar alunos com TDAH próximos a janelas pode prejudicá-los, uma vez que o movimento da rua ou do pátio é um fator de distração. Outra dica é o trabalho em pequenos grupos, que favorece a concentração. Já a energia típica dessa condição pode ser canalizada para funções práticas na sala, como distribuir e organizar o material das atividades. Também é importante reconhecer os momentos de exaustão considerando a duração das tarefas. Propor intervalos em leituras longas ou sugerir uma pausa para tomar água após uma sequência de exercícios, por exemplo, é um caminho para o aluno retomar o trabalho quando estiver mais focado. De resto, vale sempre avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e se a rotina não está repetitiva. Esta, aliás, é uma reflexão importante para motivar não apenas os estudantes com TDAH, mas toda a turma.


Fonte: Revista Nova Escola


Neuropedagogia e a complexidade cerebral na sala de aula

"Cresce a necessidade de o professor reconhecer e incorporar o conhecimento do funcionamento do sistema nervoso e seu desenvolvimento para enriquecer a sua prática de ensino." (MARTA RELVAS)
A revista PSIQUE   trouxe uma matéria interessante sobre a Neuropedagogia em sala de aula. São 6 páginas de teoria, prática e exemplos acerca do funcionamento do cérebro na aprendizagem. Falar de Neuropedagogia causa uma certa aversão, pois já ouvi professores dizendo que não tem tempo para saber o que cada aluno está sentindo e muito menos entender da parte biológica. O professor não deve se limitar a teoria se quiser que seus alunos tenham uma aprendizagem significativa. E de uma forma simples e ao mesmo tempo completa, Marta Pires (bióloga, neuroanatomista, neurofisiologista humana, psicanalista e psicopedagoga) instiga o educador moderno a ir sempre além. Separei alguns trechos para dividir com vocês essa nova perspectiva.
 
"Sob o ponto de vista da Neuropsicologia, conhecer o processo de aprendizagem se tornou um novo desafio  para os professores, e o ambiente desta especificidade é a sala de aula”. O professor, ao estabelecer as estratégias de ensino em relação ao seu conteúdo em seus planejamentos, deve estar ciente de que suas turmas constituem uma biologia cerebral, tal qual uma verdadeira ecologia cognitiva.
NOVOS RUMOS
O novo caminho que o professor poderá percorrer a fim de despertar o interesse do estudante para as novas aprendizagens é pelas conexões afetivas e emocionais do sistema límbico, sendo estas ativadas no cérebro de recompensa. Por isso, precisam ser preservadas e respeitadas, pois são centelhas energéticas que provocam a liberação de substâncias naturais, os mensageiros químicos conhecidos como serotonina e dopamina, pois estão relacionados á satisfação, ao prazer e ao humor.
 
Para uma aprendizagem significativa, a aula tem de ser prazerosa, bem humorada, elaborada e organizada estrategicamente a fim de atender aos movimentos neuroquímicos e neuroelétricos do estudante. O professor que não instiga seus alunos à dúvida e à curiosidade, inibe o potencial de inteligência e afetividade no processo de aprender.






A matéria completa pode ser encontrada no site da Revista PSIQUE Nº 64.



sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Como o glúten afeta o cérebro?

por Bruna Gaspar


A quantidade de pessoas tanto intolerantes, quanto sensíveis ao glúten, tem aumentado cada dia mais. Alguns dos problemas associados incluem desconforto gastrointestinal, erupções cutâneas, problemas com a absorção de nutrientes, além de perda óssea.

brain-small





Porém, indo mais além, podemos ter uma coisa para nos preocupar, que é o seu efeito no cérebro.

De acordo com o GHC Pesquisas recentes descobriram, que existe uma ligação muito estreita entre o cérebro e o sistema nervoso entérico (o “cérebro” do trato digestivo). Com base nisso, os pesquisadores começaram a observar o efeito do glúten na resposta imunológica e absorção de nutrientes e ver como ele afeta o cérebro e os resultados foram preocupantes.

Dor de cabeça? Talvez seja Glúten!
Um estudo recente descobriu uma ligação entre a sensibilidade ao glúten e a enxaqueca. A pesquisa indicou que aqueles que sofrem de doença celíaca e sensibilidade ao glúten, sofrem de dores de cabeça e enxaquecas mais frequentes, do que aqueles que não tem o mesmo problema.

Outro estudo foi feito com crianças que tem doença celíaca e que sofrem dores de cabeça frequentes. Elas fizeram uma dieta sem glúten por algum tempo para determinar se a dor de cabeça diminuiria, e realmente na maioria dos casos diminuiu e muito.

Claro que se o glúten só está causando dores de cabeça, considere-se com sorte, ou talvez não …

E se causar anormalidades cerebrais?
Foi feita uma pesquisa e descobriram através da ressonância magnética que muitas pessoas com sensibilidade ao glúten e celíacos, tinham anormalidades cerebrais significativas. Nos que sofrem de dores de cabeça, essa anormalidade se mostrou mais elevada.

Em alguns casos, o que acontece é uma perda de massa encefálica. Isso com certeza não é bom e pode levar a problemas mais sérios caso a pessoa continue ingerindo glúten.

Pesquisadores da John Hopkins University School of Medicine, pesquisaram o impacto da vermelhidão gastrointestinal (criado pela doença celíaca) na esquizofrenia. Eles se focaram em fatores como a ativação do sistema imune e a capacidade das toxinas e agentes patogênicos tem de entrar na corrente sanguínea e assim descobriram que fatores imunológicos como as iniciadas no intestino, sugerem um link para a doença mental.

Glúten e Acidente Vascular Cerebral Isquêmico
Em alguns casos de acidente vascular cerebral isquêmico, o único fator que os médicos encontraram que contribuiu para isso, foi a doença celíaca. Os investigadores têm sugerido que o fator primário, nestes casos, pode ter sido a resposta auto-imune causada pela doença celíaca.

Tal como aconteceu com os acidentes vasculares cerebrais, a coagulação do sangue no cérebro, foi avaliado como única causa da doença celíaca. Apesar disso ter acontecido até agora, só com indivíduos com a doença celíaca, pode ser bom, pessoas com sensibilidade ao glúten ficarem atentas também.

Sem glúten e sem sintomas
Além de dores de cabeça, distúrbios cerebrais e coagulação, podem levar a um derrame.
O glúten foi diretamente ligado à convulsões epiléticas e lesões na substância branca do cérebro, indicando a Esclerose lateral Amiotrófica. Isso preocupa muito, porém a boa notícia é que ainda existe esperança.

Pesquisadores encontraram calcificações em certas áreas do cérebro e estas foram a causa das convulsões epiléticas. Em todos os casos, as convulsões pararam de vez, quando o paciente começou uma dieta livre de glúten.

O mesmo resultado ocorreu em indivíduos que sofrem de lesões no cérebro semelhantes aos observados em Esclerose lateral Amiotrófica. Após o exame do paciente, foi descoberta a doença celíaca. Uma vez que ele foi colocado em uma dieta sem glúten, a ressonância magnética mostrou uma redução nas lesões e uma melhoria global na sua condição.

Mesmo que a pesquisa sobre o impacto do glúten no cérebro seja bem recente, a mensagem é clara – o glúten tem um impacto profundo na nossa saúde mais do que se pensava anteriormente.

Com base nessa pesquisa, quem sabe ou suspeita de uma alergia ao glúten deve considerar seriamente exames para detectar se tem ou não o problema e dependendo a adoção de uma dieta livre de glúten, o seu cérebro vai agradecer. Você já notou a melhora de algum dos sintomas depois que parou de consumir alimentos com glúten? Se sim, por favor deixe um comentário e compartilhe a sua experiência com a gente.

Fonte: Terapias para Todos